Depois de vários shows bem sucedidos, outros tantos que nem se completavam devido a condição (ou falta de) da cantora, Amy Winehouse finalmente saiu de cena. E saiu, vale dizer, da forma que todos nós imaginávamos que sairia. As drogas e o álcool calaram sua bonita e exótica voz de uma vez por todas.
Conheci suas músicas em 2007, graças ao estouro de Rehab. Tinha certeza que aquela mulher estranha seria mais uma cantora de um sucesso só. Nunca fui fã da Amy, e embora tenha em meu iPod um de seus cds, ela sempre foi aquela opção que eu escutava quando o shuffle me obrigava, e olha que com frequência eu rejeito o que o shuffle me oferece, o que não acontecia quando Amy aparecia. Ela sempre esteve no meu banco de reservas. Eu sabia que quando enchesse o saco das minhas outras músicas, ela estaria lá, fresquinha e com sua voz ímpar me esperando.
Hoje, quando acordei, peguei meu celular e dei uma olhada no Twitter. De repente vi várias mensagens de gente indignada com o ocorrido, retwittando veículos e postando links de matérias que confirmavam aquilo que todo mundo sabia que um dia aconteceria.
Não me surpreendi com sua morte, embora tenha ficado, assim como muita gente, chocada. A gente sabe que vícios matam, mas no caso da Amy eu já não via mais isso como um vício, e sim como sua personalidade, seu jeito de ser. Ainda mais por ela ser da mídia, sempre tem aqueles lances de marketing, e sabe-se lá se ela continuaria a fazer sucesso caso aparecesse gordinha, saudável e fazendo propaganda de cosméticos. Eu esperava que um dia ela morresse ou parasse de cantar por conta de seus problemas, mas não agora, não hoje, não aos 27 anos.
A TV do meu quarto passa praticamente o ano inteiro desligada. Às vezes eu até fico pensando se é mesmo necessário ter uma, afinal, meu interesse por ela é tanto que na maioria das vezes eu tenho até preguiça de pegar o controle remoto (que fica do lado da minha cama, diga-se de pasagem) para ligá-la.
Agora que estou de férias da faculdade, resolvi dar uma vida mais ativa a pobrezinha. De madrugada, quando bate aquela insônia, recorro aos cento e poucos canais que ela está sempre disposta a me oferecer pra ver se encontro algo bom. E foi numa dessas que acabei me viciando no Discovery Home & Health. Sério, que canal absurdamente maravilhoso!
Tudo começou com Pequenas Misses, um programa capaz de divertir e matar qualquer ser humano de raiva. Trata-se de mães frustradas que despejam em suas crianças aquela vontade louca que tinham de vencer um concurso de beleza. Já que por algum motivo elas não puderam/conseguiram, lá vão as coitadinhas pra cima do palco, achando que aquilo é a coisa mais digna do mundo, afinal, que criança não acha que tudo que a mãe manda é o bom e o certo?
O engraçado desse programa são os jurados. Eu não consigo entender o que faz uma pessoa a querer julgar a beleza e a atitude (este é um dos critérios) de uma pobre criança. Ou melhor, de bebês, já que há candidatos de, sei lá, 6 meses concorrendo também. Nos capítulos que assisti, a maioria das bancas era composta por velhas loiras com laquê saindo pelos ouvidos. Ou seja.
O concurso possui várias categorias. Desfile normal, fantasia e uma apresentaçãozinha na qual eles fazem algo, tipo dançar. Na frente do palco (atrás dos juízes), ficam os pais dando ordens aos filhos. Assisti um em que a mãe fazia toda a coreografia para a filha imitar e ficou puta da vida quando a menina errou. A coitada saiu chorando ao ver a mãe brava com ela. Perdeu pontos, claro.
Mas o mais bizarro de tudo foi o caso da mãe que queria ser miss, não conseguiu porque era gorda e baixinha feito um botijão de gás, e colocou todo seu desejo reprimido no filho, um muleque de 5 anos. Só pra dar uma ideia, ela começou a colocar essa ideia no garoto desde que ele era pequenininho, tipo 2 anos. Hoje, ele é viciado em bronzeamento artificial (aqueles à jato. Isso é meio que obrigatório nos concursos) e em pintar as unhas. Quando crescer quer ser mister universo. A própria mãe dele, ao compará-lo com seu outro filho, um menino de 2 anos que odeia tudo isso, diz que seu mais velho é a diva da casa. E com todo orgulho do mundo.
