sábado, 20 de agosto de 2011

Nostalgia cibernética

Ah...o Orkut. Eu me lembro bem de como levava aquela coisa a sério. Chegava da escola, almoçava e já sentava na cadeira em frente ao computador, de onde sairia horas, muitas horas depois. Fora as tarefas da escola - a maioria feita de qualquer jeito -, meus programas vespertinos se baseavam em atualizar inúmeras vezes a minha página para ver se haveria scrap novo e olhar minhas comunidades como se eu fosse outra pessoa - daí eu tentava imaginar o que os outros pensariam de mim ao vê-las no meu perfil. As comunidades, aliás, eram algo que me preocupava. Eu sempre estava mudando. Era mais ou menos assim: tinha a época em que eu entrava naquelas em que todo mundo estava, tipo a "cala boca e beija logo", "odeio acordar cedo" e por aí vai. Aí eu me enchia o saco e procurava umas mais alternativas, tipo a "lênin, de três", a de algum escritor da Europa ou de um filme cult. Teve também a época em que eu estava em várias, mais de 100. E a outra em que eu não queria passar de 20. Comunidades do Orkut definiam quem você era.

A quantidade de scraps era outra coisa que me incomodava. Deixar todos no perfil ou apagá-los conforme os lia? Eu lembro que estava na casa dos 3 mil e pouco quando resolvi apagar tudo. Me doeu o coração, mas não me arrependi, já que pensei e repensei por muitos dias até cometer o ato. Eu definitivamente estava madura para tal. Mas é claro que antes também passei pela fase da competição de scraps. Era legal quem tinha muitos. Poucos era sinal de fracasso, de gente 'podada' (quem ainda fala isso?). Foram tardes e mais tardes visitando perfis e checando quantos o povo tinha. Aí eu estipulava metas, tipo a de ultrapassar fulano. Era um alívio quando eu conseguia.

Outra competição que surgia em ares orkutianos era a de fãs. Lembro de pessoas que tinham 100, 200 fãs.  Que sonho era ter também! Eu nunca tive uma legião deles, acho que nem cheguei a 100, o que me frustrava muito. E eu não era a única, porque volta e meia ficava sabendo de gente que dizia "vira meu fã que eu também viro seu!". Por trás daquele número de estrelas havia uma corrupção básica, uma troca de favores, mas quem se importava? O importante era a quantidade, e não a qualidade.

As fotos que colocaria em minha página também me tiravam do sério, principalmente quando só era possível adicionar 12. Nossa, que terror. Eram dias e mais dias para escolher a dúzia que iria ao ar. Era ruim, mas pelo menos havia um filtro maior por parte dos usuários e só as realmente boas entravam. Hoje é foto de paisagem, de comida, de domingo no parque...

E os scraps de "me add?", "oi, estava por aí e achei seu perfil. te add", "obrigada por me add :)", ou "está add!". Esse último, aliás, eu odiava. O legal sempre foi ser adicionada, e não adicionar. Aí quando eu via um scrap desse na minha página ficava até com vergonha, porque as pessoas saberiam que eu que fui atrás de fulano, e não fulano veio atrás de mim. E quando surgiram os visitantes recentes, então? Essa com certeza foi a maior crise orkutiana de todos os tempos. Ou melhor, a maior crise das redes sociais de todos os tempos. Tudo ia muito bem até aquele maldito dia. Quem não se desesperou quando a droga dessa novidade apareceu que atire a primeira pedra. Se eu bem me lembro, mal dormi naquela noite de tanta preocupação. Fiquei a madrugada inteira tentando refazer meus passos orkutianos do dia anterior. Quem será que veria meu nome em sua página inicial? Medo.

Bons tempos de Orkut. Saudade daquela época em que tudo girava em torno dele. Tanto que, se me perguntassem qual era meu grande medo há uns 5, 6 anos, eu não demoraria para responder. É claro que a coisa que eu mais temia em vida era que o Orkut saísse do ar no dia do meu aniversário. O que poderia ser pior do que não receber, por erro técnico do site, centenas de scraps de parabéns? Acho que nada.

