sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Hipocrisia Real dos Plebeus Invejosos

Normalmente às sextas o despertador toca às 6h30 da manhã. Eu acordo, penso por uns 30 segundos se posso ignorá-lo e ficar deitada, percebo que não, enrolo uns 10 minutos na cama, me levanto com aquela baita preguiça, faço todo aquele ritual matutino e saio de casa às 7h20 com direção à faculdade. Hoje, porém, foi diferente.

Depois de pouco menos de 4 horas de sono, às 5h eu já estava de pé. E com toda empolgação. Ao invés de levantar pra me arrumar, o trajeto de hoje era da minha cama direto para o sofá da sala, e do sofá para a mesa do café da manhã. Tudo por que? Por que? Para assistir o casamento do Príncipe William com a Kate Middleton, ÓBVIO (e não tenho a mínima vergonha de admitir que já estava planejando o dia de hoje desde a semana passada). A ideia de não assistir ao casamento ao vivo nem passou pela minha cabeça. Porque sério, quantas vezes por mês, por ano, por década a gente tem um evento desse porte acontecendo? 


Cara, um casamento Real é um CASAMENTO REAL! Não é todo dia que vemos um Príncipe casando, e esse é o típico evento que nós, pobres plebeus moradores de um país não monárquico, nunca presenciaremos por perto. É a materialização de todos os contos de fadas, é uma realidade completamente distante, e por que não acompanha-la? Ou pelo menos sentir vontade de ver tudinho, desde a chegada dos convidados até o beijo dos noivos na sacada, mesmo que não ao vivo? Sério, não tem motivo pra isso. No entanto, uma galera tem.

Hoje, quem entrasse no Twitter ou no Facebook veria dois tipos de mensagens: as das pessoas encantadas com o evento, comentando os vestidos, a cerimônia, os convidados; e as da galera que simplesmente acha um absurdo pessoas que não possuem nenhum vínculo com a Realeza Britânica perderem seu tempo assistindo o casamento de um príncipe X com uma plebeia Y.

Desde que me conheço por gente, lembro de ver na TV inúmeras vezes cenas do casamento da Lady Di com o Príncipe Charles. E olha que o tal matrimônio aconteceu 8 anos antes de eu nascer. Realmente, eu não tenho nenhuma relação com eles e o fato deles se casarem não possui impacto algum na minha vida. No entanto, eles fazem parte do mundo, e se isso não fosse relevante para a história, eu simplesmente não teria visto, involuntariamente, cenas de um casamento que aconteceu muito antes de eu pensar em virar um espermatozoide campeão. E o mesmo vai acontecer com o casamento de hoje. 

Não tenho dúvidas de que chegarão aos meus filhos cenas do Príncipe William chegando à Abadia de Westminster, assim como da Rainha Elizabeth entrando toda pomposa com sua roupa amarela pra ver o casamento do neto. Tenho certeza que se falará da tal primeira plebeia a entrar pra Família Real - com chances de se tornar mulher do Rei da Inglaterra - ainda por muito tempo, ou seja, é perder tempo ver um evento histórico como esse que ainda vai repercutir por muitos e muitos anos?

A verdade é que o ser humano tem tendência a gostar de tragédias, e não de histórias felizes. Se fosse um atentado terrorista, todo mundo iria assistir - e mais, condenaria quem disesse que "não perde tempo" vendo algo como aquilo. Porque coisa ruim a gente tem que ver, né? Agora dar um tempinho para desgraças e morrer de inveja com a superprodução de um casamento real é ridíciulo, certo?

Perdi a conta de quantas mensagens hipócritas eu li na internet hoje. Desde "se todo brasileiro desse valor aos problemas do país como dá a um casamento real britânico, o Brasil seria muito melhor" a "com tanta gente passando fome, vocês aí vendo um principezinho casando? Me poupe!". 

Agora eu fico pensando...esses pseudo-patriotas enchem a boca pra falar coisas como essas, mas também não tiram a bunda da cadeira pra fazer nada que não envolva o próprio umbigo. Ou o país só é responsabilidade de quem estava assistindo o casamento real? 

