sábado, 21 de agosto de 2010

Pragas musicais

Bato palmas para aqueles artistas que conseguem fazer as músicas mais chatas do universo e que, de tão insuportáveis, tornam-se legais e acabam viciando. Elas são normalmente aquelas cujas letras não fazem o menor sentido, mas que por possuirem um refrão avassalador, ficam martelando na sua mente até que você assuma que gosta delas.

Esses tempos o Andre twittou algo sobre o fato de não entender as metáforas usadas nas músicas de axé, o que me fez perceber que, bem, acho que o objetivo delas é exatamente esse: de não serem compreendidas. "Pirou minha cabeça e o coração, feito bola de sabão". Esse é um exemplo digno de música chata que gruda até você aceitar que ela tem alguma coisa legal. A letra definitivamente não é, a não ser que bolas de sabão pirem a cabeça e o coração de alguém, o que não é o caso por aqui. 

Mas não foi só Claudia Leitte que abusou dessa tática. Ivete Sangalo também. "Arerê, Um lobby, um hobby, um love com você". E lá estava ele, o compositor desta grande canção, tentando finalizar tal letra. Acredito que ele queria muito colocar a palavra "love" no refrão, mas não sabia como. "Hmmm, o que pode rimar com love?" Aí ele começou a pensar em todas as palavras possíveis até que chegou em hobby. Love + hobby = falta uma. Tadãm! Lobby! Tipo de hotel! Tudo a ver! Tá feito o refrão. E assim nasceu mais uma praga que gruda por horas, dias, semanas, meses em nossas cabeças. Eu, pelo menos, assumo que já ouvi e cantei muito essas daí. E nem foi por falta de opção. Foi por escolha mesmo. Taí a prova de que elas estão no caminho certo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Oficialmente 2.1 (ou meu aniversário)

Dia 19 de agosto chegou e agora sou oficialmente uma dois ponto um.

Hoje a bebida é por conta da casa!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aperte aqui para começar

Faculdade é como Super Mario Bros. Cada semestre é uma fase e cada prova é um daqueles bichos que se o Mario não pula em cima, ou ele perde um poder (e fica pequenino), ou morre. Como imagino que toda faculdade tenha sempre uma matéria bicho papão, esta se materializa pelo monstro das últimas fases, aquele que o Mario precisa chegar depois de percorrer todo um castelo - que é, basicamente, o semestre todo de aulas.

Oficializei essa ideia em minha mente agora que cheguei ao 3º semestre ainda sentindo a ressaca do final do semestre passado - esses quase 2 meses de férias não foram suficientes pra tirar aquele gostinho de saco cheio que o último me deixou, e isso é, no mínimo, frustrante.

Semana retrasada conheci uma matéria que está muito afim do título de bicho papão, embora eu tenha quase certeza de que quem realmente é não seja ela. Acredito que essa seja mais "dor de cabeça" do que "papão", mas enfim. A questão é que a professora já falou sobre o trabalho que teremos que fazer e, bem, enquanto ela explicava, tive muito a sensação de que aquilo na realidade não era uma aula, mas sim algo como um vestiário de campo de futebol 5 minutos antes do jogo, com o treinador explicando as táticas aos jogadores e a mensagem "você vai ter que fazer isso pra ganhar!!! foda-se se você vai ter que cometer faltas, pênaltis ou sei lá o quê, mas pra ganhar, só fazendo isso!!" subentendida. Ou então num reality show estilo Aprendiz, com o líder do grupo explicando o que precisaríamos fazer pra ganhar a prova, o que por sua vez significa ganhar o programa e levar 1 milhão de reais.

Eu nunca estive no exército, mas acredito também que aquela cena poderia muito bem ser adaptada a um quartel, base, sei lá. Nós, os soldados, estaríamos sentados ouvindo as ordens do general que nos daria as coordenadas para não morrer na guerra. Ou então para vencer a guerra. Mas não, a tal cena aconteceu na faculdade.

Não sei, às vezes eu fico pensando se faculdade não podia ter como princípio um pouco mais de prazer do que de teoria. Tudo bem que quem deve sentir prazer ao frequentá-la é o aluno, mas ainda assim, acho que eles deveriam pegar um pouco mais leve, não no sentido de ser fácil, fraca, mas no de não botar tanta pressão e sim deixar o aluno mais solto, mente livre, até porque, esse é o grande momento dele de descobrir o que quer da vida. Acho que em meio a tantos trabalhos diabólicos e a tanta pressão, os alunos acabam virando soldadinhos, fazendo tudo que os mandam e no final nem pensam se aquilo vale mesmo a pena ou não.

