sexta-feira, 30 de julho de 2010

Doutor Google: o médico dos médicos

Ah, os médicos. Taí uma raça que eu quero distância. Nada pessoal, nada contra, mas quem já leu os posts do início do ano sabe que eu odeio ir ao médico, hospital e fazer exames. Acho que nem é ódio, é mais pavor mesmo, enfim, odeio. Passei minha vida toda evitando qualquer contato com essa área, mas eis que Murphy esse ano resolveu pegar no meu pé e nesses 7 (quase 8) meses de 2010, eu já pisei num hospital 4 vezes. QUATRO. E todas na véspera do início das aulas. Bem bacana.

As primeiras foram pra diagnosticar minha sinusite, e os relatos completos estão aqui e aqui. Era verão, São Paulo abafada como nunca e minha respiração mais lerda impossível. Dessa vez, porém, os problemas respiratórios resolveram dar trégua e o que me levou ao médico foi minha cabeça.

Tudo aconteceu domingo, em Porto Alegre, quando do nada minha visão ficou desfocada, comecei a ver uns pontinhos em ziguezague, meu braço ficou pesado, uma dor de cabeça surgiu de repente, dois dedos da minha mão dormiram e metade do meu lábio também. Assim, totalmente bizarro. E tudo durou nem 5 minutos. De novo, bizarro.

Paranoica do jeito que sou, a primeira coisa que veio na minha mente foi "omg, estou tendo um derrame". Surtei internamente pra não assustar ninguém e lembrei dele, o médico dos médicos: doutor Google.

"Dedos e lábios dormentes + visão ruim" foram as poucas palavras que troquei com ele e que, basicamente, pareceram suficientes para Dr. Google me dar o diagnóstico: enxaqueca com aura. Mas peraí, eu nunca tinha tido enxaqueca antes! Gelei. A maioria das pessoas pra quem eu contava que havia me consultado no Google ria da minha cara. Uma, inclusive, perguntou se eu havia tomado chá de cogumelo (!!!) haha, mas eu sabia que Dr. Google nunca me deixaria na mão.

Até de dormir eu fiquei com medo naquele dia. Foi horrível, horrível. Confesso que uma das coisas que mais me preocupava no diagnóstico é que Dr. Google afirmava que pacientes com esse problema não podem ingerir muito chocolate e cafeína. Detalhe que naquele mesmo dia eu ganhei a máquina Dolce Gusto e que chocolate é um dos vícios da minha vida, né.

Bom, depois do medo de ter aquilo tudo de novo durante o vôo pra São Paulo, no qual estava sozinha, cheguei aqui já com consultas marcadas: uma no otorrinolaringologista, pra ver como andava minha sinusite, e uma no neurologista, é claro. Ontem fui no otorrino e descrevi pra ele o que tinha me acontecido. O que ele falou? "Isso é um quadro de enxaqueca. Com aura e tudo". Ponto pro Google.

Hoje, no neurologista, descrevi o ocorrido de novo e enquanto o médico anotava umas coisas, emendei:

- olha, eu procurei no Google e parece que tô com enxaqueca com aura...
- veja o que eu acabei de escrever na sua ficha! Diagnóstico: enxaqueca com aura! Quer dizer que você já chegou aqui disgnosticada, hein. Vou te dar metade do meu diploma, rs.

Mais um ponto pro Google. Depois me chamam de louca, mas não é que ele estava certo?

No final da consulta, depois de alguns exames, pedido de outros e uma conversa rápida:

"Doutor, resumindo: é enxaqueca com aura o que eu tenho?"
"Hm..vamos chamar de cefaléia enxaquecosa. É mais bonito".

