quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Acumuladores

Quando pequena eu podia facilmente ser uma personagem de Toy Story. Ou melhor, talvez não, porque mataria a charada dos "brinquedos vivos" logo no início. Isso porque eu sempre fui daquelas que vê sentimento em todos os objetos. Pra mim, uma caixa de fósforo, por exemplo, poderia ficar muito triste quando jogada fora, assim como algum brinquedo velho ou material escolar.

Antes que alguém queira me julgar, não, eu não tenho apego material, e por mais que visse carinhas tristes em tudo, eu não chegava ao ponto de não conseguir jogar as coisas fora (eu apenas falava mensagens otimistas, do tipo 'tudo vai dar certo', quase chorava olhando para aquilo e, enfim, me desprendia). Era tudo meio triste. Sendo assim, por mais louca que eu fosse, muita loucura ainda me distanciava de protagonizar algum episódio daquela série "Acumuladores" do Discovery Home & Health.

Pra quem não sabe, esse programa mostra pessoas excessivamente apegadas a seus bens materiais, que não jogam absolutamente nada fora, mesmo os lixos e as coisas inúteis, como uma embalagem vazia de tinta de impressora, por exemplo. Elas moram literalmente em lixões, e na maioria das vezes é complicado até caminhar entre os cômodos. Acho que toda semana, inclusive, mostram casos de ratos encontrados no meio da sala de estar, tamanha é a sujeira e a porquice dessas pessoas.


Há um tempo, lembro que vi um que me chamou bastante atenção. Deve ter sido um dos primeiros que assisti. Era uma americana, dessas bem gordas e solteironas, que guardava coisas já há uns 20 anos. Ela tinha em casa embalagens de produtos que nem eram fabricados mais. E as coisas não eram organizadas, claro. Pra se ter uma ideia, os caras do programa encontraram uma caixa de cereal vazia na gavetas de roupas dela. Nojento. Mas o que me marcou mesmo foi ela dizendo que não conseguia jogar tais coisas fora porque sentia que os objetos a viam como uma espécie de mãe. Assim como a gente, que não pede pra nascer, tais objetos também não pediram para ser comprados, e se ela o fez, ela se torna responsável por eles, não podendo abandoná-los. Não é à toa que na equipe do programa há psicólogos.

Já tem um tempo que não assisto Acumuladores - meus queridinhos no canal agora são Pequenas Misses e Não sabia que estava grávida -, mas toda essa história me veio à cabeça esse final de semana, quando comprei uns Frutillys, aquele picolé que custa R$1,00 e é feito para crianças.


Colecionar e brincar com palitos melados de sorvete. Por que será que existem acumuladores, né?

13 comentários:

Anna Vitória disse...

Eu tenho muito medo de, quando ficar mais velha, virar uma acumuladora. Sério. Não assisto esse programa porque tenho medo de verdade de acabar assim. E nem é porque eu acho que eu sentimentalizo os objetos inanimados, ou então goste de juntar embalagens ou palitos de picolé, é que eu não consigo jogar minhas coisas fora. Papéis, principalmente. Sempre penso que um dia eu posso precisar deles, que terei uns repentes nostálgicos e vou ter vontade de ver aquela prova de História de 2007, que levei 3 horas para fazer e que foi difícil pra caramba, ou aquele bilhete que ia mandar prum menino mas me acovardei... Tenho praticamente minha vida guardada em pastas e mais pastas que se acumulam na dispensa de casa, deixando minha mãe doida, e fico com muito medo de pensar em jogar fora.
Louca, né? HAHA

Amanda disse...

Também sou acumuladora, mas de vez em quando me dá uns repentes e eu termino jogando um monte de coisa fora, de uma vez só. HAHAHA
Que nem a Anna, aí em cima, também morro de medo de precisar de alguma coisa e ter jogado essa coisa fora. Mas acho normal. Sei lá.

E sou louca pra assistir esse programa mas nunca sei o horário! :/


BJS

Bárbara Ribeiro disse...

Eu estava assistindo a chamada dos "Acumuladores" no Dircovery H&H. Ele continua sendo um dos meus queridinhos do canal. É muita loucura!

Eve Fowl disse...

Me lembro de quando era criança e minha tia tinha uma coleção desses palitinhos de sorvete, meu sonho era tomar posse deles.

Aí quando fiquei mais velha, tentei começar a minha, mas não me empolguei.

Sou um pouco acumuladora mesmo, até mês passado tinha provas da 8ª série guardadas, mas minha mãe me fez o favor de me obrigar a jogar o entulho fora. Fiz com o coração partido, mas agora meu quarto está mais organizado.

del disse...

