quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Hospital: uma experiência

Se tem uma coisa que eu tenho medo, é de hospital. Medo mesmo. Pensar em ir a um já me dá calafrios, e isso não envolve só o lugar, mas médicos e exames também. Esse é um dos motivos por eu sempre, mesmo que esteja com alguma dor, enrolar de ir me consultar.

Daí, ontem, minha crise de falta de ar veio com tudo. Sério. Fazia tempo que eu não passava tão mal assim de rinite. No começo, é lógico que eu nem cogitei a ideia de visitar um médico. Tomei um remédio que eu sempre tomo pra essas crises e acabou. Acontece que esse remédio me dá muito, mas muito sono, e eu dormi das 18h até às 22h de ontem, e quando acordei, achei que já estivesse bem. Bom, essa sensação durou pouco tempo. Não passou nem uma hora e eu já estava sem conseguir respirar direito.

É claro que vendo a situação, minha mãe resolveu que iríamos no médico. E é claro que eu recusei a ideia. Óbvio. Aí ok, fiquei fingindo que respirava e que estava tudo bem até, imagine, a possibilidade de ir ao hospital surgir na minha cabeça. Olha, pra isso acontecer, é porque algo estava errado mesmo. Enfim, era meia-noite e meia quando saímos de casa.

Eu fui o caminho todo tensa. É sério, eu tenho medo de qualquer coisa relacionada a saúde. Cheguei lá, fiz a pré-consulta, esperei e fui consultada de fato pela médica. Ela ouviu minha respiração e pediu pra eu tirar uma chapa do pulmão e fazer um exame chamado gasometria arterial pra ver como estava a oxigenação do meu sangue. Esses nomes "gasometria", "arterial" e similares já me deixaram nervosa. Mas o momento de mais nervosismo estava ainda por vir.
Minha mãe, vendo que eu estava tensa, falou pra eu me acalmar, e que nada iria doer. Foi só a médica ouvir isso, que ela soltou: "esse dói! E dói mesmo". Pronto. Se eu já estava com falta de ar quando cheguei lá, imagine agora.

Fui encaminhada, então, para a sala de observação e repouso, onde as pessoas tomam soro, fazem exames e tal. Quando eu entrei lá, a sala estava lotada. Um monte de gente atirada em suas poltronas tomando remédio pela veia, e outras se tremendo todas por causa de certos medicamentos. E eu lá, sozinha (acompanhantes eram proibidos). É claro que eu não consigo me ver, mas tenho certeza que eu devo ter entrado lá mais branca que um fantasma.

Bom, fiquei esperando alguns minutos sentada até que, por volta de 1 e pouco da manhã, uma enfermeira veio em minha direção com uma bandeja cheia de seringas e similares.

- "Dona (!!) Luiza, agora vou fazer a gasometria arterial. Vou colher o sangue que vem do seu pulmão. Você já fez esse exame alguma vez?", falou ela, com uma voz bem doce até.
- "Não, nunca fiz. Dói, né?", eu falei com cara e voz de medo, muito medo.
- "Então, essa é uma área mais sensível, e você deve sentir alguma dorzinha, mas é rápido"
- "Questão de segundos?", perguntei
- "É, hehe...", ela respondeu, com uma voz nada sincera

Aí eu virei pro lado, ela enfiou o negócio no meu pulso e eu fiquei pensando na maldita idéia que tinha tido algumas horas antes. Daí ok, passou 1 minutos, 2 minutos e nada dela tirar a droga da seringa de mim.

