
Nunca, pelo menos que eu saiba, convivi com alguém que curtisse os filmes do Woody Allen. Muito pelo contrário, sempre ouvi que ele é um louco e que não bate bem das ideias, e provavelmente por causa disso, nunca tive interesse em assistir alguma de suas obras. Tudo isso mudou há uns dois anos, quando aluguei Scoop por ter me interessado pela história - sem saber de quem o filme era ou deixava de ser - e o detestei. Essa foi a primeira obra "woodyalleana" que eu assisti, e como puderam perceber pelo meu relato, não foi uma experiência positiva.
Terminei Scoop concordando com todos aqueles que diziam que Woody Allen é um louco e dizendo para quem quisesse ouvir que não curtia o diretor. Para mim, apenas um filme assistido já era o suficiente para amar ou odiar qualquer coisa - grande infantilidade minha - e não pretendia assistir mais nada dele. Felizmente, comprovei que estava errada ao assistir (e adorar) Vicky Cristina Barcelona e mudar toda a minha concepção acerca de Mr. Allen. "Que cara gênio!", pensei.
Vicky Cristina Barcelona, não posso negar, é um dos meu filmes favoritos de todos os tempos. A história, além de ser inteligente e bem bolada, ainda conta com um elenco pra ninguém colocar defeito. É perfeito mesmo, e não podia ser outro pra mudar esta minha cabecinha que adora criticar as coisas. A partir de então eu passei a ter um carinho maior, digamos assim, por Woody Allen, e o interesse em assistir suas obras só cresceu.
Há um tempo, me indicaram um blog (Cinema Cultura) que tem diversos filmes antigos para serem baixados, inclusive alguns de Mr. Allen. Amei de cara, mas só semana retrasada, no feriadão, tive tempo para baixar algum e ver se a qualidade era boa mesmo. O escolhido? "Manhattan".
E que escolha! O filme é simplesmente sensacional. Na história, Allen vive Isaac, um escritor de 42 anos divorciado (foi trocado por uma mulher!) que namora uma garota de 17. Sua ex-mulher, interpretada por Maryl Streep (lindíssima!), também é escritora e resolve lançar um livro no qual relata alguns assuntos bem particulares sobre o relacionamento que eles tiveram, o que, obviamente, não o agrada nem um pouco. Ao longo da história, Isaac se apaixona por Mary (Diane Keaton - também linda e irreconhecível), uma mulher madura e inteligente, porém amante de seu melhor amigo. Enfim, o contexto é basicamente este, mas adicione o sarcasmo e a inteligência de Woody Allen e...ta dam!: um enredo engraçado, diálogos inteligentes, acontecimentos não tão previsíveis e um final ótimo.
Se eu já estava com vontade de conhecer mais de seu trabalho, depois de assistir Manhattan é claro que eu fiquei mais ainda. Mas dessa vez, queria assistir com qualidade, então resolvi ir à locadora e pegar todos os filmes que desse. Voltei pra casa com "Noivo neurótico, Noiva nervosa", "Vicky Cristina Barcelona" (vale a pena ver de novo), e "A Rosa Púrpura do Cairo".
"Noivo neurótico..." eu achei demais! Este, aliás, pelo que pude dar uma pesquisada, é um dos favoritos das pessoas quando se trata de Woody Allen. Ainda prefiro Manhattan, mas esse também não deixa nada a desejar. O melhor é a interação que Woody (a íntima, com licença) faz com os espectadores, fazendo perguntas e até comentários com quem está do outro lado da tela. Muito bom! Já não posso dizer o mesmo de "A Rosa Púrpura do Cairo" - é muito chato!
Na empolgação, pedi de aniversário atrasado o livro "Conversas com Woody Allen" e o box nº 1 com quatro DVDs dele. Acho que fiz um bom pedido. Woody Allen foi uma agradável (re)descoberta.