terça-feira, 13 de outubro de 2009

(entrevista) Um toque brasileiro no Twitter

Em setembro, para uma disciplina da faculdade, tive que fazer uma entrevista. De cara pensei em fazer algo relacionado ao Twitter. O resultado você lê logo abaixo.

A carreira de designer começou cedo, aos 13 anos, enquanto se divertia fazendo sites na Internet. Aos 18, prestou design gráfico no Istituto Europeo di Design, curso que viria a largar pouco tempo depois ao receber o convite para trabalhar na equipe da Globo.com. Hoje, aos 22 anos e mesmo sem ser graduado, já tem no curriculo experiências que muitos veteranos não chegaram nem perto de conseguir. Você pode não conhecê-lo de nome, mas com certeza já teve contato com seu trabalho. Vitor Lourenço (@vl), natural de Campinas, São Paulo, é hoje um dos responsáveis pelo Twitter, site americano de social media que conta com mais de 45 milhões de usuários mensais e já é considerado um fenômeno na comunicação do século XXI.

Nesta entrevista, concedida diretamente do escritório da empresa na Califórnia, Estados Unidos, Vitor conta como é trabalhar no Twitter e quais são as perspectivas para o site no futuro.

Como é ser designer de produto de um site que já é considerado um fenômeno mundial da comunicação?
É extraordinário. Acredito que estou contribuindo para uma grande mudança na forma como as pessoas se comunicam e interagem ao redor do mundo. Minha meta é tornar cada vez mais simples e prazeroso o processo de se utilizar o Twitter. Este é um aprimoramento constante: recolhemos números de utilização para estudar com cuidado qual a melhor implementação de novas funcionalidades, de forma a atingir a melhor experiência de consumo.

Na época do conflito politico no Irã, o Twitter foi o único meio pelo qual o mundo tinha acesso ao que acontecia realmente no país. Quando Michael Jackson morreu, logo após a notícia ser divulgada no site americano TMZ, ela se espalhou pelo Twitter, sendo esta a primeira fonte para muitos que não conheciam o site americano de celebridades. Como foi a repercussão quanto a isso internamente na empresa? Vocês tinham noção da intensidade do Twitter?
Estes fatos foram marcantes no processo de maior adoção popular ao Twitter. É incrivel ver como os fenômenos tomam forma em tão pouco tempo. Nós propiciamos uma experiência inovadora, que é a possibilidade de compartilhar experiências relativas a fenômenos globais de maneira instantânea e conjunta com suas relações sociais. Em nenhum outro site na Internet você consegue saber exatamente o que as pessoas estão pensando sobre determinado assunto naquele segundo. E ainda, oferecer uma camada de inteligência que consegue extrair os termos mais mencionados em um determinado espaço de tempo é de extrema importância para os usuários. Estamos extremamente felizes com estes resultados.

Como você vê o Twitter daqui a dez anos?
Dez anos representam muito tempo na Internet. Não faço idéia de como estará o Twitter em 2019, mas acredito que algumas necessidas básicas humanas não irão mudar. Continuaremos a compartilhar informações e a conectar-se a outras pessoas, mas provavelmente através de novas interfaces e dispositivos. O Twitter deve acompanhar as mudanças de comportamento ao mesmo tempo que foca seus esforços em resolver problemas que realmente existem.

Quais são as metas futuras do Twitter? Algum objetivo a ser atingido a curto prazo?
Temos muito trabalho pela frente. Uma meta a curto prazo é realmente aprimorar a experiência de uso para quem começa a utilizar a ferramenta. Notamos que alguns usuários criam uma conta, utilizam pouco o serviço, e só após algum tempo conseguem compreender o valor agregado e viram usuários assíduos. Temos que realizar um melhor trabalho em comunicar este valor e todas as possibilidades oferecidas através do Twitter.

Por já ter o Twitter como experiência, o que você espera pra sua carreira no futuro? Vai continuar morando nos EUA?
Não gosto de fazer planos para o futuro. No momento estou 100% focado em aprimorar a experiência de uso no Twitter, mas pretendo um dia construir minha própria startup aqui no Vale do Silício.