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Porto Alegre de comer

Porto Alegre é, pra mim, sinônimo de família e comida. Família porque minha mãe é de lá e tenho parentes que continuam a morar na capital gaúcha, então adoro visitá-los. Comida porque no sul tem as melhores e sempre, sempre, sempre que vou pra lá, volto com mil sacolas de supermercado recheadas de porcarias. Voltei ontem de lá e parte do conteúdo da minha mala não poderia ser diferente: Bib's, puxa-puxa, azedinho, bergamota (!!!), schmier (geleia) e pastelinas. Fiz a festa no Bourbon e no Zaffari:


Sério, se você mora no Sul, saiba que é um ser abençoado gastronomicamente. Os supermercados de lá são sensacionais.

Fora as mil sacolas de supermercados que trouxe na mala, ainda vim carregando uma caixa de Dolce Gusto que eu ganhei da família. Melhor presente ever! Foi complicadinho trazê-la pra São Paulo, mas sério, chegar em casa, testá-la e tomar um capuccino perfeito e feito na hora valeu todo o sacrifício de parecer uma sacoleira solitária nos aeroportos! Hahaha!


E, bom, como não sou de ferro, encontrei a Audrey por lá e também tive que trazê-la.


Voltei já com saudades! (e de regime, é claro...)

terça-feira, 20 de julho de 2010

11:11

Durante essa maratona de Friends que tenho feito nas férias (já estou na última temporada..buá!), assisti um episódio no qual a Phoebe - a personagem mais engraçada que eu já vi nos últimos tempos - se diz encanada pelo fato de que sempre que vai ao dentista, uma pessoa conhecida sua morre. Eu não sei realmente como nomear isso, se é TOC, superstição, loucura, neurose, mas enfim, a questão é que me identifiquei com ela.

Já tem alguns anos que desço de escada quando estou indo fazer algo importante, tipo prova, entrevista, falar com alguém e etc. Não sei bem como isso começou, só sei que descer de elevador em situações como essas seria como dar um tiro no pé, sabe. Também não penso em coisas boas quando estou com as pernas ou os pés cruzados. Ou melhor, sempre que penso algo bom, descruzo na hora. E nem sei por que. Acho que como todo mundo, bato na madeira 3 vezes quando falo - ou alguém fala - algo que eu não quero que aconteça. Na realidade, nem sei se o certo é bater pra não acontecer ou pra acontecer. Faço de ambos os jeitos...ai, ai. Na minha cabeça também é lei sair da cama com o pé direito. Isso já está no automático, nem preciso pensar mais. Ah, e não posso dormir com sapatos bagunçados no quarto. Se tem algum par fora do armário, o pé esquerdo tem que estar ao lado do pé direito e por aí vai. Caso contrário, não durmo. Nem preciso dizer que não passo embaixo de escada, né.

Fora isso, tenho tatuado um trevo da sorte na nuca, um olho de horus no pulso e uso diariamente - dãr, óbvio - a pulseira da Cabala. Supersticiosos, a gente vê por aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Enfim chegou

Depois daquele triste episódio, finalmente chegou a hora de comemorar a entrada de casacos, chocolate quente e endredons em minha vida. Nosso inverno não é exatamente assim como nas fotos abaixo - adoraria que fosse, aliás -, mas esse friozinho que tem feito por aqui já me faz uma pessoa beeeeem mais feliz. :P

Obrigada, São Pedro, pela melhor época do ano.

p.s.- fotos do inverno de 2007/2008 em Vancouver.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A fofoca judaica

Um dia, eu e uma amiga conversávamos com outra pessoa sobre como a comunidade judaica consegue ser irritante às vezes. Eu sou judia, e assim como essa minha amiga, estudei em colégio judaico grande parte da minha vida. Todo mundo que é judeu ou convive com judeus sabe que na comunidade judaica todos se conhecem de alguma forma. É como se fosse uma cidade de interior, onde todo mundo sabe quem morreu, quem casou, quem traiu, quem quebrou e coisas do tipo. É uma coluna social ao vivo. Na conversa, eu e minha amiga falávamos para essa terceira pessoa como isso nos irrita. Porque convenhamos, é um saco saber que pode ter alguém que você nem conheça falando de você ou da sua família nesse exato momento. E isso acontece mesmo. Mas enfim.