Sei lá, acho que tem coisa errada aí. Mas enfim. Enquanto as faculdades adotam esse sistema, a única coisa a se fazer é matar o monstro no final do castelo e então passar de fase. Tudo pra no final do semestre não se deparar com um grande GAME OVER e ter de começar tudo de novo...

domingo, 15 de agosto de 2010

Ué, cadê a Audrey?

Pois é, no layout do blog ela não está mais.

Se não me engano, já ia fazer quase um ano que tinha uma imagem dela aqui em cima, e talvez fosse hora de dar uma mudada. Ainda não estou 100% certa em relação a este layout, por isso gostaria MUITO que alguém se manifestasse por aqui dizendo se gostou desse ou preferia o antigo.

E aí? Dou um descanso para a Audrey ou chamo ela de volta?

EDITADO: Me rendi e a Audrey voltou! Acabei não me acostumando com o outro layout e vou ficar com o antigo mesmo. :B

p.s. - culpo essa minha indecisão ao inferno astral.
p.s.2 - o inferno astral tá acabando! aleluia!

Voltemos a programação normal...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O calçadão da Avenida Paulista

Cariocas provocam paulistas por São Paulo não ter praia. Ou melhor, por ter o Rio Tietê. Tudo bem, nós não temos aquele mar azul em nossa cidade mesmo. Mas o que a maioria dos cariocas não sabe é que se eles têm o calçadão de Copacabana, nós temos algo parecido por aqui, e ele fica na Avenida Paulista. Seu auge é nos dias de semana, lá por volta do horário do almoço. As pessoas que o frequentam não usam short, bermuda, biquini ou top. Ao invés disso, usam terno, gravata, paletó e camisa social.

No Rio é comum ver as pessoas pedalando, andando de patins ou skate em Copacabana. Aqui não. No calçadão da Avenida Paulista os frequentadores dão mais valor a um bom papo com seus colegas enquanto caminham, a um sorvete do Mc Donalds ou a uma caminhada solitária com fones de ouvido. Tudo bem calmo, relax.

Eu, olha só, também frequento esse calçadão diariamente. Não por vontade ou prazer, mas por obrigação mesmo, afinal, é por lá que pego meu ônibus para a faculdade. E é por lá que eu volto pra casa também. Sempre com pressa, às vezes um pouquinho atrasada, digamos que meu ritmo destoa da maioria dos frequentadores do calçadão da Av. Paulista. E isso é um verdadeiro saco. Tente caminhar rápido em meio às tartarugas (é assim que costumo chamar os executivos em horário de almoço) quando você tem horário pra chegar a tal lugar. Tente ultrapassar um grupinho de 4 pessoas que andam uma ao lado da outra, fechando completamente a passagem. Tente.

E é mais ou menos esse o dia-a-dia no calçadão da Avenida Paulista. Podiam até colocar Garota de Ipanema de fundo musical enquanto os executivos caminham lentamente como se ao lado direito deles fosse possível ver o mar azul, o Pão de Açúcar, mulheres de biquini, homens de sunga, a areia fofa, as crianças fazendo castelinhos e vendedores ambulantes vendendo biscoitos Globo e água de côco. Mas não. Tudo o que eles vêem são prédios comerciais, um trânsito insuportável, ônibus e carros que não têm fim e uma pessoa tentando passar a qualquer custo porque tem aula na faculdade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

The Circle of Life

Eu não tinha ideia da intensidade que esses filmes da Disney podem ter na vida de uma pessoa. Confesso que de certa forma eu os subestimava.

Tudo mudou, porém, há poucos dias, quando achei na internet uma coletânea especial de 60 anos dos clássicos Disney e fiquei tentadíssima a baixá-la, afinal, eram mais de 100 músicas. Eu, que nem chego perto daquelas pessoas fanáticas tanto pelos filmes como pelos parques, fiquei assim, de boca aberta, quando apertei play e elas começaram a tocar. Tem música desde A Branca de Neve até Toy Story, passando por Dumbo, Pinocchio e Cinderela. Resumindo a experiência em duas palavras: que viagem!