Então assim, ao invés de perder tempo twittando que o país é uma merda por causa de gente como eu, que assistiu - junto com milhares de pessoas ao redor do mundo - o Príncipe William casando, por que essas pessoas não sairam do computador e foram fazer algo realmente útil? Vão achar a cura da Aids, vão erradicar a fome do sertão nordestino, vão lá inspecionar se não estão roubando nada em Brasília! Oras, façam algo útil e não fiquem reclamando no Twitter! tsc tsc tsc....

O pessoal gosta de rotina, né? Gosta de só ver notícias cotidianas no jornal, de ver a programação normal na TV, de falar sobre o tempo - vai chover? - com a pessoa do lado, de viver um dia igual ao outro e assim por diante. Não dá pra entender. A única saída é tentar acreditar que esse bando de hipócritas não teve o menor interesse em ver pelo menos o compacto dos melhores momentos do casamento de hoje. É que o legal é twittar sobre literatura russa, economia americana, coisas intelectualmente úteis, sabe? 

Pra vocês que "não aguentam mais ouvir sobre esse casamento - ai, que chato!" ou que acham que "já deu de Príncipe William e Kate Middleton": me poupem, vai. 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dois mil e seis

Eu acho que deveria ser obrigatório que todo mundo fizesse, a cada final de ano, sua trilha sonora dos últimos 365 dias. Assim como as OST dos filmes, por exemplo.

Uma das vantagens mais incríveis da música é a de conseguir nos teletransportar para momentos importantes de nossa vida no passado, seja ele distante ou não. Porque todo mundo, todo mundo mesmo, tem uma música que lembre as férias tal, o feriado tal, o final do ano, o terceiro colegial, a oitava série, e por aí vai, e é uma pena esquecer delas conforme o tempo vai passando.

Pensando nisso, num momento de nostalgia total, resolvi relembrar as músicas que ouvia num dos anos mais sensacionais da minha vida: 2006. Se eu pudesse voltar no tempo pelo menos por alguns segundos, com certeza escolheria dar uma passadinha pelo meu segundo colegial, meus 16 anos, pela Copa da Alemanha, pelo sufoco da monografia, pela Galera Capricho, pela MOSTRATEC no Rio Grande do Sul, pelas férias de julho e até pela possibilidade - não concretizada, ufa - da recuperação de geometria.

                                    

Cadê esses nerds que inventam de tudo, passando pelas coisas mais bizarras e inúteis, mas se esquecem da máquina do tempo?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Inveja literária

(esse post foi escrito em agosto do ano passado e sabe-se lá por que não foi publicado)

Semana passada as aulas infelizmente voltaram e alguns professores já soltaram a listinha dos livros que é preciso comprar para esse semestre. Quando entrei na faculdade, fiz questão de comprar todos assim que foram indicados. Já no segundo semestre, relutei ao máximo contra eles e só comprei aqueles que, felizmente, foram realmente utilizados. Nesse semestre, embora eu saiba que tem um que eu realmente preciso comprar, digamos que dei aquela ignorada básica e ainda não o fiz. Ao invés disso, mesmo com o nome do livro anotado na agenda, eu fui na livraria com outro objetivo.

Eu já estava interessada nesse livro tinha um tempinho. Às vezes batia o olho nele nas livrarias da vida mas nunca tinha de fato o pego na mão e folheado. No final da semana passada, no entanto, enqunto rondava alguns sites, resolvi que iria comprá-lo. Hoje, alguns dias depois, sou mais uma felizarda que o tem na listinha de livros lidos e posso resumir a experiência em duas palavras: inveja literária.

Não sou especialista no assunto, não li todas que existem, mas, mesmo assim, tenho certeza de que as 100 crônicas publicadas em As Cem Melhores Crônicas Brasileiras são realmente sensacionais.