Aí, durante o papo, eu lembrei de um Bar Mitzvá que tivemos. O menino era mais velho que todo mundo, então realizou a cerimônia quando estávamos na 5ª série, o que normalmente acontece na 7ª. Por ser a nossa primeira festa de Bar Mitzvá, esse evento foi O evento do ano. Primeiro porque como o menino era milionário, lógico que não fez uma festa pequena, mas sim uma para milhares de pessoas no Leopoldo, um lugar super chique aqui de São Paulo. Segundo porque, bem, era o primeiro evento social da nossa turma, ou seja, todo mundo se preparou master para o tal dia.

Essa festa marcou todo mundo. Eu lembro que a família do menino contratou uns animadores de festa que ficavam ensinando a gente a dançar, e até hoje sei os passos de YMCA que eles nos ensinaram. Como era muito engraçado, eu e minha amiga começamos a rir muito disso, até que, bem espontânea, ela falou:

- NOOOSSA, você lembra que fulana foi de calça jeans??
- AHNN?? Ela foi de calça jeans nessa festa??
- Foi!! Não acredito que você não lembra! Todo mundo se virou pra olhar quando ela entrou no Leopoldo!

Eu juro por tudo que é mais sagrado que eu não lembro disso, mas na hora que minha amiga contou, fiquei chocada. Como assim a menina me vai de calça jeans na maior festa do ano de 2001? Foi aí que eu e minha amiga nos tocamos que, após dar um belo discurso sobre como essa tal característica da comunidade nos irrita, nós fizemos o mesmo. E só pra destacar, faz 9 anos que essa menina entrou na festa de calça jeans e, como podem ver, esse fato ainda é lembrado. Bem vindos ao fantástico mundo da fofoca judaica, onde nada é perdoado.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

That's Life

Você pode não curtir o estilo dela, pode achá-la meio velha, ultrapassada, não fazer seu tipo ou até achá-la um saco total. Mas sério, leia a letra de That's Life, do Frank Sinatra, e me diga se existe alguma possibilidade de não simpatizar com ela. Ou então de se identificar. Ou então de se viciar. Ou então de dar repeat na dita cuja 500 vezes no mesmo dia...Sério, não dá.

That's life, that's what all the people say.
You're riding high in April,
Shot down in May
But I know I'm gonna change that tune,
When I'm back on top in June.

That's life, and as funny as it may seem
Some people get their kicks,
Stompin' on a dream
But I don't let it get me down,
'Cause this fine ol' world keeps spinning around

I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself flat on my face,
I pick myself up and get back in the race.

That's life
I can't deny it,
I thought of quitting,
But my heart just ain't gonna buy it.
And if I didn't think it was worth one single try,
I'd jump right on a big bird and then I'd fly

I've been a puppet, a pauper, a pirate,
A poet, a pawn and a king.
I've been up and down and over and out
And I know one thing:
Each time I find myself laying flat on my face,
I just pick myself up and get back in the race

That's life
That's life and I can't deny it
Many times I thought of cutting out
But my heart won't buy it
But if there's nothing shakin' come this here july
I'm gonna roll myself up in a big ball and die.

domingo, 11 de julho de 2010

Tchau, Jabulani

E só agora que a Copa chegou ao final eu fui reparar que não escrevi nada sobre o assunto aqui no blog. Isso significa alguma coisa. Talvez o fato de eu não gostar de futebol seja um dos motivos. Ou então a frequência com que isso tenha sido abordado na mídia, na vida, online, offline e, se bobear, até nos sonhos, outro. A real é que nunca uma Copa do Mundo foi algo que me deixasse empolgada, e esse ano achei que não seria diferente.