Nossa, desenterrou esse sorvete! Não o via desde criança. Poxa, eu adorava. Bateu nostalgia :(

Mas hein, essa imagem da bagunça tá me dando AFLIÇÃO! Socorro! Vontade de pegar vassoura e produtos de limpeza pra dar um jeito nisso. Em um ponto essa gorda solteirona tá certa: quando compramos algo, nos tornamos responsáveis pelo produto. Mas claro que não devemos guardar o lixo dentro de casa, né minha senhora? Mas sim reciclar, mandar direitinho e bonitinho pro lixo certo, sem prejudicar o meio ambiente blá blá blá sou sustentável mimimi. Gente, dá pena dessas pessoas. Deve ser um terror viver assim, com esse desvio mental (?)

PS: Que programa é esse tal de 'Não sabia que estava grávida'? Tem de tudo nesse mundo da tv por assinatura :'D

Gab disse...

Eu acho o máximo esse programa. Faz tempo que não vejo. Eu meio que tenho pena dessas pessoas porque elas certamente têm algum tipo de problema.
Mas confesso que eu brincava com os palitinhos de picolé e era super divertido! haha
Beijo.

Ana Lu disse...

Ei Lu! Gente, a história dessa mulher é louca, realmente, ainda bem que tem psicólogos na equipe. Eu sou apegada, assumo. Mas claro, tudo tem limite. Eu sou apegada com coisas que tem história, apelo sentimental. Por exemplo, eu fiz 4 peças. 3 delas tinham texto, e obviamente os 3 estão guardados. Mas com Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo eu despiroquei. Tenho guardada a versão do texto que eu usei pra ensaiar, cheia de rabiscos, marcações e anotações, tenho uma versão encadernada e limpinha, com capa lilás, que eu imprimi só pra guardar mesmo, depois que a peça ja tinha acabado, tenho a fita branca que eu usava pra amarrar o vestido, uma vela que era usada na cena do velório, e um véu preto que também era usado na cena do velório. Mas tudo juntinho e organizado dentro de uma caixinha, ta? Hahaha, eu fico brava da vida com a minha mãe, que não é NADA apegada. Lá em casa não tem UM desenho meu de quando era criança! E outro dia ela confessou que PERDEU uma pasta cheia de textos que eu escrevia quando tinha 7/8 anos, quase chorei quando descobri isso, eu nem sabia que essa pasta existia. Se ela achasse eu ia ter que copiar um desses textos e colocar no blog, porque né, hahaha.
Beijos Lu!!

Isadora disse...

A Discovery poderia vir fazer um especial aqui no meu quarto, viu? Se eles me achassem no meio de tanta coisa, já seria um sucesso!

Maior dúvida da minha vida: o que fazer com revistas lidas? O.o

Flanders disse...

Nossa, nunc amais vi esse picolé! Que saudade </3
Mas eu sou o oposto de acumuladora. Tudo o que eu puder jogar fora eu jogo. Aprendi a me desprender de certos materiais e até das roupas que eu gostava antes e gosto, mas que não uso.
Beeijo, Luiza.

Flá Costa * disse...

hahahahaha, me diverti! Que loucura essa do Frutilly! Nunca tinha visto - acho que no meu tempo de criança esse tipo de coisa não existia.

Mas essa coisa de guardar coisas é mesmo uma loucura. Eu vivo guardando tickets de cinema, de shows, cartas e tenho bilhetes da época do colégio todos bem armazenados em uma pasta. Bom, pelo menos eu sou uma acumuladora nível um, do tipo organizada. rs

Beijo!

sobrefatalismos disse...

Tudo o que eu posso guardar - convites para exposições, panfletos anarquistas, ingressos de cinema e/ou orquestras vai para uma caixinha decoradamente estampada, que fica ali, guardadinha no meu armário de roupas. Não acumulo lixo e/ou afins. Resquícios de minha infância? Algumas bonecas Barbie em bom estado de conservação e só. Pó.
Abraços.

Tay disse...

Eu sou acumuladora de revistas, hahaha! Mas não são taaaantas assim e estou quase me desfazendo delas.

natália das luzes disse...

esse programa é realmente assustador. ainda tem que tem psicologos, porque essas pessoas realmente têm problemas.

acho que desse mal eu nunca vou sofrer. por mais que eu também tenha dó de me desfazer das coisas, eu odeio muito ter a sensação de que o meu armário esta cheio de coisas. as vezes eu até me desfaço de coisas que um dia eu possa precisar, só pra n ão acumular :x

talvez eu tenha o problema inverso, rs.

bjim : )