quarta-feira, 23 de março de 2011

É com você, Freud

Manter o blog é um misto de obrigação e prazer. Obrigação porque sempre sou a mais chata na hora de cobrar atualizações dos outros. Acho chato entrar num site e não ver coisa nova nele, e imagino que as pessoas que entram aqui devem se decepcionar ao se deparar com um texto velho ainda no topo da página. Esse blog tá longe de ser um fenômeno, mas sei que tenho alguns leitores e a eles eu devo, no mínimo, atualizações.

O prazer vem logo em seguida. Só o fato de apertar o botãozinho de "publicar postagem" já me deixa animada. Não tenho a pretensão de ter 500 mil comentários em cada post, e por isso fico feliz quando gente legal comenta aqui. Deixando claro que quando falo "comentário", me refiro a todas as mensagens diferentes de "adorei o post, visita o meu blog depois? bjs". Porque assim, se não tem o que falar, melhor ficar calado, né. Eu mesma visito vários blogs que amo e às vezes nem comento exatamente por não ter/saber o que dizer.

Resolvi escrever sobre isso porque esses dias eu questionei a existência desse blog. Nunca pensei em deleta-lo, mas há poucos dias, num momento de tédio, entrei aqui e fiquei pensando: pra que você existe, dois ponto um?

Quando eu fiz meu primeiro blog, aos 12 anos, eu falava pra todo mundo que ele era um treino pra quando eu fosse jornalista de verdade. Naquela época, por ser bem nova e os blogs não serem tão populares, acho que me relacionava com ele de outra forma. Às vezes eu acho que me censuro demais por aqui, coisa que não fazia nove anos atrás. Eu escrevia sobre tudo que aparecia na minha cabeça, sem nem pensar que aquilo poderia ser lido por outras pessoas. Hoje não. Diversas vezes eu deixei de publicar algo pensando que poderia ser mal visto por alguém.

Na real, a relação que tenho com o blog é estranha. Eu gosto de divulgá-lo, mas ao mesmo tempo morro de vergonha quando alguém vem me falar que entrou aqui e leu o que eu escrevi. Existe alguma explicação para isso? Não sei, talvez Freud soubesse. Ou nem ele.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Boa ação musical

Existem alguns critérios para que eu simpatize com as pessoas. É claro que aqueles básicos como humor, caráter, simpatia e educação estão entre eles, mas tem outro...ahhh, tem outro que eu considero tão imporante quanto: o gosto musical.

Veja bem, não é que eu julgue as pessoas pelo que elas escutam. Muito pelo contrário. Não vou deixar de ser amiga de alguém só porque essa pessoa escuta funk e sertanejo, mas assumo que olho quem gosta das mesmas músicas, bandas e estilos que eu com olhos bem, mas bem diferentes.

Por exemplo, se alguém chegasse agora na minha frente e dissesse que gosta de Patrick Watson eu provavelmente surtaria. E digo mais: seria um surto digno de pular em cima dela e de querer levar a pessoa pra morar comigo. Encontrar algum brasileiro que também curta Patrick Watson seria como descobrir a América, e se Cristóvão Colombo ainda estivesse vivo e tivéssemos a chance de conversar sobre tais experiências, provavelmente chegaríamos a conclusão de que os sentimentos foram os mesmos.

Patrick Watson, pra quem não conhece (imagino que a maioria - ou todo mundo que ler isso), é um grupo de Montreal, no Canadá, formado por quatro pessoas. Sim, apesar do nome ser de um indivíduo - o cantor, by the way), Patrick Watson é uma banda. O estilo deles é meio alternativo, uma música não tão agitada mas também não muito lenta que faz bastante sucesso não só em seu país de origem como também na Europa.


Eu conheci a banda quando morava no Canadá, em 2008, e desde então ela tem sido a minha resposta padrão pra quando surgem aquelas perguntas básicas como "qual sua banda favorita?" E claro que na maioria das vezes - sempre, na verdade, escuto de volta granhidos como "ahn??", "Patrick quem?", mas nem ligo. Esse, assim como as baixas probabilidades de ver a banda ao vivo são alguns dos riscos que se corre ao se apaixonar perdidamente por músicas que não são muito populares.