Futebol não é meu esporte favorito. Eu já tive minhas épocas de torcedora nata, mas hoje posso afirmar com orgulho que não torço pra nenhum time. Sou daquelas que torce pro Brasil e só. E ainda torço naquelas. Se ganhar, "oba, legal". Se perder, "que merda". Não fico com os nervos à flor da pele, não choro com uma derrota e muito menos saio comemorando por aí uma vitória. Torço porque sou brasileira. E só. Uma declaração dessas eu sei que deixa muita gente furiosa, afinal, não há outro evento melhor para aflorar o patriotismo das pessoas do que uma Copa do Mundo, mas, bem, o que seria do verde se todos só gostassem do azul, né?

Pode parecer estranho eu publicar esse texto poucos dias depois de ter publicado um no qual mostro meu desinteresse na política brasileira e nas eleições que estão por vir. Eu juro que não sou a pior brasileira desse mundo, foi só uma coincidência. Mas voltando ao assunto...

Pra quem não entende nada do esporte e nem se interessa pelo assunto, eu até que me saí uma bela telespectadora nessa Copa do Mundo. Além dos jogos do Brasil, assisti a outros tantos também, e até me peguei acessando links com notícias do evento e assistindo ao Central da Copa. Por alguns minutos, pasmem, eu até aprendi o que é impedimento! - o que eu já esqueci, é claro.

É, se há dois posts eu me rendi às risadinhas que aparecem em alguns seriados, nesse eu vou confessar a minha tristeza pelo fim da Copa do Mundo. Vou sentir falta de fazer minhas coisas ao som da narração de um jogo de futebol. Vou sentir falta dos comentaristas tratando um pênalti não dado como a pior coisa do mundo. Até o Twitter vai ficar estranho sem o povo comentando sobre apostas em bolão, resultados e torcida. Aquelas bandeirinhas, que no começo me irritaram um pouco, já fazem falta na minha timeline. É, eu não sou a maior fã - ou melhor, nem fã sou - do campeonato em si, mas essa agitação, a mudança que acontece na rotina de todo mundo, essas sim são muito legais.

Eu já fui chata o bastante pra achar a Copa do Mundo um evento valorizado demais. Quando o boteco aqui perto de casa ficava cheio e as pessoas vuvuzelavam como loucas, eu ficava irritada e soltava mentalmente uns "pô, é só um jogo de futebol! cala a boca!", mas é claro que isso acontecia só no calor do momento. Ok, tem pessoas que passam dos limites com a Copa, que fazem do campeonato suas vidas, e essas eu acho que têm um problema, mas fora isso, é só alegria. Vou sentir falta.

Provavelmente pelos próximos 4 anos eu não assistirei a nenhum jogo de futebol. Esses campeonantos paulistas, brasileiro e etc não fazem parte da minha vida mesmo, então só me resta esperar por 2014. Aliás, não sei se sou a única, mas o fato de a próxima Copa acontecer no Brasil não me agrada muito. Um dos pontos positivos que eu via nessa superexposição da Copa do Mundo era o de conhecer bastante o país sede, ver os jornalistas indo pra lá com vários dias de antecedência, ler notícias sobre o local e tal. Com os jogos aqui, isso não vai acontecer da mesma forma.

É lógico que sediar um evento desse tamanho será bom para o Brasil, mas também vai ser aquela zona. Eu até tinha esperanças, até a última quinta-feira, que a Fifa mudasse de ideia, mas já que isso não rolou, já deixo aqui o meu aviso: alugo apartamento para junho/julho de 2014. Interessados, favor entrar em contato, porque pelo menos até o momento, da Copa de 2014 eu tô....fora.

sábado, 10 de julho de 2010

A outra utilidade do Ipod

Era praticamente uma lei. Todos os dias ao acordar pra ir para a escola eu ligava meu Ipod no shuffle e esperava ansiosamente pra ver qual música iria tocar. Se fosse uma música legal, que me empolgava, o dia seria bom. Se a música fosse chata, daquelas que nem deveriam estar no aparelho, o dia não seria lá tão agradável. Era como se o Ipod fosse o meu Minutos de Sabedoria, sabe.