O menino, nesse dia, mandou mal em suas apresentações. Levou broncas e mais broncas da mãe, que achou um absurdo ele perder na categoria fantasia para um garoto que, segundo ela, era feio e não fez nada no palco. Sem ter ganho nada, a mãe da "diva" estava emburrada feito uma...hm..criança, e disparou: "ele não se empenhou nesse concurso, fez eu gastar uma grana pra nada. No próximo ele vai ter que se esforçar mais". Enquanto isso, o menino assistia a premiação feliz da vida, sem nem se preocupar com o que estava acontecendo. Quer dizer...
O Folhateen tem essa seção chamada "Quando eu tinha a sua idade", na qual artistas contam casos de sua juventude e etc. Hoje, dia 11, saiu a que eu fiz com o Ronnie Von.
Pra quem se interessar, dá pra ler a matéria pelo site, aqui. Ronnie (a íntima) contou histórias legais, tipo de quando sua babá foi levar um bolo de chocolate para ele na escola da aeronáutica. Detalhe: ele tinha 18 anos na época. E também de sua primeira namorada de verdade, 24 anos mais velha e amiga de sua mãe.
Os bastidores da entrevista, que rolou em sua casa, estão no blog do Folhateen. Lá eu contei mais ou menos como foram as 2 horas em que estive com ele. Ronnie Von foi todo tempo muito simpático, falava sobre tudo numa boa e até limpou (!!) minha calça quando Giulia, sua cadela, babou em mim. :B
p.s. - Hebe deu o apelido de "pequeno príncipe" a Ronnie Von, por isso o título do post.
João Luiz Woenderbag Filho é um cara polêmico. Perseguido pela mídia e pelos políticos do Brasil, foi condenado e preso por porte de drogas, mesmo sendo réu primário não teve direito ao habeas corpus e fez, digamos assim, uma revolução na prisão. E não só lá. Lobão, como ficou conhecido, é um cara de personalidade. Se meteu em várias situações, deu - e muito - assunto para os grandes veículos, foi e é odiado por muitos, amado também por tantos, e agora, com seu livro, admirado por outros que mal sabiam sobre ele. Falo por mim, pelo menos.
Até setembro do ano passado, quando participei do Debate MTV, programa que Lobão apresentava, desconhecia sua história. Ou melhor, sabia pouco, mas em grande parte sobre suas doideiras, e nada muito aprofundado. Acho que nada aprofundado, na verdade. Tanto que até fiquei meio assim de aceitar o convite para o programa, não só por rolar aquela vergonhazinha, mas também por achar que ele seria, sei lá, um grosso comigo. Engano meu. E como! Malditos julgamentos...
Logo depois de participar do programa eu escrevi aqui no blog como esta foi uma experiência legal. Lobão foi um amor. Totalmente o oposto do que eu achei que seria. Já estava certa que levaria cortes, seria ignorada ao longo do programa, mas nada disso aconteceu. Ele foi mega simpático não só na frente das câmeras, como fora delas também. A partir dali comecei a me interessar, a querer saber mais sobre ele, e logo em seguida foi lançado o livro 50 Anos a Mil, sua biografia, escrita em parceria com o jornalista Claudio Tognolli.
Acabei comprando o livro só há duas semanas. Ele é grande, tem 590 páginas, queria pegá-lo numa época mais tranquila, pra não acontecer de ficar parando várias vezes, perdendo o rumo da história. Agora que estou de férias da faculdade, pensei, era a época perfeita.
50 Anos a Mil, embora conte muitos casos tensos, tem uma leitura incrivelmente leve e informal. Dá pra imaginar tudo que é narrado, e algumas situações, aliás, Lobão dá a dica que dá para assistir pelo Youtube. Foi o que fiz quando ele conta sobre o tal crime eleitoral que ele cometeu no dia das eleições de 1989, durante o programa do Faustão, na Globo. Durante toda sua participação ele faz boca de urna para o Lula, o que poderia ter tirado a Globo do ar. Em determinado momento, dá até pra ver o apresentador cochichando algo em seu ouvido. Essa semana o Lobão participou do programa do Danilo Gentili, na Band, e confirmou que Faustão, em seu ouvido, pediu que parasse, porque caso contrário a Globo cairia. Depois dessa, Lobão acabou ficando 11 anos, acho, sem aparecer na emissora de Roberto Marinho. Comédia! Vale a pena ver:
Enfim, recomendo 50 Anos a Mil pra todo mundo, seja fã ou não do cara. Eu não era, mas agora posso dizer que gosto bastante.
Do Harry Potter eu me despedi faz tempo. Quando que saiu o 4º livro? 2003, 2004? Enfim, foi por aí que eu parei de me envolver com as obras de J.K. Rowling. Os filmes, então, nem faço ideia de quando foi. O último que vi foi o 3º, e pelo que me lembro, só o assisti porque estava com umas amigas no shopping, nós queríamos ver um filme e só tinha Harry Potter passando no horário. E a sala estava vazia, acho que fora a gente deviam ter mais umas 2, 3 pessoas. O filme já estava quase saindo de cartaz, por isso.