Pra dar um gostinho, selecionei uma bem engraçadinha e que gostei bastante. Juro, vale a pena ler: Cãomício no calçadão, de José Carlos de Oliveira.

sábado, 23 de abril de 2011

Coisa linda




Daí você entra no Google buscando por imagens desse velho fofo chamado Woody Allen e encontra essas aí de cima. 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Oops!...I Did It Again

Graças ao último show do U2, quarta-feira eu peguei um trânsito monstro no caminho de volta pra casa. O horário também não colaborava (devia ser umas 19h), e o trajeto que normalmente dura uns 15, 20 minutos no máximo, passou pra 1 hora. Literalmente presa na rua da Consolação em meio a milhares de carros e motoqueiros, resolvi desligar meu iPod e sintonizar alguma rádio. Sabe como é, né, as músicas do aparelho são as que escuto em casa, então aproveitando que ficaria parada no carro por um tempinho, optei por dar uma chance ao que tocava no momento em alguma Jovem Pan ou 89 fm da vida.

No momento em que liguei o rádio, a música que estava tocando era essa nova da Britney Spears, a tal da Hold It Against Me. Olha, eu sei que não sou a pessoa mais antenada no mundo pop, mas realmente não sabia que ela tinha voltado. Ou melhor, nem sabia que ela tinha parado, pra mim ela tinha virado tipo uma sub celebridade e estava por aí tentando voltar ao topo das paradas. 

Quando o locutor disse que tinha acabado de tocar "o trabalho mais recente" da cantora, fiquei surpresa. Como peguei a música desde o início, a ouvi inteira achando que quem estava fazendo meu som ambiente naquela hora era Lady Gaga. Se não fosse ela, devia ser a tal da Ke$ha, outra que mal conheço mas sei que faz sucesso. Nunca, nunca ia imaginar que a Britney Spears ainda tocava nas rádios.

Lá por 2000, 2001, Britney era uma das minhas cantoras favoritas. Tinha vários cds dela, sabia as músicas de cor e provavelmente a reconheceria a milhas de distância. Hoje, dez anos depois, eu nem lembrava que ela existia. Ouvi-la numa rádio foi como voltar totalmente no tempo, e foi mais ou menos isso que eu fiz no resto do meu caminho pra casa.

Quando tinha uns 10, 11 anos, era o cd dela que vivia no meu discman. Foi com (You Drive Me) Crazy que eu descobri o que a palavra "drive" significava. Lucky, outra que era uma das minhas favoritas - e que agora pra relembrar eu ouvi e achei uma porcaria, foi um dos nomes cotados pra dar pro Nickão logo que o ganhei, e Sometimes...ah, Sometimes foi uma das primeiras músicas que eu achei linda. 

A Britney sem dúvidas teve sua participação na minha infância/pré-adolescência, e eu fico feliz que tenha a curtido um dia. Ela é o equivalente às Hannas Montanas e Demis Lovatos da minha época, e por mais que há 10 anos não existisse todo essa "mercantilização" e licenciamento de ídolos teens, eu fui bem feliz tentando aprender a dançar como ela ou então fazendo de tudo pra decorar suas músicas. Tem uma, porém, que mais do que qualquer outra, me fez viajar mesmo no tempo agora pouco enquanto dava uma pesquisada no Youtube.


Foi só Oops!...I Did It Again começar a tocar que eu já me vi com 10 anos assistindo Disk MTV e comendo biscoitos Fofy enquanto desejava com todas as minhas forças as mochilas e estojos da nova coleção da Kipling. Valeu aí, Britney.

sábado, 9 de abril de 2011

A lista de Luiza

Olha, se existisse uma faculdade - ou então uma profissão - de produtor de listas, eu provavelmente seria do ramo. Fazer listas, seja de comida, lugares, músicas, enfim, de tudo, é meio que um hobby que cultivo, então assim, se você me pedir pra fazer uma, de qualquer assumo que seja, prepara-se pois rola toda uma preparação, concentração e mil e uma leituras e releituras pra não ver se não estou esquecendo de nada. E sempre estou, diga-se de passagem. 