Esse hábito me acompanhou pelos dois últimos anos do colégio. É que era chato acordar todo dia às 6 da manhã pra aprender química, física e toda aquela baboseira que para uma futura estudante de jornalismo nunca seria útil, então digamos que ouvir minha música favorita ao acaso pela manhã me dava aquela segurança de que talvez valesse a pena sair de casa e passar a manhã inteira aprendendo coisa chata. Confesso que achava esse meu método muito bom. Melhor do que ouvir uma música legal no shuffle do Ipod era entrar na perua que me levava ao colégio e notar que a minha música favorita tocava no rádio. Esse era o limite, o máximo que as músicas e a sorte/destino poderiam me dizer. Significava que o dia seria O DIA.

Eu levava isso muito a sério. Todo dia fazia a mesma coisa, e tá, lógico que quando a primeira música que me aparecia era chata, eu dava mais uma chance ao acaso, afinal, eram 6 horas da manhã e ele também tinha o direito de estar sonado. Algumas vezes isso adiantava, outras não, mas bom, a vida seguia.

Aí um dia eu fui pega roubando a prova de matemática na sala do orientador. Antes de mais nada: não me julgue. Mas enfim, eu roubei. Foi um ato tramado por três pessoas, eu e mais duas amigas, e enquanto elas eram encarregadas de distrair a secretária, eu tinha como objetivo puxar a prova do envelope, dobrá-la e colocá-la no bolso. Não foi fácil, mas eu consegui. Enquanto todos se desesperavam, estudavam e enloqueciam pela prova de matemática, a partir daquele momento eu e minhas amigas estávamos tranquilas, afinal, ela estava no meu bolso.

E por lá ela ficou por mais ou menos uns 10 minutos. Quer dizer, acho que foi mais ou menos isso que demorou pro orientador aparecer na minha sala e me convidar para conversar no corredor. "Luiza, devolve". Ele disse assim, de forma curta e direta. Como não sou boa pra mentir, fiquei muda, intacta e congelada por alguns segundos. "Ai, Ed (o orientador), toma".

Há dez minutos eu tinha a prova de matemática no meu bolso. Agora eu já não tinha mais.

Nós seguimos, então, para conversar na sala dele. Na real não ouve conversa. Ele e a secretária apenas riram da minha cara que, segundo eles, estava branca. Acho que eu até tremia, pra falar a verdade. Toda a situação foi resumida pela secretária em apenas uma frase. Muito sábia, ela falou: "É, Luiza...pior do que roubar e ser pega no flagra, é roubar e não poder levar a prova de matemática com você, né?" Ela tinha razão. Mas o que mais cutucava a minha mente era: "Eu sabia que acordar com Chiclete com Banana não era um bom sinal. Eu sabia".

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O caso das risadinhas

Sempre tive algumas certezas na vida. Uma delas é que um dia vou morrer, claro, e a outra é que seriados que têm risadinhas de fundo são imbecis. Porque convenhamos, eu não consigo imaginar a razão para essas malditas risadinhas existirem a não ser pela falta de graça que o programa possui. Ou então pela insegurança que os redatores das séries têm em relação a seu trabalho, já que colocam aquelas malditas para mostrar que ali ocorreu uma cena engraçada. Resumindo: esse era o principal motivo para, quando perguntada se gosto de Friends, Big Bang Theory e Two and a half men, por exemplo, eu sempre responder "Eww, não!"

Mas aí as coisas mudam, as pessoas mudam, né, e as opiniões também. Bem, digamos que aquela ideia pré-concebida que vivia dentro de mim se rendeu e, pior ainda, foi triturada pela hipótese de que as risadinhas são bobas, sim, mas que isso não significa nada. Em outras palavras: estou viciada em Friends. É, após inúmeros pedidos e ordens que vinha recebendo de amigos para começar a assistir ao seriado, eu mordi minha língua e fiquei viciada. Ou existe alguma outra explicação para em menos de uma semana eu já ter assistido as 6 primeiras temporadas?