O primeiro CD lançado deles foi Close to Paradise. É o meu favorito, aliás, porque era ele que eu ouvia durante meu intercâmbio, então além do amor pelas músicas rola toda uma questão sentimental, já que aqueles meses foram alguns dos melhores da minha vida. Quem assiste Grey's Anatomy pode ser que até conheça uma das músicas desse álbum. The Great Escape, a 11ª faixa, fez parte da trilha de um episódio da 3ª temporada, e isso super deu um up na carreira da banda.

Das 13 faixas, diria que gosto de 2, sou louca por 7 e apaixonada por 4. Cada uma tem um significado pra mim, mas essas 4....ahhh, essas 4 são demais, daquelas que posso ouvir 100 vezes seguidas e não chegar nem perto de enjoar. São elas: Giver, Man Under the Sea, Close to Paradise e Drifters. Essa última, aliás, faz parte de um comercial em Portugal muito, muito lindo.

O álbum mais recentes deles, Wooden Arms, de 2009, também é ótimo. Perde um pouco pra mim por não ter todo o contexto sentimental do primeiro - e pra piorar foi trilha sonora da época em que fiz cursinho, ou seja, nada legal - mas mesmo assim a qualidade das músicas se manteve. As minhas favoritas são Man Like You, Big Bird in a Small Cage e Travelling Salesman.

Acho que o legal de Patrick Watson é o som diferente que eles fazem. Dá pra sentir que as músicas e os ritmos não são simplesmente criados, compostos, mas sim pensados até o último momento. Há de se respeitar uma banda que use megafones, violinos e até batuques no chão pra fazer música. E tudo isso fica maravilhoso, diga-se de passagem. Imagino que quem goste de Damien Rice, por exemplo, vá curtir a banda, já que o som do Damien também tem essa energia diferente.

Não é por nada não, mas você que tá lendo esse post agora deveria se sentir lisonjeado por estar tão perto de conhecer uma das melhores bandas existentes na face da Terra. Fica a dica.




domingo, 13 de março de 2011

Sinatra, Frank Sinatra

Errou quem pensou que esse post seria sobre o cantor. Ou sobre Jazz. Além de ter Frank Sinatra no meu Ipod, eu tenho um em casa também. E é esse aí do lado.

O Frank (ou Fran, ou FranFran - chamá-lo pelo nome e sobrenome toda hora é meio complicado) chegou em casa dois dias depois que o meu amado Nickão partiu. Louca por cachorros do jeito que sou, não conseguiria viver mais sem um andando pra lá e pra cá dentro de casa, então foi assim mesmo, rápido.

O Nick foi comprado no Encrenquinha's, um pet shop + veterinário + hotel fazenda + canil aqui de São Paulo. Como ele é bem conhecido e bom, resolvemos passar lá pra dar uma olhada nos filhotinhos que estavam a disposição. A ideia era ou pegar um da mesma raça, maltês, ou de outra, como yorkshire. Eu já tive um yorkshire antes e a experiência não foi das melhores. Ele era meio agitado demais, não se comportava muito bem, então maltês estava melhor cotado na nossa cabeça. O problema é que maltês lembraria muito o Nickão, né, mas enfim, fomos lá ver o que iria rolar.

Mesmo louca por cachorros, eu estava meio indecisa. Na minha cabeça pegar outro tão cedo seria de certa forma uma traição, e eu já estava me culpando só por pensar na hipótese. Normalmente eu enlouqueço quando passo em frente a um pet shop com filhotes na vitrine, mas dessa vez não foi o que aconteceu.

Quando cheguei ao Encrenquinha's, os cachorrinhos tinham acabado de chegar de Atibaia, cidade onde fica o canil e o hotel deles, afinal, era segunda-feira pós Natal e a loja tinha fechado. Perguntei, então, se eles tinham malteses - torcendo um pouco pro cara dizer que não, mas eles tinham, sim, e o cara foi buscar. Cinco minutos depois ele apareceu com dois, um em cada mão. Eles eram irmãos, embora um fosse um pouquinho menor que o outro (esse puxou ao pai, que tinha pouco mais de 1kg). Peguei o menorzinho no colo e ele só tremia. O outro, que a essa altura estava no colo da minha mãe, era super carinhoso e só queria lamber. O maiorzinho vencia pela simpatia, o outro, pelo tamanho. Eu, a dois dias da perda do meu Nickão, ainda estava meio anestesiada, então nem conseguia me apegar a nenhum daqueles dois. Coloquei o pequeno na vitrine e ele saiu correndo pra brincar com os outros filhotes que já estavam lá. Nem parecia aquele que só tremia 2 minutos antes. O irmão, no entanto, continuava no colo, agora no meu, e ainda só queria brincar e lamber. Sabe aquela história de que não é a gente que escolhe os cachorros, mas sim eles que nos escolhem? Então.