- "E aí, vai demorar muito?"
- "...."
- "VAI DEMORAR?"
- "Err...ham...não tô conseguindo tirar seu sangue. Vamos tentar o outro pulso"

Se eu já estava desesperada antes, agora então....É logico que eu pensava que alguma coisa no meu sangue ou no meu pulso estava acontecendo, né...Mas enfim, dei meu outro pulso e ela fez tudo de novo. Só que agora, como a situação já era outra e ela TINHA que tirar meu sangue daquela veia, ela foi, digamos, que com vontade no local. E aí doeu. Mesmo. E olha que legal: de novo ela não conseguiu tirar meu sangue. Na hora eu tive certeza que alguma coisa de errado estava acontecendo. Ela, então, foi falar com a médica, e esta gritou: "Tenta a venosa!!!" Tenta a venosa. Tenta a venosa. Veja bem, eu nunca fui boa em biologia. Lembro de ter estudado sistema sanguíneo e tal, mas provavelmente por causa do meu nervosismo, nem lembrava mais de nada, e nem de venosa alguma. "Aonde fica essa merda de venosa?", pensei, quase tremendo na cadeira.

É lógico que a venosa é aquela que fica na dobra do braço. Lógico. Como eu não pensei nela antes? ¬¬ Enfim, agora era impossível não dar certo, né. Pronto, três furos nos 2 braços depois, meu sangue estava ali no vidrinho, pronto pra ser examinado. Depois disso, foram uns 30 minutos de inalação e a hora de tirar raio-x do pulmão chegou.

Fui linda e bela pra sala, tirei a foto do meu pulmãozinho e voltei. Meus pés e minhas mãos estavam hiper gelados. Imagina se eu eu não estava nervosa. E o fato de ter que encontrar aquela médica grossa de novo me deixava mais tensa ainda. Ninguém tem nada a ver se ela escolheu ser médica e tem que dar plantão em algumas madrugadas, né? Falar para uma paciente que o exame vai doer, e ainda mais do jeito que ela falou, foi péssimo. Mas enfim. Esperei mais um pouco, esperei, esperei e ela me chamou. Eu mal entrei na sala e ela já foi falando:

- "Olha, Luiza, não tem nada no seu pulmão e nada no seu sangue."
- "Ah, que ótimo. E o que eu faço com a falta de ar?"
- "Então, como não tem nada, não posso te medicar. E também não posso te dar nada pra rinite."

E aí, quase 3 horas da manhã, eu voltei pra casa. Na bolsa, uma foto gigante do meu pulmão. Nos braços, três adesivos que tampavam os buraquinhos dos exames. E o resultado? Nada. É lógico que isso me alivia e muito, mas...ainda faço força pra respirar. E a causa é provavelmente em função do clima seco ou algo emocional (vide acontecimento recente).
Moral da história: venci meu medo de ir no hospital e de quebra sai de lá com exames feitos. E tudo por...nada.

15 comentários:

Nathy disse...

Nossa, me deu desespero só de ler. Pensa numa pessoa que morre de medo de tirar sangue?! Eu mesma!!! Tenho pavor mesmo! E tenho histórias pra contar também. Uma vez uma enfermeira tirou sangue com algulha de bebê, de tão branca que eu estava, além da pressão baixa. Bom, mas pelo menos vc está bem. E só uma coisa: que remédio vc toma pra falta de ar? Pq eu tbm tenho rinite e vivo com tudo trancado. Por esses dias tbm não ando nem dormindo bem. Ah, se preferir passe o nome do remédio pelo twitter. Beijos e melhoras pra vc.

Mariana Zito disse...

Ah! Querida... Eu te entendo!!! Eu tenho asma e pavor de agulhas, mas meu pavor é tanto que na iminência de alguma me perfurar eu desmaio. Já fiquei internada 3 vezes por causa dos pulmões e essa gasometria arterial é de praxe nesses casos, Logo quando você citou eu já falei um bem audível "AI!!!" mesmo antes de saber o que viria... Sim, é cruel. Dói assim que por que tem ser o sangue da artéria mais profunda possível, que a enfermeira não consegue ver, então ela procura com a delicada agulhinha enfiada nos nossos pulsos...
Só é uma pena você não ter sido diagnosticada com nada...
Mas desejo melhoras ^^
(desculpa se escrevi muito, é que essa é minha praia!)

Marina disse...

