sábado, 25 de junho de 2011

That's my boy


Minha relação com o Woody Allen é igual a uma que eu tive com um antialérgico há um tempo atrás. Sabe quando você está doando saúde mas toma um remédio para rinite só para conseguir dormir? Então. Eu tinha esse tal de Actifedrin, que no início super solucionava minhas crises de falta de ar e ao mesmo tempo me baqueava de uma meneira que eu nem conseguia levantar o braço. Não tinha forças. Aí o que eu comecei a fazer? Sempre que estava ansiosa demais, com insônia ou querendo dormir muito, jogava o comprimido goela abaixo e na cama ficava por horas, horas. Até que, é claro, meu organismo viciou e o pobre Actifedrin passou a não fazer mais efeito nem para minhas crises alérgicas e nem para minha falta de sono. 

Eu e o Woody Allen somos meio assim, também. De um tempo pra cá comecei a gostar tanto de suas obras que mesmo quando ele faz um filme ruim eu não consigo assumir que dessa vez não estava legal. Eu o perdôo e assim vai. "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos", por exemplo. Achei uma grande merda, a ponto de durante o filme eu até cogitar apertar o fast foward por sentir que daquele mato não sairia coelho. Mas aí eu lembrava que por trás de tudo estava aquele velhinho fofo e neurótico e ah...o filme nem era tãão ruim assim. Pois é, perdi o senso crítico quando se fala em Woody Allen. Viciei.

Pra mim tudo que ele faz é válido, então com a crítica falando bem ou mal é claro que eu veria "Meia-Noite em Paris", filme lançado há uma semana. Depois de uma sequência de filmes criticados a dar com pau pela mídia, não esperava que elogiassem esse último, mas por incrível que pareça, não vi, pelo menos que eu me lembre, um veículo sequer dar menos de 4 estrelas para ele. Woody também estava agradando a galera online. Cansei de ler elogios ao filme pelo Facebook, Twitter e em alguns blogs por aí. "That's my boy", era o que eu pensava.

Com todo esse amor que você provavelmente já cansou de ler por aqui, era de se imaginar que eu fosse assisti-lo logo que chegasse aos cinemas. Mas não rolou, o tempo não me permitiu e ah, quer saber de uma coisa? Adoro ficar com essa sensação, esse misto de expectativa e ansiedade em relação a algo. É o meu lado paranoico, fazer o que. E saber que em qualquer sala de cinema próxima Woody Allen estaria me esperando meio que me empolgava. Aí hoje lá fui eu encontrá-lo.


O primeiro e mais sincero comentário que posso fazer depois de 1 hora e meia na sala do cinema: esse é o meu garoto! É por filmes como esse que dá vontade de brigar com ele por fazer obras tão curtas. Em uma entrevista recente, acho que para o Estadão, ele disse que não precisa de muito tempo para dizer o que quer, além de ter medo de entediar o espectador. Como alguém se entediaria com a viagem doida no tempo de Gil Pender?!?! Eu passaria mais algumas horas fácil, fácil naquela cadeira meio desconfortável do Cine Livraria Cultura. Eu sei que sou meio suspeita, mas mesmo assim.


Meia-Noite em Paris é incrível. Esse, devo admitir, tem algo de especial em relação aos últimos que ele lançou. Talvez a combinação Paris + anos 20 + Woody Allen + mercados de pulga + história + literatura + a minha tão amada livraria Shakespeare and Company tenha surtido algum efeito especial. Não sei. Essa deixo para quem não é tão fã do velhinho decifrar, porque meu senso crítico, como já disse, sumiu igual ao efeito do Actifedrin. Viciou.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

E eu sumi


Acho que acabo de descobrir a razão para a minha falta de ar constante, a volta da minha sinusite e a persistência da rinite que adora me visitar: esse blog está completamente empoeirado. Atchim. 

Do jeito que as coisas iam, era bem capaz do casal real se separar e o post que eu escrevi sobre o casamento deles ainda ser "o mais recente" desse blog. Que horror. O mês de maio, coitado, foi inexistente por aqui. Não teve um texto sequer, nem uma vírgula perdida. E o mais bizarro disso tudo é que foi nesse período silencioso que o número de seguidores aumentou. A galera me curte calada? Prefere blogs parados? São adeptos daquela filosofia do "é melhor ficar quieto do que falar porcaria"? 

Esse tempo que o blog ficou ao relento foi tão corrido que nem as listinhas dos livros e filmes de 2011 eu consegui atualizar. E quando digo "atualizar", me refiro ao ato de ler e assistir filmes, e não só o de abrir essa página do blog e colocar itens novos.

Desse tempo pra cá, lutei contra o mês mais corrido da faculdade, virei a noite numa balada com gente que mora longe e precisa pegar ônibus e metrô pra chegar nas festas, tive chamada na capa de um jornal, uma matéria lindona publicada, fiz tanta força pra *conseguir* respirar que provavelmente deixei a cidade inteira sem ar, fui duas vezes ao hospital para tentar dar um jeito nisso - uma delas sozinha, e quem acompanha esse blog sabe que hospitais são tipo o meu bicho papão, morro de medo -, entrei de férias, comecei a ouvir Lulu Santos (?) no carro, fiquei viciada naquele programa The Voice, definitivamente me rendi aos óculos de grau para ler de longe, comprei uma cadeira daquelas presidente - que ficou tão desproporcional no meu quarto que quase tive que sair pra ela entrar -, e ah...acho que foi isso.

O que importa é que eu voltei. Sem assunto, mas voltei.