Ah, os médicos. Taí uma raça que eu quero distância. Nada pessoal, nada contra, mas quem já leu os posts do início do ano sabe que eu odeio ir ao médico, hospital e fazer exames. Acho que nem é ódio, é mais pavor mesmo, enfim, odeio. Passei minha vida toda evitando qualquer contato com essa área, mas eis que Murphy esse ano resolveu pegar no meu pé e nesses 7 (quase 8) meses de 2010, eu já pisei num hospital 4 vezes. QUATRO. E todas na véspera do início das aulas. Bem bacana.
As primeiras foram pra diagnosticar minha sinusite, e os relatos completos estão aqui e aqui. Era verão, São Paulo abafada como nunca e minha respiração mais lerda impossível. Dessa vez, porém, os problemas respiratórios resolveram dar trégua e o que me levou ao médico foi minha cabeça.
Tudo aconteceu domingo, em Porto Alegre, quando do nada minha visão ficou desfocada, comecei a ver uns pontinhos em ziguezague, meu braço ficou pesado, uma dor de cabeça surgiu de repente, dois dedos da minha mão dormiram e metade do meu lábio também. Assim, totalmente bizarro. E tudo durou nem 5 minutos. De novo, bizarro.
Paranoica do jeito que sou, a primeira coisa que veio na minha mente foi "omg, estou tendo um derrame". Surtei internamente pra não assustar ninguém e lembrei dele, o médico dos médicos: doutor Google.
"Dedos e lábios dormentes + visão ruim" foram as poucas palavras que troquei com ele e que, basicamente, pareceram suficientes para Dr. Google me dar o diagnóstico: enxaqueca com aura. Mas peraí, eu nunca tinha tido enxaqueca antes! Gelei. A maioria das pessoas pra quem eu contava que havia me consultado no Google ria da minha cara. Uma, inclusive, perguntou se eu havia tomado chá de cogumelo (!!!) haha, mas eu sabia que Dr. Google nunca me deixaria na mão.
Até de dormir eu fiquei com medo naquele dia. Foi horrível, horrível. Confesso que uma das coisas que mais me preocupava no diagnóstico é que Dr. Google afirmava que pacientes com esse problema não podem ingerir muito chocolate e cafeína. Detalhe que naquele mesmo dia eu ganhei a máquina Dolce Gusto e que chocolate é um dos vícios da minha vida, né.
Bom, depois do medo de ter aquilo tudo de novo durante o vôo pra São Paulo, no qual estava sozinha, cheguei aqui já com consultas marcadas: uma no otorrinolaringologista, pra ver como andava minha sinusite, e uma no neurologista, é claro. Ontem fui no otorrino e descrevi pra ele o que tinha me acontecido. O que ele falou? "Isso é um quadro de enxaqueca. Com aura e tudo". Ponto pro Google.
Hoje, no neurologista, descrevi o ocorrido de novo e enquanto o médico anotava umas coisas, emendei:
- olha, eu procurei no Google e parece que tô com enxaqueca com aura...
- veja o que eu acabei de escrever na sua ficha! Diagnóstico: enxaqueca com aura! Quer dizer que você já chegou aqui disgnosticada, hein. Vou te dar metade do meu diploma, rs.
Mais um ponto pro Google. Depois me chamam de louca, mas não é que ele estava certo?
- olha, eu procurei no Google e parece que tô com enxaqueca com aura...
- veja o que eu acabei de escrever na sua ficha! Diagnóstico: enxaqueca com aura! Quer dizer que você já chegou aqui disgnosticada, hein. Vou te dar metade do meu diploma, rs.
Mais um ponto pro Google. Depois me chamam de louca, mas não é que ele estava certo?
No final da consulta, depois de alguns exames, pedido de outros e uma conversa rápida:
"Doutor, resumindo: é enxaqueca com aura o que eu tenho?"
"Hm..vamos chamar de cefaléia enxaquecosa. É mais bonito".