Eu já tive de fazer algumas cirgurgias, desde criança, acho que por isso não tenho tanto medo de hospital. Uma vez, o médico que ia me operar foi tão grosso e arrogante explicando sobre a cirurgia, que minha mãe reclamou e ele foi demitido! Mas acho que ninguém gosta de agulhas, né? Bem, melhoras pra você! =)

Bárbara Ribeiro disse...

Sofri com você durante o post apesar de adorar hospital. (muito bem escrito).

Esse negócio seu deve ser asma. E essa sim, é totalmente emocional. Minha primeira crise foi quando terminei com um namorado na 4ª série.

Ainda em tempo, adorei o novo layout.

André disse...

Nunca vou deixar de me supreender com a completa falta de habilidade pessoal dos nossos queridos médicos. Eu odeio ir a médicos não pelos motivos que você citou, mas porque eu não tenho paciência com gente que mal te ouve, não te olha direito, e faz de tudo pra te despachar em menos de 10 minutos do consultório.

Cary disse...

Uau, é realmente um saco quando vamos ao hospital achando que a solução do nosso problema vai ser um remedinho e vamos para casa mas qd chegamos lá ficamos mil horas e não temos nada demais.
Essa coisa de psicologico vive acontecendo comigo, já estou até acostumada...=/

eu ri com o post em algumas horas, bacana!;D

beijos!
:DD

joana disse...

As vezes que parei no hospital quase todas foram decorrentes de problemas causados pelo sistema nervoso. Aí, é tipo como foi com você: Fazem vários exames, constatam que nada tenho e me mandam para casa. Pelo menos, ao contrário de você, eu não ligo para hospitais. Não amo de paixão, mas também não desgosto.

No final, que bom que você não tem nada demais :)

Ana Lu disse...

Ai Luiza, eu entrei em PÂNICO lendo. DETESTO tudo o que tem a ver com agulhas, meu pulso ta aqui doendo só de imaginar.
Q bom que já acabou
=]
Beijoss

G disse...

Nossa, fiquei agoniada com a coisa das agulhas! Eu nunca tive fazer esses exames e graaças a deus não tenho nada disso.
O único médico que fui nos ultimos 5 anos foi o dermatologista, pra me ajudar nas manchinhas, mas eu gosto de ir.

Em hospital eu só entrei umas duas ou tres vezes, mas você tem mtovio pra ter medo do lugar.. um clima tão ruim lá dentro! :/


Mas que bom que não foi nada! :D

Um beijo! :*

Glicia disse...

Nossa, fiquei agoniada com a coisa das agulhas! Eu nunca tive fazer esses exames e graaças a deus não tenho nada disso.
O único médico que fui nos ultimos 5 anos foi o dermatologista, pra me ajudar nas manchinhas, mas eu gosto de ir.

Em hospital eu só entrei umas duas ou tres vezes, mas você tem mtovio pra ter medo do lugar.. um clima tão ruim lá dentro! :/


Mas que bom que não foi nada! :D

Um beijo! :*

Larissa L. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Larissa L. disse...

Bem, eu não gosto de tirar sangue, por causa das agulhas, mas superei o medo das agulhas qd comecei a fazer acunpuntura..! Passei por alguns perrengues nos hospitais, mas nunca tive qq problema... sei lá né?!
Mas é tenso mesmo passar por essas situações... ainda mais com pessoas assim meio sem sensibilidade para o sofrimento alheio...
Pelo menos você não tinha nada.. e espero que isso passe logo!

Beijos!!

bruno diniz disse...

Rir da desgraça alheia é fácil né... mas confesso que gargalhei muito.
Sinto pela experiência, de qqr forma.
bjs

(6) capreta disse...

Ó, tudo por nada não hein! Melhor ir mesmo e tirar as 'duvidas'! Vai que era algo sério? ¬¬

Beijo

Cíntia Mara disse...

Eu tenho rinite mas, graças a Deus, nunca passei por nenhuma crise tão grave.
As alergias que tenho são mais "quantidade" do que "intensidade".