Quando a Anna me passou o meme dos 10 filmes favoritos, eu logo pensei: "ixi, essa lista vai demorar". Por mais que eu já estivesse pensando em fazer um post com meus filmes prediletos, quando se fala em lista a coisa ganha uma certa complexidade, né, já que como tem um número definido, vários ficariam de fora, rolaria aquele julgamento da minha parte e....bom, aí é um problema. E uma vez que odeio problemas e gosto muito de me livrar deles, resolvi que quebraria minha cabeça logo e decretaria minha lista dos 10 filmes favoritos assim, pra já. Ah, vale lembrar que ela não segue uma ordem específica. Ai, ai, vamos lá então.

Esqueceram de Mim (Chris Columbus)


Como cada filme presente na lista tem um significado pra mim, não poderia deixar de fora o meu primeiro filme favorito da vida. Esqueceram de Mim é aquele que mora no meu coração. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti, e a real é que esse é aquele filme que não importa se eu estou com 5, 10, 15, 20 anos, eu sempre vou curtir rever. E não é difícil imaginar a razão pela qual ele é tão especial. No primeiro, Macaulay Culkin realiza o sonho de toda criança, que é o de ficar sozinha em casa, poder usufruir de todos os aparelhos, cômodos, fazer o que der na telha, comprar um monte de besteiras no supermercado e depois ficar de boa no sofá tomando sorvete direto do pote e assistindo filme. No segundo, ele faz as mesmas coisas, só que em um puta hotel de Nova York. Eu achava isso tudo um máximo. Ah, e sem comentários para as cenas em que ele engana os vilões com as falas de um filme antigo. Kevin McCallister: meu herói, meu ídolo. (detalhe para esse trailer sing along do filme!)

Closer - Perto Demais (Mike Nichols)


Closer...ai, ai. Me lembro até hoje do dia em que o assisti no cinema e principalmente da minha reação a quando a primeira cena começou e com ela veio aquela música maravilhosa. Closer é especial pra mim não só pelo enredo fantástico, atores sensacionais e a fotografia linda-linda. Closer mora aqui no lado esquerdo do peito também por ter sido graças à ele que eu conheci o Damien Rice, um dos meus cantores favoritos. Ai, sério, o cinema ainda está pra fazer uma primeira cena mais tocante que essa. Não há sincronia mais perfeita do que a da Natalie Portman e do Judy Law andando com o começo da música ao fundo e de quando ela é atropelada e eles cortam a música para o "refrão", que é mais pesado. Simplesmente não há. Faça um favor a você mesmo e assista o vídeo acima.

Adeus, Lenin! (Wolfgang Becker)


Se pra cada momento histórico existisse um filme tão legal como esse, tenho certeza que as pessoas se interessariam muito mais por história. Adeus, Lenin! é de uma genialidade absurda, daquelas que te faz ficar com o queixo caído até vários minutos depois que o filme acaba. Sou apaixonada por Alex, o personagem principal. O que ele faz pra esconder da mãe, recém acordada de um coma, todas as mudanças que ocorreram na Alemanha após a queda do Muro de Berlim é absurdamente fantástico. Amo esse filme não só por achar esse momento da história muito interessante, mas também por ficar besta com tamanha criatividade da trama. Fora, é claro, a linda trilha sonora que não poderia ser esquecida (Yann Tiersen <3).

Albergue Espanhol (Cédric Klapisch)


Esse filme é obrigatório pra todo mundo que já fez ou quer fazer intercâmbio. Albergue Espanhol conta a história de Xavier, um jovem de Paris que resolve ir estudar por 1 ano em Barcelona para melhorar o currículo. Na Espanha, ele divide um apartamento com uma galera e....bom, aí a o filme acontece e obviamente eu não vou entrar muito em detalhes. Sério, é sensacional! Os atores são ótimos (para os fãs de Amelie Poulain, a Audrey Tautou também participa desse filme), a história é cheia de romance, drama e comédia, a trilha sonora é linda (tem No Surprises, do Radiohead) e, enfim, é sem dúvida um dos meus favoritos. Tanto que, desde 2008, quando o assisti pela primeira vez, já o vi inúmeras vezes e rolou toda uma emoção ano passado quando finalmente encontrei o DVD do filme, que até então era impossível de achar. Ah, e outra coisa bacana é que 3 anos depois fizeram a continuação de Albergue Espanhol. O filme se chama Bonecas Russas e mostra como ficou a vida deles depois do intercâmbio. Amo!!

