Se tem uma coisa que eu tenho medo, é de hospital. Medo mesmo. Pensar em ir a um já me dá calafrios, e isso não envolve só o lugar, mas médicos e exames também. Esse é um dos motivos por eu sempre, mesmo que esteja com alguma dor, enrolar de ir me consultar.
Daí, ontem, minha crise de falta de ar veio com tudo. Sério. Fazia tempo que eu não passava tão mal assim de rinite. No começo, é lógico que eu nem cogitei a ideia de visitar um médico. Tomei um remédio que eu sempre tomo pra essas crises e acabou. Acontece que esse remédio me dá muito, mas muito sono, e eu dormi das 18h até às 22h de ontem, e quando acordei, achei que já estivesse bem. Bom, essa sensação durou pouco tempo. Não passou nem uma hora e eu já estava sem conseguir respirar direito.
É claro que vendo a situação, minha mãe resolveu que iríamos no médico. E é claro que eu recusei a ideia. Óbvio. Aí ok, fiquei fingindo que respirava e que estava tudo bem até, imagine, a possibilidade de ir ao hospital surgir na minha cabeça. Olha, pra isso acontecer, é porque algo estava errado mesmo. Enfim, era meia-noite e meia quando saímos de casa.
Eu fui o caminho todo tensa. É sério, eu tenho medo de qualquer coisa relacionada a saúde. Cheguei lá, fiz a pré-consulta, esperei e fui consultada de fato pela médica. Ela ouviu minha respiração e pediu pra eu tirar uma chapa do pulmão e fazer um exame chamado gasometria arterial pra ver como estava a oxigenação do meu sangue. Esses nomes "gasometria", "arterial" e similares já me deixaram nervosa. Mas o momento de mais nervosismo estava ainda por vir.
Minha mãe, vendo que eu estava tensa, falou pra eu me acalmar, e que nada iria doer. Foi só a médica ouvir isso, que ela soltou: "esse dói! E dói mesmo". Pronto. Se eu já estava com falta de ar quando cheguei lá, imagine agora.
Fui encaminhada, então, para a sala de observação e repouso, onde as pessoas tomam soro, fazem exames e tal. Quando eu entrei lá, a sala estava lotada. Um monte de gente atirada em suas poltronas tomando remédio pela veia, e outras se tremendo todas por causa de certos medicamentos. E eu lá, sozinha (acompanhantes eram proibidos). É claro que eu não consigo me ver, mas tenho certeza que eu devo ter entrado lá mais branca que um fantasma.
Bom, fiquei esperando alguns minutos sentada até que, por volta de 1 e pouco da manhã, uma enfermeira veio em minha direção com uma bandeja cheia de seringas e similares.
- "Dona (!!) Luiza, agora vou fazer a gasometria arterial. Vou colher o sangue que vem do seu pulmão. Você já fez esse exame alguma vez?", falou ela, com uma voz bem doce até.
- "Não, nunca fiz. Dói, né?", eu falei com cara e voz de medo, muito medo.
- "Então, essa é uma área mais sensível, e você deve sentir alguma dorzinha, mas é rápido"
- "Questão de segundos?", perguntei
- "É, hehe...", ela respondeu, com uma voz nada sincera
Aí eu virei pro lado, ela enfiou o negócio no meu pulso e eu fiquei pensando na maldita idéia que tinha tido algumas horas antes. Daí ok, passou 1 minutos, 2 minutos e nada dela tirar a droga da seringa de mim.
- "E aí, vai demorar muito?"
- "...."
- "VAI DEMORAR?"
- "Err...ham...não tô conseguindo tirar seu sangue. Vamos tentar o outro pulso"
Se eu já estava desesperada antes, agora então....É logico que eu pensava que alguma coisa no meu sangue ou no meu pulso estava acontecendo, né...Mas enfim, dei meu outro pulso e ela fez tudo de novo. Só que agora, como a situação já era outra e ela TINHA que tirar meu sangue daquela veia, ela foi, digamos, que com vontade no local. E aí doeu. Mesmo. E olha que legal: de novo ela não conseguiu tirar meu sangue. Na hora eu tive certeza que alguma coisa de errado estava acontecendo. Ela, então, foi falar com a médica, e esta gritou: "Tenta a venosa!!!" Tenta a venosa. Tenta a venosa. Veja bem, eu nunca fui boa em biologia. Lembro de ter estudado sistema sanguíneo e tal, mas provavelmente por causa do meu nervosismo, nem lembrava mais de nada, e nem de venosa alguma. "Aonde fica essa merda de venosa?", pensei, quase tremendo na cadeira.
É lógico que a venosa é aquela que fica na dobra do braço. Lógico. Como eu não pensei nela antes? ¬¬ Enfim, agora era impossível não dar certo, né. Pronto, três furos nos 2 braços depois, meu sangue estava ali no vidrinho, pronto pra ser examinado. Depois disso, foram uns 30 minutos de inalação e a hora de tirar raio-x do pulmão chegou.
Fui linda e bela pra sala, tirei a foto do meu pulmãozinho e voltei. Meus pés e minhas mãos estavam hiper gelados. Imagina se eu eu não estava nervosa. E o fato de ter que encontrar aquela médica grossa de novo me deixava mais tensa ainda. Ninguém tem nada a ver se ela escolheu ser médica e tem que dar plantão em algumas madrugadas, né? Falar para uma paciente que o exame vai doer, e ainda mais do jeito que ela falou, foi péssimo. Mas enfim. Esperei mais um pouco, esperei, esperei e ela me chamou. Eu mal entrei na sala e ela já foi falando:
- "Olha, Luiza, não tem nada no seu pulmão e nada no seu sangue."
- "Ah, que ótimo. E o que eu faço com a falta de ar?"
- "Então, como não tem nada, não posso te medicar. E também não posso te dar nada pra rinite."
E aí, quase 3 horas da manhã, eu voltei pra casa. Na bolsa, uma foto gigante do meu pulmão. Nos braços, três adesivos que tampavam os buraquinhos dos exames. E o resultado? Nada. É lógico que isso me alivia e muito, mas...ainda faço força pra respirar. E a causa é provavelmente em função do clima seco ou algo emocional (vide acontecimento recente).
Moral da história: venci meu medo de ir no hospital e de quebra sai de lá com exames feitos. E tudo por...nada.