Mesmo com aquele pé atrás causado pela sentimento de culpa por comprar outro, aquele filhote carinhoso me ganhou. Menos de 1 hora depois ele já estava aqui em casa, latindo quando olhava pra TV, correndo pelos cômodos como quem quer conhecer tudo de uma só vez e brincando com os mil brinquedos que ele já tinha ganho. Frank é um filhote realmente engraçado. Não pode ver a Claudia Raia na TV que já grita - ele é autêntico, não gosta dela. Não pode me ver tocar violão também, mas quanto a isso eu prefiro pensar que é o instrumento que lhe incomoda, e não o jeito como eu toco.

No começo foi difícil fazê-lo usar coleira, ele simplesmente deitava quando a colocávamos nele. Hoje ele já aceita, o problema agora é levá-lo na rua. Como qualquer filhote, ele quer brincar com tudo e todos. Uma planta cai e rola pelo chão, pronto, lá vai Frank correr atrás dela. Um pessoa passa perto dele, pronto, lá está Frank pedindo carinho. Em casa o pique continua. Ele corre pra lá e pra cá, pede pra jogarmos a bolinha, late quando escuta algum barulho diferente e adora brincar com Havaianas - ele tem um par, inclusive.

De resto, pra minha sorte, ele é mega comportado. Até esperava que ele comesse algum sapato meu, estragasse alguma coisa da casa, mas até agora nada (bate na madeira). A única coisa que poderia incomodar, na verdade, é que ele atribuiu para si a função de minha sombra. Onde eu vou ele vai, se eu fecho uma porta na cara dele ele chora, se eu não dou atenção ele me puxa até eu vê-lo. Mas é claro que eu amo isso e espero que essa carência não faça parte apenas da infância.

Eu, que achava que nunca teria outro cachorro fofo como o Nick, vejo que estava errada. É claro que não dá nem pra comparar um ao outro, são sentimentos completamente diferentes, mas posso dizer que com essas bolinhas de pêlo eu tenho sorte.

sábado, 12 de março de 2011

Os últimos vistos

Tenho sentido uma vontade louca ultimamente de assistir filmes, então minha listinha dos assistidos de 2011 tem crescido cada vez mais. Como seria meio impossível falar de todos, aqui vão os 7 últimos que eu vi. 

Bruna Surfistinha:


Achei Bruna Surfistinha chato. O filme é parado, cansativo e, se não fosse a trilha sonora (Radiohead <3), daria 0 estrelas pra ele. Não sei se eu fui com muitas expectativas, já que algumas pessoas tinham elogiado o filme pra mim, só sei que não gostei. Principalmente de como ele acaba. Enfim = ★★

Uma Manhã Gloriosa:

Fazia tempo que não assistia comédias românticas americanas e estava super sedenta por algum desse gênero. Uma Manhã Gloriosa é bem simpático e previsível, mas mesmo assim divertido. E tem um elenco ótimo, como Harrison Ford e Diane Keaton (acho ela ótima). A história acontece nos bastidores de um programa de TV, então quem curte essas coisas provavelmente vai gostar de gastar um pouco mais de 1 hora vendo o filme. ★★

New York, I Love You:


Amei. Simples assim. New York, I Love You mostra as várias facetas da cidade a partir de vários curtas. O meu favorito é o que o Orlando Bloom atua, mas gostei bastante do dirigido pela Natalie Portman também. Aliás, em um ela faz o papel de uma judia religiosa. Engraçado, porque descobri que ela é judia na vida real apenas na semana em que aquela história do Galliano explodiu, e na seguinte soube que além de judia, ela nasceu em Israel. O próximo passo é descobrir que somos primas (haha). Enfim, voltando ao assunto do filme: gostei demais! Estou louca agora pra ver Paris, Je T'Aime, que segue a mesma linha, só que na capital francesa. ★★★★/2

Catfish:


Senscional! Catfish é um documentário sobre a relação de Nev, um jovem fotógrafo de Nova York, com a família de Abby, uma menina de 8 anos do Michigan que pinta quadros e faz a pintura de uma foto de Nev que havia sido publicada num jornal. O relacionamento entre eles acontece praticamente inteiro online (via facebook e email), e o documentário mostra a que estamos expostos quando mantemos contatos assim. Catfish é surpreendente e até meio perturbador. Talvez seja o filme que melhor mostra o impacto da internet nas pessoas. Recomendo a todos que assistiram A Rede Social. É, digamos assim, o outro lado da moeda. Muito bom! ★★★★

Amor e Outras Drogas:


Continuando a minha vontade por comédias românticas, assisti Amor e Outras Drogas. Hmm, achei legal, nada mais além disso. Gosto dos dois atores, acho que só pela presença de ambos o filme já ganhou bastante. O enredo é interessante (uma jovem com Parkinson), até tem momentos engraçadinhos, mas sei lá...Ouvi falarem tão bem dele que talvez tenha ido com muita sede ao pote. Não me surpreendeu, achei demais água com açúcar. ★★

O Primeiro Dia do Resto de Sua Vida:


Ahh, os filmes franceses...Normalmente eles já me ganham só pelo idioma lindo e pela paisagem francesa. O Primeio Dia do Resto de Sua Vida conta a história de uma família em diversos anos. É bem interessante. Embora não o tenha amado, não me arrependo de tê-lo visto. Dei a ele 3 estrelas e meia porque tiveram partes meio cansativas, mas a história em si é bem bacana. ★★★/2

Esposa de Mentirinha:


Típico filme Jennifer Aniston e Adam Sandler. Esposa de Mentirinha é bem engraçado, bobinho, previsível e bem sessão da tarde, mas eu adorei. Os dois atores estão ótimos, e até deu pra identificar um pouco da Rachel (Friends) na história. Ou melhor, tem alguma atuação da Jennifer que não é um pouquinho que seja influenciada pela Rachel? Acho que não. Vale o ingresso. ★★

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dos males o menor

Devia existir um jogo de tabuleiro chamado "Morando em São Paulo". Nele, cada participante (ou morador, no caso), avançaria as casas conforme voltasse ileso para casa depois de um dia de trabalho, estudo, passeio. Então assim: saiu e não sofreu tentativa de assalto: avance duas casas. Saiu e não foi assaltado: avance três. Saiu e não apontaram uma arma na sua cara: avance quatro casas. Saiu e voltou vivo e sem nenhuma história do tipo pra contar: parabéns, você é o vencedor (mas desta fase, não do jogo, afinal nunca sabemos o dia de amanhã...)

Eu, neurótica do jeito que sou, provavelmente nem jogaria esse jogo se este fosse opcional. Eu adoro São Paulo, isso não é novidade pra ninguém, mas tenho medo sim de morar aqui. Acho muito triste viver num lugar onde você não se sente seguro, onde você precisa andar escondendo tudo que tem, onde não pode sair depois de algum horário, enfim, onde tem que se privar de várias coisas simplesmente para sobreviver.

Em agosto do ano passado, até escrevi sobre isso no blog, sofri minha primeira tentativa de assalto. Eu esperava pra atravessar a rua logo após sair da faculdade quando dois pivetes chegaram pedindo a bolsa e o relógio. Por sorte eu consegui me safar - num ato de loucura, confesso -, mas o trauma do ocorrido ainda não saiu de mim. Desde então, o ser neurótico que já existia aqui se tornou ainda pior. Por algumas semanas eu senti medo de qualquer estranho que parasse perto de mim. Mudei meu trajeto, evitei ficar parada na rua sozinha e já me tremia só de ver alguém se aproximando.

Com o tempo, é claro, isso foi passando, afinal, morar em São Paulo é conviver com isso diariamente. Ou você se acostuma ou você se...acostuma. Desde então já estava me considerando uma pessoa de muita sorte. Foram 7 meses e 1 dia sem nenhuma história dessas pra contar. Até hoje.

Assim como no episódio anterior, eu estava voltando da faculdade, só que desta vez de carro. Tinha acabado de sair do estacionamento e estava parada num farol na rua da Consolação. Pra quem não conhece, a rua da Consolação é praticamente uma avenida. São três faixas para carros e uma para ônibus e taxi. Eu sempre fico na faixa ao lado da de ônibus, porque em determinado momento eu tenho que virar em outra rua e essa é a que mais me facilita para tal. Porém, ficar ao lado de vários ônibus não é uma tarefa muito fácil. Eles são grandes, muito grandes, e eu e meu carro somos quase um pontinho, uma sujeirinha perto deles. Sendo assim, eu sempre fico preocupada porque às vezes os ônibus meio que invadem a faixa que eu uso e eu tenho que ficar ligada pra eles não baterem em mim. Em outras palavras: a Consolação me deixa tensa e eu sempre tenho que me concentrar quando estou por lá.