Bonequinha de Luxo (Blake Edwards)


Alguém tinha alguma dúvida de que esse filme apareceria na minha lista? E olha que se eu estivesse fazendo esse post uns 6 anos atrás, ele provavelmente não estaria aqui. Quando assisti Bonequinha de Luxo pela primeira vez, lá por 2004, eu achei o filme extremamente chato. Lembro que o assisti dando aquelas pescadas básicas, de tão entediante que aquilo estava sendo pra mim. Com isso dito, só tenho uma coisa a declarar: ainda bem que não gostei dele aquela vez. Se tivesse achado o filme pelo menos simpático, provavelmente não daria uma segunda chance a ele alguns anos depois e, consequentemente, não o acharia fantástico logo de cara. Bonequinha de Luxo é um dos filmes mais sensíveis que já vi. Os atores, as locações, os objetos, o figurino, os diálogos, as músicas, enfim, tudo se encaixa tão perfeitamente que não tem como não ama-lo. Destaque para a cena em que a Audrey canta Moon River na janela de seu apartamento.

Manhattan (Woody Allen)


Manhattan foi o primeiro filme do Woody Allen que eu gostei. E gostei tanto que logo que ele acabou, já  virou um dos meus favoritos. Na história, Allen vive Isaac, um escritor de 42 anos divorciado (foi trocado por uma mulher) que namora uma garota de 17. Sua ex-mulher, interpretada por Maryl Streep (lindíssima!), também é escritora e resolve lançar um livro no qual relata alguns assuntos bem particulares sobre o relacionamento que eles tiveram, o que, obviamente, não o agrada nem um pouco. Ao longo da história, Isaac se apaixona por Mary (Diane Keaton - também linda e irreconhecível), uma mulher madura e inteligente, porém amante de seu melhor amigo. Enfim, o contexto é basicamente este, mas adicione o sarcasmo e a inteligência de Woody Allen e...ta dam!: um enredo engraçado, diálogos inteligentes, acontecimentos não tão previsíveis e um final ótimo. Preciso destacar que uma das coisas que mais gosto no Woody Allen é que ele tem uma autoestima tão grande, mas tão grande, que acredita que mesmo com esse tamanho, corpinho e cara de tiozão ele conseguiria pegar Diane Keaton e Maryl Streep numa mesma história. Sem contar na garota de 17 anos. Fofo.

A Era do Rádio (Woody Allen)


Woody Allen pode se dividir entre os filmes em que ele atua e os filmes em que ele apenas dirige/escreve. Como eu já destaquei um em que ele é o protagonista, agora vai um em que ele só aparece nas entrelinhas. Aliás, quando digo entrelinhas, é porque é muito possível identificar um filme dele mesmo que ninguém te fale que ele é o diretor. Em outras palavras: mesmo não aparecendo fisicamente, Woody Allen sempre está presente em suas obras, seja por meio da trama, dos diálogos, ou pela escolha dos atores. Nunca é difícil descobrir se tem toque dele no meio, e em A Era do Rádio não é diferente: tem família judaica, menino incompreendido, Wallace Shawn, Mia Farrow e frases e cenas geniais. Assisti esse filme semana passada e já me apaixonei. Ele conta a história de uma família da década de 40 que passa por algumas situações nas quais o rádio, principal mídia da época, está presente. Já quero ver de novo.

