Atípica, difícil, chata e, desculpem o palavrão, uma merda. É mais ou menos assim que defino essa semana que, embora pra mim já tenha chegado ao fim, ainda não acabou. E graças a ela, além de uma grande dor de cabeça, sinusite, nariz sangrando e um estresse sem fim, a insônia também bateu na porta e por aqui se acomodou por quatro dias - cinco, se ela continuar hoje à noite.
Se eu não estivesse em pleno final de semestre e precisasse de cada hora do meu sono, diria que a insônia é uma experiência interessante. É incrível como durante a madrugada tudo ganha uma intensidade fora do normal, um clima meio drama europeu, uma tristeza brega e clichê. Olhar a janela depois das 3 da manhã, então, é uma cena pronta pra qualquer filme em que a mocinha da história está cheia de problemas. Porque é essa a impressão que até eu sentia ao encostar minha cabeça no vidro e olhar aquela rua vazia. Não é que eu não tenha problemas, mas também não dá pra desperdiçar todo aquele cenário da depressão e só pensar em coisas boas.
De música ambiente eu só tinha os "tac, tac, tac" que os meus relógios de pulso faziam. O barulho era tanto que até embaixo de almofada eu os coloquei. Lá fora, nem sinal de vida humana. A rua estava completamente vazia até um carro passar na contramão a mil por hora. Nos prédios, todo mundo dormia. É lógico, já eram 4 e pouco da manhã e, a não ser o Eike Batista, ninguém daqui, pelo menos que eu sabia, tem a vida ganha. Nem eu, mas a insônia me pegou, fazer o que. A sensação de estar sozinha no mundo só passou na hora que eu vi a luz de uma janela do prédio da frente acender. E era a luz do banheiro. Acontece, né.
A insônia me proporcionou ouvir até o canto de algum passarinho apressado. O relógio marcava quase 5 horas e ainda nem era momento pra cantoria, mas vai ver ele estava com insônia também e quis começar o dia logo de uma vez. Eu também queria, aliás. Quanto mais rápido os dias passarem, mais rápido essa semana, esse mês e o ano letivo acabam. Rotina cansa, e a insônia inconveniente que me apareceu também. Porque na segunda-feira ela era novidade, mas hoje nem é mais.