E era assim que eu estava no fatídico momento. O sinal estava fechado, mas eu estava bem concentrada em sair logo dali. Não demorou para o sinal ficar verde e eu começar a acelerar. Como o trânsito no final do dia não é pouco, havia alguns vários carros e motos na minha frente, então quando o farol abriu a velocidade de todos era lenta. Coloquei o pé na embreagem, mudei a marcha, acelerei mais um pouco o carro e TUMMMMM.

Não, eu não bati o carro. Não, nenhum carro bateu em mim. O que aconteceu foi que simplesmente um mendigo provavelmente fora de si (dorgas, manolo) sentiu vontade de exercitar a mão e deu um murro na minha porta traseira. Só isso. O cara, além de estar atravessando a rua com o sinal aberto, quis dar uma de rebelde e esmurrou o meu pobre carro.

[quando o cara começou a atravessar a rua em meio aos carros em movimento eu já achei estranho. Também tinha achado estranho o fato dele estar meio que me encarando, e isso me assustou um pouco. Mas como o farol já tinha aberto, era só andar para sair dali. Nunca que eu ia imaginar que aquele FDP (sorry pelas palavras) faria isso].

Na hora eu saí de mim. O barulho foi absurdamente assustador. De primeira eu não entendi o que havia acontecido e continuei - não sei como - a dirigir. Um motoqueiro que estava na minha frente na hora também se assustou, e mesmo os dois dirigindo, por meio de mímica ele me falou que o cara tinha feito um belo estrago. Coitado, ele estava com as melhores das intenções, mas as caras que fazia quando olhava pra minha porta surrada me deixavam ainda mais nervosa. Como estava em movimento, eu não tinha como saber o que exatamente tinha acontecido, então me desesperei.

Eu tremia feito uma retardada. Minha vontade era parar o carro em qualquer lugar, mas na Consolação isso seria impossível. Na real nem sei como saí de lá. Eu tremia e chorava e nem me pergunte como o volante me trouxe até em casa. Eu não sei. Além de ter sido uma violência extremamente gratuita, o barulho do cara socando meu carro foi muito assustador. Na hora eu não sabia o que estava acontecendo, só sabia que eu não tinha batido em nenhum carro e que nenhum tinha batido em mim. Então o que poderia ser?

Cheguei em casa desnorteada. Eu sinceramente preferia que aquela porta amassada que agora tenho no meu carro tivesse sido causada por mim. Ou então por outro motorista. É foda viver num lugar onde você está sujeito até a porradas a troco de nada. Óbvio, foi no carro, menos mal. Mas a mulher que estava no carro ao lado do meu estava com os vidros abertos. Se ela estivesse na minha faixa, talvez o cara esmurrasse a cara dela, por que não? Dos males o menor...dos males o menor.

E é com essa consciência (dos males o menor) que a gente sobrevive. Semana retrasada um aluno da FGV foi brutalmente assassinado e seu amigo levou sei lá quantos tiros. Semana passada foi um da ESPM que morreu numa tentativa de assalto - e sem reagir, contam as testemunhas - bem perto da faculdade. Lógico, não vou nem comparar esses dois episódios com o que aconteceu comigo hoje, mas é foda aceitar que coisas como essas aconteçam.

A fase final do jogo "Morando em São Paulo" provavelmente seria essa: Você venceu. Pode estar sem seu celular, sem seu carro, com o trauma de um assalto, com a imagem de uma arma na sua cabeça, mas não tem problema. Dos males, o menor. Parabéns.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mordendo a língua

Há mais ou menos 1 ano, assim que a Apple lançou o iPad, eu fiz um post falando que pela primeira vez em muito tempo um lançamento de Steve Jobs não me encantava. Era o primeiro produto da maçã que não aparecia nos meus sonhos e nem me fazia quebrar a cabeça pensando em como consegui-lo, e eu nunca havia imaginado que um dia isso pudesse acontecer.

As razões para tal eram inúmeras. Primeiro porque eu já tinha um iPhone e o iPad nada mais parecia que um iPhone de Itú. Segundo porque toda aquela história de ler livros digitais não me apetece; e terceiro porque não achei o aparelho prático e móvel. Afinal, sair com um desse nas mãos aqui no Brasil é um pedido de assalto descarado.