Como já disse, nunca tive uma relação muito forte com os produtos Disney, ao contrário de muita gente que sabe até de cor as falas dos filmes e as letras das músicas. Mas quando elas começaram a tocar, juro, foi como se eu abrisse meus olhos e me visse com 5, 6 anos, sentada no sofá do apartamento onde eu morava naquela época, comendo pipoca e tendo a bruxa como a minha única preocupação da vida. Principalmente quando as trilhas de Rei Leão e A Bela e a Fera começaram a tocar. Eu nem sabia que guardava cenas de tais filmes na minha memória. Coisa louca!

Que nostalgia. Esses caras da Disney são bons mesmo, eles definitivamente conseguem marcar uma geração. Acho que vai ser mais ou menos isso que a galerinha de hoje vai sentir quando, daqui uns 10, 12 anos, colocar um DVD de High School Musical pra assistir. Ou será que DVD já vai ser muito ultrapassado?

p.s. - quem tiver interesse nessa coletânea, eu a encontrei via torrent pelo nome "Classic Disney - 60 Years of Musical 5 CD Box Set"
p.s.2- o título do post é o nome da minha música favorita da Disney. Ela é trilha do filme Rei Leão. Coisa mais linda.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aos amantes da Coca Cola

Há um bom tempo - ou na época em que o Orkut ainda era a única rede social da qual a maioria da população participava -, eu entrei numa comunidade chamada "Odeio Coca-Cola". Quando apertei em "join community", sabia que muitos pensariam que eu era mais uma entre os tantos anti-capitalistas existentes na face da terra. Longe disso. A verdade é que já tem mais de 10 anos que eu não posso nem sentir o cheiro da Coca-Cola que eu já fico toda enjoada.

Tudo aconteceu, se não me engano, num final de semana. Eu devia ter uns 6 pra 7 anos e resolvi que naquela noite queria comer ovo. Taí algo que eu nunca fui muito fã, mas sabe-se lá porque, naquele dia eu resolvi que queria comer aquilo e ponto final. Não lembro qual era o prato todo, mas sei que nele tinha um ovo mexido já imaginando que seria ele o responsável pelo meu arrependimento por tanto tempo sem gostar de seu gosto. Coitado, pura ilusão.

Para acompanhar a refeição, o refrigerante que mais tinha lá em casa: ela, a famosa Coca-Cola. Até então era o meu favorito, o que sempre estava junto dos meus salgadinhos, pipocas, sanduíches e batatas fritas. Aquele jantar parecia não ter erro, estava bem como eu havia pedido. Mal sabia eu o que iria acontecer depois.

Era madrugada quando eu acordei passando mal. Parecia que eu tinha comido um urubu tamanha era a minha indigestão. Vomitei, vomitei e vomitei. Não podia ver nem uma comidinha sequer na minha frente. Imaginei de cara - ou então devem ter imaginado por mim - que seria o ovo. Mas não. Na minha cabeça, o que mais me deixava enjoada quando aparecia na imaginação era a pobre Coca-Cola. Sobrou pra ela.

Até hoje não sei se ela é a culpada ou não por aquela noite mal dormida. Talvez ela tenha sido bem injustiçada, mas desde então, ela nunca mais entrou em casa.

Por um lado, não gostar de Cola-Cola é interessante. As pessoas na maioria das vezes me olham com cara de "hmm, que saudável". Mas por outro, é aquele problema. Coca-Cola é normalmente o refrigerante coringa que todo mundo pensa que não há no mundo quem não aprecie. Ou em outras palavras: já comi churrasco com água mais de uma vez e já tive de levar minha própria Guaraná em vários jantares de família.

Ser vítima frequentemente de um preconceito por não gostar de, olha só, beber desentupidor de privada durante minhas refeições é triste. Já cheguei várias vezes a conclusão de que bebedores de Coca-Cola têm uma seita só deles. Uma religião, talvez. E quem não faz parte do tal grupo é estranho, louco, idiota, imbecil, sei lá, e eu sou uma dessas pessoas.

Fica o meu apelo, então: Me deixem em paz. E lembrem que há outras bebidas no mundo quando eu estiver na lista de convidados. Obrigada.

p.s. - 12 outras utilidades da Coca-Cola (em inglês). Sorry, não resisti.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E aconteceu o inevitável

Há mais ou menos 40 minutos, tive a minha primeira experiência comum a maioria dos brasileiros: sofri uma tentativa de assalto. E eu que pensava que isso não aconteceria tão cedo comigo...