Encontros e Desencontros (Sofia Coppola)


Eu acho muito legal quando um filme acontece fora de seu país de origem, pois de alguma forma ele acaba se tornando uma maneira de conhecer um lugar sob as lentes de um diretor que também passa ou já passou pela situação de turista por lá. Esse é o caso de Encontros e Desencontros (Lost in Translation), da Sofia Coppola, cuja história acontece no Japão. Na trama, Bob Harris é um ator decadente que vai gravar um comercial de Whisky no país oriental. Charlotte é mulher de um fotógrafo e viaja com o marido para Tóquio para acompanhá-lo, ficando sozinha na maior parte do tempo. Os dois, interpretados por Bill Murray e Scarlett Johansson, respectivamente, se esbarram no bar do hotel onde estão hospedados e a partir daí eu não vou falar mais nada, é claro. Como qualquer filme da Sofia Coppola, Encontros e Desencontros tem aquele ar paradão, mas nesse caso, pelo menos na minha opinião, não é parado a ponto de entediar alguém (o que já vi acontecer em outros longas dela, inclusive no último, Somewhere - que eu também amei, diga-se de passagem). Destaque para a cena clááássica do karaokê.

Quase Famosos (Cameron Crowe)


Ai, rola toda uma identificação com esse filme. Primeiro porque na primeira vez em que o vi, eu devia ter a idade do William (o protagonista), uns 14, 15 anos, e assim como ele, já queria ser jornalista e também já tinha publicado algumas matérias por aí. Segundo porque ele corre atrás de uma banda, passa por situações super legais e ainda escreve pra Rolling Stone, algo que deve ser muito, muito legal. Se eu já tinha gostado do filme na primeira vez que o vi, me apaixonei de vez quando o assisti em dvd na primeira casa em que morei no Canadá. Quase Famosos se passa nos anos 70, então fora a história que é muito boa, ainda tem os hábitos e características da época, como o de usar máquina de escrever para digitar as máterias e um gravador mega ultrapassado para fazer as entrevistas. Uma das minhas cenas favoritas do filme é a em que eles cantam Tiny Dancer, do Elton John, no ônibus da turnê. Acho linda.

Pulp Fiction (Quentin Tarantino)


Esse é o típico filme que não atrai minha atenção pela sinopse. Quando fui atrás dele pela primeira vez, há uns 5 ou 6 anos, desencanei só de ler sobre o que ele se tratava. Assassinos, gângster, violência são palavras-chave que não me interessem em um primeiro momento, mas como Pulp Fiction sempre aparece nas rodas de conversas quando o assunto é cinema, resolvi que cedo ou tarde teria que vê-lo. E o momento chegou no Canadá, quando encontrei uma edição para colecionadores do filme ao preço de 12 dólares, enquanto aqui no Brasil o mesmo DVD estava custando 80 reais. Não dava pra deixar passar. E ainda bem que eu não deixei isso acontecer. Os atores são sensacionais, os diálogos são muito bons e a trilha é excelente. Adoro quando acabo de assistir a um filme com aquela cara de boba tentando imaginar como alguém teve tanta criatividade pra fazer uma coisa daquela. E foi exatamente o que aconteceu quando terminei de assistir Pulp Fiction.

Ai, acho que é isso. É lógico que muitos filmes que eu adoro ficaram de fora, então mais pra frente eu faço uma outra lista com os que vêm logo em seguida. Pra quem quiser saber mais sobre os filmes que tenho visto, dá um pulo na minha página do Filmow. Embora ela ainda não esteja 100% completa, tenho atualizado bastante por lá.

p.s. - o título desse post foi uma breve referência a Lista de Schindler, outro filme que gosto bastante. Eu não seria tão boba de dar um título como esse se não fosse por tal razão, ok? haha

quarta-feira, 6 de abril de 2011

About a Boy

Eu funciono mais ou menos assim: se estou com vontade de ler algum livro, pego um e devoro, independente de quantas páginas ele tiver. Mas já se eu não estiver com aquele pique, sou capaz de demorar anos e mais anos só pra terminar um que tenha, sei lá, 100 páginas. É lógico que tudo depende muito da trama, mas não sei se é assim pra todo mundo, acontece que eu tenho que estar muito no clima da leitura, senão simplesmente não rola. Ou eu leio tudo mas não absorvo nada, ou então eu basicamente não leio e espero o clima chegar.