Alguns meses depois, tive meu primeiro contato ao vivo com um iPad. O legal desses momentos é sempre a novidade. Fuçar no aparelho, apertar em todos os botões, procurar todas as suas funções, enfim, virar o bicho de ponta cabeça. Isso foi sempre o que eu fiz quando ganhava um Ipod ou quando comprei meu MacBook (sim, eu sou dependente da Apple, fazer o que), mas com o iPad isso não rolou pra mim. Como já disse, ele é igual ao iPhone, ou seja, além do tamanho - e o fato de não fazer ligações e não ter câmera - não havia nenhuma novidade. Isso já me brochou um pouco, mas confesso que minha opinião quanto a ele começou a mudar de leve naquele dia. Digamos que eu uso todas as funções do celular, como entrar em sites e responder emails, então não seria nada mal ter praticamente o mesmo aparelho, só que em tamanho maior, né.

E assim comecei a me converter.

Conforme o tempo foi passando, cada vez mais aplicativos foram lançados, a imprensa começou a integrar totalmente a essa nova possibilidade de leitura e o iPad foi se tornando mais popular, o que deixa a coisa toda ainda mais legal. Confesso que não estava sofrendo para tê-lo, mas a vontade de um dia, quem sabe, ter um a minha disposição crescia cada dia mais, até que semana passada minha mãe ganhou um e, bem, ele veio morar a um quarto de distância de mim.

Agora que tive mais tempo para conhecê-lo de verdade, posso soltar o que acho, e como eu já imaginava, o lance do iPad é realmente a leitura. Mas não a de livros (pelo menos pra mim, porque não consigo ver a menor graça em trocar os livros de papel por um aparelho digital). Me refiro a leitura de sites, notícias, revistas, jornais. O iPad não passa de uma versão mais prática do laptop, e isso é ótimo para aqueles momentos em que dá a maior preguiça de ligar o computador ou quando você só quer ler algo rapidinho. Diria que o diferencial do iPad está nos aplicativos, e com isso quero dizer que se as empresas, editoras e etc não tivessem topado entrar nessa onda, talvez ele já não estivesse mais entre nós.

Nesses poucos dias que tive com ele, baixei alguns aplicativos que me deixaram bastante empolgada. O primeiro foi o da revista Nylon, uma das minhas revistas importadas favoritas. Diferente da versão pra iPhone, o aplicativo para iPad traz a edição da revista completa e digitalizada, mas para ter acesso a ela, é claro, tem que abrir o bolso. Como eu já sou praticamente assaltada toda vez que compro a publicação no Brasil (que chega a custar R$30,00 em algumas bancas), resolvi assinar a Nylon por um ano pelo iPad. Para ter essas 12 edições no aparelho, desembolsei $9,99. Ou seja, tô no lucro.



Lógico que a partir do momento em que a mídia muda, a leitura também. Não tem mais aquele lance das páginas, do papel, mas ler a revista pelo aparelho também não é nada mal. E tem seus diferenciais, como o de clicar em alguma roupa e um ícone com o preço da peça aparecer. É tudo muito bem feito.

Outro aplicativo que eu baixei é o da Folha de São Paulo. O site da Folha é a minha home page, então eu sempre acabo melhor informada por ele do que pelo Estadão, jornal que assino. O legal do aplicativo é que nele dá pra ler tanto a versão online, como a impressa. Basta baixá-la.



Achei sensacional essa possibilidade de ler a edição impressa da Folha pelo iPad, e espero do fundo do meu coração que eles não comecem a cobrar por isso - embora eu já tenha lido que essa brincadeira é por tempo limitado :(

Enfim, achei o iPad muito válido. Por mais que eu tenha dito ano passado que eu nunca trocaria uma versão de papel por algo digital, confesso aqui que já começo a repensar. Em relação a livros eu continuo com ideia de que não há aparelho que substitua, mas já com as revistas e jornais...hmm...não sei não. É claro que o iPad anula aquele charme de abrir o jornal, ficar com os dedos sujos do papel, poder dobrar, desdobrar, e o mesmo acontece com as revistas, mas não o condeno. As coisas estão mudando e se a gente não se adaptar, bom, azar o nosso, né. O fato de agora eu ter um iPad a disposição não vai me fazer parar de ler as mídias tradicionais, mas também não me sinto mal em ler o jornal pelo aparelho e deixar a versão impressa parada ali na mesa. Mordi a língua mesmo.