Hoje o dia foi daqueles típicos "não deveria ter saído da cama". Pra começar, pensei que o clima esquentaria à tarde e não fui tão agasalhada para a aula. Resultado: passei frio. Se não fosse o bastante, hoje só tive aulas insuportáveis e, pra piorar, fiquei sabendo que semana que vem, no dia do meu aniversário, terei aula das 10 e pouco da manhã às 5 e pouco da tarde. Hm, bacana. Aí, no último horário, enquanto tremia horrores, o professor simplesmente não calava a boca. Típico. Quando ele finalmente nos liberou, saí correndo pra pegar o ônibus e chegar logo em casa, onde colocaria 500 mil agasalhos e me enfiaria debaixo do edredon, mas ao que tudo indica, o destino não estava muito afim de conspirar a meu favor.

Eu sempre faço o mesmo caminho quando saio da faculdade e vou pegar o ônibus. Aliás, todo mundo faz esse caminho. Acontece que hoje eu fui sozinha até lá. Enquanto caminhava, eu percebi que havia dois meninos bem jovens encostados no muro da faculdade (em Higienópolis), mas nem liguei e passei por eles mesmo assim. Chegando na esquina, parei para esperar o sinal fechar. Aí eles apareceram.

- Isso é um assalto. Phsuahsuashuahda. - falou bem baixinho um deles.
- Que??
- Isso é um assalto. Passa seu celular!
- Eu não tenho celular.
- Então passa seu relógio. Vai!
- Não.

É incrível como nessas horas a gente se transforma na pessoa mais corajosa do mundo. Eu falei com esses dois pivetes na maior tranquilidade, nem parecia que eles queriam me assaltar.

- Passa a bolsa então. Vai, passa!
- Eu não vou passar nada. Quer o dinheiro do ônibus?
- O dinheiro do ônibus não. Passa a bolsa ou o relógio!!!

Eu sei que eu fui uma louca-retardada-mental pra enfrentar as criaturas. Sempre que pensei em assaltos, imaginava que enfrentar os assaltantes, gritar, pedir socorro, enfim, reagir de qualquer forma que fosse seria uma ação de idiota. Mas sei lá da onde inventei de fazer isso. Após me negar a dar qualquer coisa pra eles, eu saí correndo, e agora tremia não mais de frio, mas de nervoso mesmo. Fiquei mega nervosa e peguei um taxi.

Como qualquer pessoa que passa por uma situação dessa, eu tô indignada. E pra não me estressar ou me revoltar pensando que a culpa é da falta de segurança brasileira, da nossa sociedade, da educação desse país e etc, vou culpar o meu inferno astral mesmo. É melhor assim.

sábado, 7 de agosto de 2010

O pobre domingo

Domingos estão para chatos assim como morangos estão para vermelhos. Não é novidade pra ninguém. Aliás, não se trata nem de ser novidade ou não. É informação óbvia. Domingos são chatos mesmo, a gente sabe.

Mas são chatos por que? Será por causa do Faustão e seu Domingão? Do Fantástico e sua revista digital? Ou do Gugu, o cara de pau (ou seria mentiroso?) que teve a coragem (ironia?) de chamar seu programa de Domingo Legal? Não sei. Eu defendo a tese de que há uma cultura por trás dessa ódio todo. Ou de que o domingo é só um dia que teve o azar de vir depois do sábado.

Eu odeio domingos desde que me conheço por gente. Ou melhor dizendo: desde o tempo em que eu não tinha o menor dos motivos para odiar o tal dia. Eu era criança, não tinha responsabilidade ou preocupação alguma. Às segundas-feira eu tinha escola, é claro, mas o que eu fazia lá? Brincava, cochilava, desenhava. O fato dessa rotina começar no dia seguinte não me parece motivo suficiente para odiá-lo. Mas mesmo assim eu odiava. E não era só ódio. Tinha o medo também, que aparecia sempre aos domingos à noite.

Na minha cabeça, domingos eram dias escuros (não no sentido de ser nublado. No sentido geral mesmo). Dias de de ir deitar e não conseguir dormir. Dias de me virar e revirar na cama, de ter os pensamentos mais horríveis e estranhos da semana inteira, de ouvir barulhos que não existiam - mas que só me faziam pedir para dormir logo e a segunda-feira chegar de uma vez. Domingos eram estranhos. E ainda são, mas por outros motivos.