Fica a lição.

p.s.- embora a certeza de que as tais risadas sejam imbecis já esteja em tratamento na minha cabeça, elas ainda me instigam, e isso não posso negar. Tanto é que esses dias, enquanto assistia alguma temporada, percebi que as risadas muitas vezes se repetem. Sim, eu percebi que uma risada feminina, ou melhor, a mesma risada feminina aparece em muitos, muitos episódios. É que quando todos os outros figurantes de risadas param de rir, ela continua, então ficou nítido.

p.s.2- OK, OK, estou de férias e posso me dar o luxo de prestar atenção nessas coisas, tá?

terça-feira, 6 de julho de 2010

O voto jovem da discórdia

Conheci uma menina de 16 anos que está toda envolvida com as eleições. Mesmo sem ser obrigada, ela tirou o título esse ano, e desde então, tem feito campanha em seu Twitter para que todos os jovens façam o mesmo.

Já eu, com 20 anos, nunca votei. Na última eleição eu tinha 18 e deveria ter votado, mas não o fiz. Como castigo, paguei uma multa de pouco mais de 1 real e me safei. E tudo porque ainda não tinha o título de eleitor, documento que só me apressei em tirar depois por alguma razão que não a de participar da democracia desse país.

Esse fato todo me instigou. Perguntei a tal menina se seus colegas também estão fazendo seus documentos e ela afirmou que sim. Engraçado, na minha época de escola, que eu me lembre, só um ou dois tiraram seus títulos e votaram aos 16, 17 anos. Ah, escolhendo os mesmos candidatos que seus pais, lógico.

Mas essa garota do Twitter é diferente. Ela vai votar na Dilma, enquanto sua família, no Serra. Questionei sua escolha e ela me respondeu que “está na hora de o Brasil ter uma líder mulher”. Além de gostar das características petistas, como a linda história do atual presidente Lula – esse “linda” saiu da boca dela, e não da minha -, ela não soube me dizer exatamente qual é a linha do PT. Quando percebeu que eu fiquei meio decepcionada com isso, voltou ao papo de que “os jovem têm de se afirmar perante a sociedade”, e que mulheres deveriam pesquisar a história da Dilma. “Com certeza vão querê-la como Presidente”, afirmou.

Pra ser sincera, não faço a menor questão de votar. Acho, inclusive, que o Brasil deveria adotar o mesmo sistema eleitoral dos Estados Unidos, onde a população não é obrigada a dar seu voto. Isso faria com que os eleitos brasileiros fossem escolhidos com muito mais vontade e critério, excluindo aqueles que só votam por obrigação e/ou, por facilidade, naquele que já está ganhando nas pesquisas.

Conheço muita gente que faz isso, aliás. Pessoas que acordam de mau humor no primeiro ou segundo, não sei, domingo de outubro, só por terem de mudar sua progamação para ir a um colégio apertar o botãozinho verde em alguém que nem sabe o que quer fazer do Brasil. Não seria melhor deixar essa tarefa pra quem quer e sabe, realmente, em quem votar?

Diferente de mim, essa menina já vai votar aos 16 anos. Diferente de mim, ela está toda envolvida com as eleições. Porém, muito semelhante a mim na idade dela, ela na verdade não faz nem ideia do que querem esses candidatos, e nem por que vai votar em quem ela diz que vai. Eu não era – e não sou – a pessoa mais interessada na política desse país, mas também não saio por aí fazendo campanha para que votem numa candidata só porque ela é mulher e porque é petista.

Já li muitas reportagens esse ano sobre os jovens que não precisam, mas que fazem questão de votar. Acho bonitinho, até. Muitas pessoas os têm como os verdadeiros personagens do futuro desse país. Mas ah, às vezes prefiro acreditar mais nos que preferem adiar esse fardo ou pagar o pouco mais de 1 real pra não votar, do que naqueles que fazem uma campanha sem nem saber o que estão fazendo.