p.s. - bom, o Steve Jobs não perde tempo e já lançou o iPad 2. Assim como aconteceu ano passado, não delirei para tê-lo, mas como eu sei que isso não significa nada, nem vou falar que não gostaria de ter um aqui em casa também :P

domingo, 6 de março de 2011

Acontece no supermercado

Quando pequena eu adorava ir ao supermercado. Fazer compra do mês era um programa digno de me deixar ansiosa e impaciente. Só de me imaginar pegando um carrinho pequeno e me perdendo nas prateleiras de balas, chocolates e danones, eu já ficava toda feliz. Garrafinhas de Guaraná Caçulinha e pacotes e mais pacotes de biscoito Fofy eram sempre os primeiros que eu pegava, e depois só ficava passeando pelo estabelecimento me sentindo a própria dona de casa.

Como eu não tinha a menor noção do que engordava ou não, e lógico, nem precisava me preocupar com isso, ir ao supermercado era como ir a uma loja de brinquedos. Nada ali me trazia preocupação, tudo que dava vontade eu pegava e já me imaginava sentada no sofá de casa me empanturrando com tanto porcaria. Mas aí, como a gente cresce e com isso descobre as calorias, preços, e que a fila pra pagar é muito chata, ir ao supermercado foi desaparecendo da minha lista de passeios favoritos, até que, aos poucos, apareceu no meu Top 5 "lugares que eu odeio ir". A situação se inverteu totalmente.

Eu já não achava a menor graça em empurrar os tais carrinhos, ficar pedindo licença toda hora pra passar, olhar as prateleiras de cima a baixo procurando algum produto, checar a validade dos alimentos e, é claro, ficar horas na fila pra depois ainda ter que fazer o super exercício de carregar mil sacolas pesadas na mão. Argh. Ir ao supermercado virou, então, um programa meio raro, que só acontece por algum motivo, tipo quando vou ficar em casa sozinha e preciso de companhias calóricas, quando quero comprar algo que só tem lá ou quando é férias/feriado e eu sei que vou ficar muito tempo em casa.

Bom, véspera de Carnaval, chuva, friozinho em São Paulo, senti que era momento de me aventurar por entre as prateleiras de um hipermercado. Lá fui eu pro Carrefour.

Normalmente eu tento ir ao super com uma listinha mental do que eu preciso/quero comprar. Às vezes eu até consigo segui-la e/ou não fugir muito do que já tinha me proposto, mas quando o supermercado é gigante, isso se torna meio impossível. Aí é aquela situação: você vai pegar um saco de pão de forma integral, passa por vários bolos - que você com certeza não precisaria - e pega um de chocolate. Você vai pegar um pacote de Trakinas (pra caso você tenha insônia alguma noite e fique com fome) e sai de lá com dois sacos de balas jujubas também.

Como a vida não é feita só de doces, você procura a parte de congelados e pega umas pizzas, uma caixa de nuggets. Já está saindo desse corredor quando olha pra frente e vê geladeiras lotadas de sorvetes. Você pega um de flocos, afinal, você precisa de sobremesa, né? Coloca ele no carrinho e segue seu rumo até que vê potes de marshmallow, farofa e calda de chocolate. Precisa levar, né? Vai comer sorvete de flocos puro? Claro que não.

E assim vai, até que chega a hora de pagar e você se toca que acabou levando mais coisas que não precisava do que aquelas que você realmente já tinha pensado em comprar. Aí você chega em casa, guarda todas no armário e vai ver um filme. Enquanto a história acontece na TV na sua frente, você começa a pensar nas coisas que comprou. Nem está com fome, mas vai que tenha algo que combine bastante com o filme? Lá vai você pausar o DVD e correr pra cozinha. Abre o armário, olha a geladeira, relembra o que comprou e pega um saco de bolachas. Você nem está com fome, mas com tanta coisa ali, precisa comer algo, né?

E é mais ou menos assim que me encontro no momento. Acompanhada de vários tipos de guloseimas, muitas vezes sem fome mas na maior parte do tempo me sentindo na obrigação de comer um pouco de cada coisa que eu comprei. Esse Carnaval está sendo bem light.