Hoje eu os odeio por significarem o fim do final de semana, e não por serem o dia em que tenho os pensamentos mais bizarros possíveis - infelizmente hoje não há mais dia específico para tal -. Hoje eu os odeio por me acostumar a vida boa das sextas e dos sábados, e no domingo ter de voltar a pensar na realidade que começa na segunda. Hoje eu os odeio por motivos que, acredito eu, são universais. Afinal, nunca ouvi ninguém dizer que seu dia preferido é o domingo.

Se os dias da semana tivessem personalidade, tenho certeza de que o domingo seria o coitado, o azarento, o depressivo, o atrasado, aquele que perdeu a hora na hora de ser nomeado dia e acabou ficando com a última opção, a que sobrou, que é justamente aquela que nenhum outro queria ser. O domingo deu o azar de vir depois do sábado, que é o dia que todo mundo aproveita, que a maioria não tem horário fixo, que todo mundo gostaria que durasse não 24, mas pelo menos 48 horas. E além do mais, ele deu o tremendo azar de ser o dia do programa do Faustão. E do Gugu. E do Fantástico. Assim não tem nem como competir. Coitado.

Se o domingo fosse um balão, adivinha qual ele seria...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Audrey de 1954

Encontrei essa edição da revista americana LIFE durante minha viagem à Buenos Aires, em maio desse ano, e é óbvio que não pensei duas vezes antes de pagar os 60 pesos e levá-la comigo. Ela tem todo o charme de antiguidade: páginas amareladas, cheiro de livro/jornal antigo e, é claro, está quase caindo aos pedaços. Mas é LIFE, né. E é Audrey também.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A velha de 89 e os novinhos de 91

Eu sempre fico meio perturbada quando meu aniversário está próximo. Primeiro porque isso significa que estou ficando mais velha, é claro. Segundo porque as pessoas ao meu redor também, né. E quando falo pessoas ao meu redor, incluo aquelas que pra mim sempre foram "novinhas" e que hoje já não são mais. Explico.

Eu nasci em 1989, mas por fazer aniversário em agosto, acabei ficando um ano atrasada na escola (malditos colégios que fazem isso!). Por isso, sempre fui uma das mais velhas da turma. Estudar e conviver com uma galera que em sua maioria nasceu em 1990 sempre me fez pensar que: pessoas de 1989 ou 1990 = iguais a mim. Pessoas de 1991 em diante = novinhas. Então sempre foi estranho pra mim imaginar que um dia eu e essa galera de 1991 em diante teríamos a mesma faixa etária, o que é bastante óbvio, já que poucos anos nos separam. Mas enfim.

Por ter feito intercâmbio depois da escola e ter entrado na faculdade 2 anos depois do que deveria, é claro que muitos da minha turma nasceram em..adivinha: 1991. E eu acho isso muito bizarro. Me sinto velha.

Enquanto essa galera ainda nem estava nos planos de seus pais, eu já dava pinta por aí, já tinha viajado de avião, conhecido o mar, tomava mamadeira, babava, usava chupeta, entre outras coisas. Quando eles estavam na barriga de suas respectivas mães, eu já engatinhava, ensaiava os primeiros passos, comia e usava o penico. Quando eles finalmente nasceram eu já estava com quase 2 anos e em pouco tempo iria começar na escola. E hoje? Bom, estamos todos juntos.

O Justin Bieber, por exemplo. Ele tem 16 anos, nasceu em 1994. Nesse ano eu completava 5 anos de existência. Meu aniversário teve até vídeo de retrospectiva, ou seja, eu já tinha alguma história pra contar. Já sabia ler, nadar, fazia o pré e tinha vários amiguinhos. O Justin Bieber? Bom, ele ou estava na barriga da mãe, ou usava fraldas para recém-nascidos. E hoje? Hoje ele é 15 vezes mais rico do que eu.

Aí, enquanto dava umas voltas pela internet, me deparei com isso:



1996? 1996? Meu D'us, já sou uma anciã.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Podia ser melhor também

"Podia ter sido pior". Acho que todo mundo já ouviu essa frase pelo menos uma vez na vida. É natural, quando algo ruim acontece, que para amenizar um sofrimento a gente pense que na realidade ele não foi tão ruim assim. É tipo aquela história do "meu, não reclama que você tá com vontade de comer pastel de camarão. Tem gente que não tem nem o que comer".

Eu não concordo muito com essas comparações. Acho que todo mundo tem que viver seu sofrimento da maneira que ele vier, porque caso contrário, se usássemos essa mesma fórmula no quesito felicidade, não daria em nada legal. Exemplo:

- Tô muito feliz hoje! Consegui um empréstimo no banco e vou conseguir comprar um carrinho pra mim!