10 comentários:

Fabio disse...

Que me achem o mais idiota do mundo, mas prefiria e ainda prefiro o Orkut ao Facebook! Era muito mais prático, tinha toda uma vibe de "primeira rede social" e as comunidades! nao tinha lugar melhor pra fazer pesquisas e encontrar links de seriados para baixar. Saudades do Orkut. Hj eu tenho facebook, é claro, mas se o Orkut tivesse sobrevivido, com certeza não teria abandonado ele rs

Larissa F.R. disse...

Que post sensacional, eu me identifiquei muito, acredite! Você descreveu o que eu era e como eu agia há 4 anos. kkk

Tatiana disse...

Eu tbm passava minhas tardes com a cara no orkut! HAHAHAH! ê tempo bom que nao volta nunca mais... (se hj em dia eu passar a tarde olhando o facebook eu n me formo, não ganho dinheiro e morro de fome kkkk).

Larissa L. disse...

Hahahaha, adorei!
Me identifiquei muito!!
Fiquei triste quando tive que abandoná-lo pq tds os amigos tinham migrado...!
Com certeza ele foi um marcador da nossa época!!
Beijosss!

Ana Lu disse...

Sensacional, Lu! Me identifiquei muito, HAHAHA. E isso me lembrou de entrar no meu orkut e apagar mais umas 10 comunidades, um álbum de fotos, e todos os recém-scraps, que devem ser avisos luminosos de orkuteiros, ou propagandas. E eu não sei ainda porque não apaguei o orkut, gente. Meu medo é pensar que um dia estaremos dizendo isso sobre o facebook, hahahaa. Beijos!

Priscila disse...

Olá, Luiza!
Cheguei aqui através do blog da Analu.
Fico muito feliz em ver gente jovem escrevendo tão bem... Parabéns. Seu blog é lindo, e seu talento para escrita é indiscutível.
Abraço!
Priscila

del disse...

Hahahaha me identifiquei vááárias vezes no texto! Meu maior medo era que o orkut saísse do ar, no dia do meu aniversário ou em qualquer dia. Engraçado, né. Hoje, pelo menos eu, nem mexo mais nele, a não ser por conta de algum jogo ou outro.

Por isso não entendo toda essa festa com o Facebook! Pra que filme? Pra que estrevistas com o cara que criou? História mesmo é a do Orkut, poxa. Por que ignoram ele? O Orkut que inaugurou esse novo mundo de amizades!

Anna Vitória disse...

Hahahaha! Seu post ficou tão bom que me deu saudades do Orkut, veja só! Cara, quando só podia colocar 12 fotos, a escolha delas era tipo A Escolha de Sofia. Que coisa mais sofrida!
Mas nada supera a crise dos visitantes recentes. E quando a gente entrava sem querer no perfil de um carinha com nosso perfil normal (porque eu tinha um anônimo, pra stalkear todo mundo, HAHAHA) e ficava morrendo de vergonha?
Mas isso era bom porque facilitava certas coisas. Tipo, tinha felicidade maior do que quando o cara que a gente tava afim visitava nosso perfil? Eu morria, ligava pras amigas, tinha todo um significado.
Hoje meu perfil ainda existe, mas só mesmo pra eu entrar em comunidade de download de séries, coitado!
Beijo

Isadora disse...

eu acho um ABSURDO quem renega o passado de orkuteiro, sabe? tudo começou ali, onde a gente era mais sincero em 12 fotos e scraps abertos.

meu orkut ainda tá lá, intacto. claro que eu nunca mais entrei, mas penso num plano de golpe para retomar o mundo da rosquinha.

Bruna Dani disse...

hahahahahah aii Lu! me vi em cada linha!! O album com apenas 12 fotos também era meu grande problema... o pior antes de ter "atualizações recentes" avisava a todos no subnick do msn "albúm novo"!! cruuuuuuuzes! rsrsrs bons tempos!!