Semana passada, em meio a um surto, resolvi que começaria a ler todos aqueles livros comprados há muito tempo e que continuam intocados. É que ir à livrarias é uma atividade que exige que eu abra a carteira, então quase sempre que vou a uma, saio com pelo menos uma sacola de lá. E assim vai, até que de sacola em sacola eu monto uma estante inteira e eles ficam lá, guardando a senha e esperando chegar o grande dia de serem lidos. E esse grande dia chegou quinta passada para Nick Hornby e seu About a Boy, livro que já estava na espera há uns bons meses.

Nick Hornby é um autor que respeito muito. Dele eu já tinha lido 31 Canções, lá por 2005, e Slam, em 2008. O primeiro eu li em português mesmo, e confesso que não gostei, mas como existe todo aquele "ohhh" em torno de Mr. Hornby, resolvi dá-lo mais uma chance e foi com Slam, seu livro mais recente da época, que eu vi que o cara manda bem. Como eu tinha acabado de voltar do Canadá, resolvi lê-lo em inglês e só posso dizer uma coisa: fantástico. Não sei se foi a minha cabeça que estava diferente, se não bati com o tradutor ou o 31 Canções é que era ruim mesmo, só sei que ler o livro com as palavras e estilo do autor é uma experiência sem igual. Naquele momento Nick Hornby já ganhava mais uma fã.

Logo em seguida eu comprei High Fidelity, o must read do autor. Não há uma pessoa sequer que fale mal do livro, então imaginei que não teria erro. Acontece que, sei lá por qual motivo, não o li. E olha que isso já faz quase 3 anos. Digamos que ele foi mais um prejudicado pelo meu ato compulsivo de comprar livros. Se eu não sofresse desse mal, provavelmente já o teria devorado há um bom tempo, mas como eu sofro...bom, como eu sofro, no ano passado, durante uma visita à Livraria Cultura do Conjunto Nacional, eu comprei outro livro do autor, o "About a Boy". Ou seja, se já não bastasse um novinho em folha na estante, resolvi ter dois.

About a Boy (ou Um Grande Garoto, título em português), conta a relação de amizade entre Marcus, um garoto de 12 anos, e Will, um cara de 36. Acontece que, embora essa seja a idade real de cada um, Marcus e Will vivem uma realidade que os "obriga" a ter rotinas e pensamentos de qualquer pessoa, menos de uma de 12 ou 36 anos.

Marcus vive com a mãe, uma mulher depressiva e meio hippie que não o deixa ouvir as músicas e artistas da época, usar tênis de marcas como Adidas e ter uma alimentação que não seja vegetariana. Como ela mesmo diz para o garoto, "you are not a sheep" (você não é uma ovelha). Ela o educa exatamente para ser diferente dos outros. Resultado: não tem amigos e sua vida social não vai muito além do convívio com sua mãe problemática e alguns conhecidos dela. Já Will é um cara rico que vive dos direitos autorais de uma música natalina que seu pai compôs. Nunca precisou trabalhar e nem se preocupar com nada que não fosse comprar discos, ver filmes e sair com mulheres.

O contexto é mais ou menos esse. Agora, como é uma obra de Nick Hornby, adicione drama, comédia, romance, algumas referências pop e...ta dãm! Não sei se eu é que estou babando ovo pelo autor (o que normalmente faço quando termino um livro bom), ou se essa é a opinião geral, mas o fato é que ele ele manda bem mesmo.

p.s. - About a Boy virou filme em 2002, inclusive quem interpreta Will é o Hugh Grant. Como qualquer adaptação, não chega aos pés do livro.
p.s.2- agora eu juro que vou ler High Fidelity.
p.s. 3 - pensa numa pessoa que estava sem criatividade pra criar o título desse post.