- Ah é? Mas você acha que isso é motivo pra estar feliz? Enquanto você comemora que conseguiu um empréstimo no banco pra comprar um carro nacional, manual e 1.0, tem muito rico por aí que nesse momento está finalizando a compra de um puta carrão e à vista! Sem empréstimo nenhum. Cai na real!

Né? Por isso que sempre que alguém não me deixa sofrer por um motivo mesmo que besta, eu penso nessa hipótese. Essa ninguém usa, né? Então por favor, pela liberdade do sofrimento! Todo mundo tem o direito de sofrer, mesmo que seja algo besta, por querer e não poder comer um pastel de camarão na hora que deseja.

domingo, 1 de agosto de 2010

Ideia boa, projeto legal (ou que atire a primeira pedra quem...)

Acho que vou começar aqui no blog uma série do tipo "quero que todo mundo conheça isso". Porque eu sempre encontro coisas por aí que me deixam empolgada a ponto de querer que o mundo também se empolgue, mas sempre acabo esquecendo ou deixando pra lá. Enfim, não sei se essa série vai rolar mesmo, mas de qualquer forma, hoje já vou publicar aqui algo que encontrei esses dias na internet e achei sensacional. Vamos lá:

Jamie Keiles [foto ao lado] é uma garota americana de 18 anos recém formada na escola e que baseando-se pelo seu presente, é fácil notar que a menina é bem esperta. Fã de revistas desde sempre, foi lendo um exemplar da Seventeen e se assustando com tantas matérias no estilo "para conquistar o garoto ideal você TEM QUE", "para arrasar no verão você TEM QUE", "para ficar na moda você TEM QUE", que a ideia de um projeto veio em sua mente. Por 30 dias ela seguiria à risca todas essas dicas (ou mandamentos, né) que a revista impõe às leitoras para então ver no que tudo isso daria.

Para documentar o projeto, ela lançou o blog The Seventeen Magazine Project, onde narrou os dias que viveu como uma fiel leitora Seventeen. Alguns dos mandamentos que Jamie seguiu foram:

- Todos os dias ela seguiria pelo menos uma dica de beleza (cabelo, maquiagem, cuidados com a pele) que a revista publica.
- Ela leria e assistiria todos os livros e filmes que a revista indica.
- Ela penduraria todos os posters dos "caras gostosos" que vem com a revista na parede de seu quarto.
- Ela seguiria todas as dietas e exercícios físicos que a revista indica.

O projeto dessa garota é mais uma crítica/argumento naquele batido assunto de que a mídia influencia as pessoas. Isso todo mundo já sabe, não é novidade pra ninguém, mas eu acho que é sempre interessante estar alerta a isso. Para os veículos sobreviverem, é claro que precisam de leitores/telespectadores. E para manter pessoas fieis a eles, é lógico que esses veículos precisam sempre estar à frente de seus consumidoress. E a "tática" deles é justamente essa: dar dicas, ajudar, ensinar coisas aos leitores para que estes sempre sintam necessidade em consumi-los.

Os veículos dirigidos aos jovens, acredito eu, sofrem mais com esse tipo de análise, já que seu público-alvo está em formação de identidade, são de certa forma mais vulneráveis e também, vamos admitir, mais influenciados. (e é lógico que o publico adulto também é, mas isso é outro caso).

Em 2006 eu escrevi uma monografia sobre a revista Capricho e posso afirmar que identifiquei muito o meu trabalho em algumas coisas que a garota americana escreveu em seu blog ou falou em algumas entrevistas que ela deu. Na minha monografia, analisei as seções de Beleza, Saúde e Comportamento de 13 edições da Capricho e embora não tenha encarnado o personagem como a Jamie fez, diria que encontramos praticamente as mesmas coisas nas publicações. Aliás, imagino que se pegarmos uma edição de cada revista dirigida às adolescentes de cada país do mundo, encontraremos mais ou menos a mesma coisa. Tendência.

Enfim, acho que vale a pena dar uma olhada no blog dessa garota. Além de ser um projeto engraçado e diferente, é também uma experiência de âmbito social que pode interessar até aqueles que não leem ou nunca leram revistas teens. Que atire a primeira pedra quem nunca quis ser ou ter algo que foi publicado em algum lugar, né.

mais: The Seventeen Magazine Project.