E viva a batata Pringles, as bisnaguinhas com Nutella, os nuggets da Sadia, o ketchup Heinz, as bolachas Trakinas! Um viva também às barrinhas de cereal Trio, porque em meio a tamanha insanidade, sempre sobra um pouco de consciência. Ou cara de pau.

terça-feira, 1 de março de 2011

Revistas importadas


Graças à minha mãe, que sempre me levou a bancas de jornal desde que eu era bem pequena, cultivei o bendito vício de gostar de comprar revistas. Tenho lembranças da gente saindo de carro tarde da noite atrás de bancas abertas e eu voltando cheia de gibis da Turma da Mônica. Eu era tão viciada que olhava as capas e já sabia quais eu já tinha lido ou não. Pra mim, revistas eram os gibis, até que um dia, enquanto a minha mãe olhava as revistas femininas, eu achei uma da Barbie e soltei um "você acha que revistas são só para adultos? Crianças também têm!". Acho que essa foi a minha primeira revista "de verdade", embora eu nem lembre do que ela se tratava. Depois comecei a ler a Veja Kids (quem lembra??), as revistas teen e, enfim, estava habituada a esse mundinho.

Hoje, váários anos depois, eu ainda curto bastante frequentar bancas, principalmente aquelas que vendem revistas importadas também. O grande problema disso, e acho que todo mundo concorda, é o preço abusivo que cobram pelas tais gringas aqui no Brasil. Tem revistas que lá foram custam por volta de 3, 4 dólares e que aqui chegam a 25, 30 reais. É o atestado de burrice que assinamos, mas fazer o que, né.

Por isso, sempre que viajo eu gosto de comprar revistas do país em que estou. É uma forma não só de gastar menos mas também de conhecer publicações importadas - e que muitas vezes servem de inspiração para as editoras brasileiras. Como seria muito batido falar das revistas americanas, que hoje encontramos em vários lugares aqui no Brasil, vou mostras algumas revistas mais "locais" que encontrei durante algumas viagens.


Essa Rolling Stone eu comprei em Lima, no Peru, em 2008. Não tenho 100% de certeza, mas acredito que a RS que é publicada lá é a mesma que também sai em outros países, como Colômbia, Venezuela, enfim, em outros da América Latina.



No geral, ela é basicamente igual a original (dos EUA), que também é igual a nossa RS. Todas mantém a mesma linha editorial e modelo gráfico.


Bom, ganha um doce quem souber o nome dessa revista! Como dá pra imaginar, essa eu trouxe de Israel ano passado e não posso falar muita coisa além de que ela é sobre entretenimento e...bom, é tudo que eu consigo decifrar. Meu conhecimento da língua hebraica não vai muito além do alfabeto e de alguns palavrões, então fica meio difícil entender a revista. Mas tem figuras, né?






O foco da revista é cinema, música, TV e, como dá pra notar pelas imagens, os israelenses escutam e assistem as mesmas coisas que o resto do mundo. Quem pensa que Israel é um país alienado já pode mudar de idéia.


Eu trouxe a What If? e a Faze do Canadá, em 2008. Ambas são revistas meio independentes e que eu saiba não são muito populares. Nem sei se elas aindem existem, pra falar a verdade.



A primeira é mais voltada a textos de adolescentes canadenses, e a segunda é basicamente uma Seventeen wannabe, porém mais politizada.


Minha mãe voltou domingo do Chile e trouxe vááárias revistas de lá. Desde negócios e variedades a moda, comportamento e saúde.



Eu nem imaginava que a americana Seventeen tem edições em outros países. Ou melhor, pelo menos no Chile ela tem, não sei de outros lugares. Chega a ser engraçado como adolescente é igual em todo lugar do mundo. Rola até um dejavu ao ler os veículos dirigidos a esse público, e pelo visto não importa o país.





Cosas, a revista abaixo, é a Caras de lá. Pelo menos segue uma linha muito parecida. Muitos famosos, muitas casas de artistas, festas, enfim, todo aquele papo que a gente tem aqui também.



E pra fechar, algumas revistas de economia e negócios. Essas seriam mais ou menos a nossa Exame, ou seja, são bem voltadas ao pessoal que se interessa pelo assunto e/ou são da área.


Eu espero do fundo do meu coração fazer um post em breve sobre revistas da Europa. Não seria nada mal ter em casa algumas publicações locais da França, Itália ou Inglaterra. E de preferência compradas por mim pessoalmente, é claro. ;P