segunda-feira, 16 de agosto de 2010

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Faculdade é como Super Mario Bros. Cada semestre é uma fase e cada prova é um daqueles bichos que se o Mario não pula em cima, ou ele perde um poder (e fica pequenino), ou morre. Como imagino que toda faculdade tenha sempre uma matéria bicho papão, esta se materializa pelo monstro das últimas fases, aquele que o Mario precisa chegar depois de percorrer todo um castelo - que é, basicamente, o semestre todo de aulas.

Oficializei essa ideia em minha mente agora que cheguei ao 3º semestre ainda sentindo a ressaca do final do semestre passado - esses quase 2 meses de férias não foram suficientes pra tirar aquele gostinho de saco cheio que o último me deixou, e isso é, no mínimo, frustrante.

Semana retrasada conheci uma matéria que está muito afim do título de bicho papão, embora eu tenha quase certeza de que quem realmente é não seja ela. Acredito que essa seja mais "dor de cabeça" do que "papão", mas enfim. A questão é que a professora já falou sobre o trabalho que teremos que fazer e, bem, enquanto ela explicava, tive muito a sensação de que aquilo na realidade não era uma aula, mas sim algo como um vestiário de campo de futebol 5 minutos antes do jogo, com o treinador explicando as táticas aos jogadores e a mensagem "você vai ter que fazer isso pra ganhar!!! foda-se se você vai ter que cometer faltas, pênaltis ou sei lá o quê, mas pra ganhar, só fazendo isso!!" subentendida. Ou então num reality show estilo Aprendiz, com o líder do grupo explicando o que precisaríamos fazer pra ganhar a prova, o que por sua vez significa ganhar o programa e levar 1 milhão de reais.

Eu nunca estive no exército, mas acredito também que aquela cena poderia muito bem ser adaptada a um quartel, base, sei lá. Nós, os soldados, estaríamos sentados ouvindo as ordens do general que nos daria as coordenadas para não morrer na guerra. Ou então para vencer a guerra. Mas não, a tal cena aconteceu na faculdade.

Não sei, às vezes eu fico pensando se faculdade não podia ter como princípio um pouco mais de prazer do que de teoria. Tudo bem que quem deve sentir prazer ao frequentá-la é o aluno, mas ainda assim, acho que eles deveriam pegar um pouco mais leve, não no sentido de ser fácil, fraca, mas no de não botar tanta pressão e sim deixar o aluno mais solto, mente livre, até porque, esse é o grande momento dele de descobrir o que quer da vida. Acho que em meio a tantos trabalhos diabólicos e a tanta pressão, os alunos acabam virando soldadinhos, fazendo tudo que os mandam e no final nem pensam se aquilo vale mesmo a pena ou não.

Sei lá, acho que tem coisa errada aí. Mas enfim. Enquanto as faculdades adotam esse sistema, a única coisa a se fazer é matar o monstro no final do castelo e então passar de fase. Tudo pra no final do semestre não se deparar com um grande GAME OVER e ter de começar tudo de novo...

9 comentários:

Isaque Criscuolo disse...

Olha, já estou no quarto semestre da faculdade e sinto isso sempre. Acredito que é o clima de faculdade. Natural que seja assim, até porque na vida profissional não será tão diferente.
Sei que agora já me acostumei ao clima e até estou um pouco empolgado com os novos projetos, embora esteja tremendo de medo das aulas de Teorias Políticas e Econômicas. No fim das contas, como você disse, o objetivo é chegar até o chefão e derrotá-lo. Em nosso caso, o tão sonhado diploma. Que venha!

Gabriela Petrucci disse...

Que metáfora original!
Gostei, muito.
Eu ainda não estou na faculdade, mas sinto exatamente a mesma falta de estímulo em algumas matérias do ensino médio, matérias que eu até gosto, mas que os professores não nos motivam. É triste.

Lari Reis disse...

Essa metáfora me fez lembrar de uma professora que eu tive semestre passado. As ordens eram tão impostas que até os textos ela queria escritos do jeito dela. Não é uma limitação e tanto para o aluno?! Triste.

Isadora disse...

A triste vida dos estudantes de jornalismo, sempre divididos entre a prática e o conteúdo. É o problema de todos nós, creio eu. E olha: eu estudo naquela que é considerada a melhor faculdade de jornalismo do país - tenhos minhas (muitas) dúvidas.

Numa dessas matérias com muito potencial pra 'bicho-papão' e fase do castelo do Mário, tivemos que fazer um trabalho de crítica à Universidade como instituição. Depois de muitas leituras (inclusive umas que tirei da outra faculdade que fiz) e muita pesquisa - a parte chata - descobrimos o porquê dessas coisas erradas e, talvez, maneiras delas serem mudadas. Ao menos, sugerimos essas maneiras.

A professora - total dor de cabeça - vai mostrar nosso trabalho pra comissão do MEC que vem visitar a faculdade pro recadastramento. Veremos o que acontece.

Enquanto isso, muita força e cogumelos pra nós!

Anna Vitória disse...

Adorei a metáfora do Mario, tudo a ver e olha que eu nem cheguei na faculdade ainda.
Acho que o sistema de educação está todo errado, as coisas são feitas de um jeito que provavelmente não vai levar o aluno a lugar algum, só vai colocá-lo num piloto automático para chegar à fase final de forma bem sucedida, quando o objetivo do curso como um todo não é esse!
Beijos, Lu!

Luís disse...

Essa coisa do Mario é bem verdade. A Semiótica, por exemplo, seria o Bowser com a Peach lááá no final. Hahaha, tudo bem, talvez nem tanto. (É, eu sou o único que gosta dessa disciplina)

Acho que o bicho papão desse meu semestre (como o do semestre passado) tá na Sociologia: tou estudando política voltada pra democracia. E, puxa, já me dei mal com o primeiro texto (não entendi quase nada).

Sorte pra nós! Beijo.

Henrique Miné disse...

o que mais pesa na faculdade é o grande número de disciplinas, se ele fosse menor, os estudos fluiriam melhor e, consequentemente, formaria melhores profissionais.

Na minha faculdade tenho cinco matérias semestrais com o volume de leitura mais absurdo da galáxia, você começa a entender um pouco na segunda semana e vai parando a partir da terceeira.

Vale a pena? Sim, mas não deixe de foder com a cabeça do cidadão.

Minha sorte é que eu era o melhor jogador de Super Mario da rua, haha! (h)

Ana Lu disse...

Ei Lu!
Eu ainda to no primeiro ano, mas tbm acho que tem aquelas matérias bicho-papão. E os trabalhos tenebrosos que eles passam as tornam ainda piores, hehe.
Boa sorte aí, e que o Game Over não apareça pra nenhuma de nós!

Tary disse...

Oie, Lu! Adorei o post, concordei com tudo... até falei um pouco sobre faculdade no meu último post... é um período que ao mesmo tempo que edifica, revolta um pouco. Eu, pelo menos sou uma revoltada com o meu curso, mas com tempos de calmaria, hehehe.
Beijos e boa sorte ;*