Quando Harry Potter foi lançado no Brasil eu estava acho que na 4ª ou na 5ª série (perceba como estou perdida no tempo). Devorei o primeiro livro, me viciei nos personagens e de repente meu material escolar inteiro era da história. Pra quem fosse viajar pra fora eu pedia pra me trazer coisas licenciadas, queria tudo, tudo e tudo que existisse com a marca Harry Potter. Meus cadernos eram daquela finada loja Side Play, alguém lembra? Tinha uma loja na Rua Augusta. Eu levei essa história bem a sério. Tanto, que acho que ela se desgastou no meio do caminho e eu nem aguentei chegar até o final. Enjoei. Abandonei Harry e sua turma.
Já tem um tempo que eu dei todos os livros que eu tinha para a moça que trabalhava em casa. Ao contrário de muita gente, Harry Potter não significou tanta coisa assim pra mim. Foi legal, curti a trama, viciei, comprei jogos, aqueles livros paralelos, tipo um do quadribol, assisti aos primeiros filmes e...só. Muita gente me fala "pô, você leu até o 4º e desencanou? Quem tá na chuva é pra se molhar, devia continuar isso aí". Devia mesmo, mas sem chances. Hoje, pra mim, Harry Potter não passa de uma fase da infância. Voltar a lê-lo seria como do nada eu pegar uma boneca e começar a brincar. Pra mim não faz mais sentido.
Já tem uns dias que vejo no Twitter pessoas desesperadas com o lançamento do último filme. Gente que passou a semana inteira vendo fotos, fazendo maratonas, lendo tudo que saía sobre os atores e etc. Acho legal quem se envolveu assim com a história. São pessoas de 20 e poucos anos que, assim como eu, também tiveram a fase de vício e amor incondicional pelo Harry e seus amigos. Se a minha não tivesse parado por alí, provavelmente estaria nesse grupo.
Não vejo o próximo dia 15, portanto, como o fim de uma era, como muita gente vê. A era Harry Potter pra mim já acabou faz tempo. Mas não posso deixar de reconhecer que foi uma época boa. Não tenho certeza, mas grandes chances de J.K. Rowling ter sido a autora de alguns dos meus primeiros livros lidos de verdade, e isso é muito legal.
Se não dá pra fazer futebol sem bola, se Piu-Piu não existe sem Frajola e avião não voa sem asa, por que, raios, inventam cinema sem pipoca? Existem coisas básicas nessa vida que se complementam, assim como Claudinho e Bucheca (e Adriana Calcanhoto) definiram naquela música. E cinema sem pipoca é praticamente cinema mudo, porque o barulho das pessoas mastigando já faz parte do programa.
Eu sei, muita gente reclama, é cult e acha que o filme deve ser apreciado sem que nada desvie a atenção. Eu mesma já me irritei várias vezes com senhoras de idade mexendo em sacolas plásticas dentro do cinema, ou tossindo como se estivessem pra morrer a qualquer momento. Mas assim, reclamar de barulho de pipoca é coisa de quem não tem o que fazer MESMO. E não é só aquele "crec crec" que faz parte. O cheiro da manteiga, aquelas pipocas murchas no chão, o barulho das pessoas mexendo na embalagem...pipoca é tipo o trailer, sabe? Precisa estar lá. No entanto, não é o que o pessoal do Reserva Cultural, na Avenida Paulista, acha.
Eu já assisti a vários filmes lá e sempre gostei da estrutura, da tela, do ambiente. Por se tratar de um cinema localizado fora de um shopping center, é claro que o público é diferente. Das vezes que eu fui ao local, dividi a sala com pessoas mais velhas, meio arrumadas até demais. Pessoas que você percebe que estão lá para "apreciar o filme". Pipoca, é claro, não há. No máximo uma bomboniere com alguns chocolates e balas e um café que vende quiches, salgados, cupcake, bombas. Nada de cheiro de manteiga no ar, e nem sujeiras no chão. Tudo muito fino.
Por gostar do Reserva Cultural e às vezes não estar no pique para enfrentar um shopping lotadaço, o fato de o local não vender pipoca nunca me desanimou, mas lógico que acaba não sendo a mesma coisa. É mais ou menos como aquela sensação de estar na frente de várias pessoas e não saber o que fazer com as mãos, sabe? Se num Cinemark da vida nós ficamos ocupados pegando e mandando as pipocas goela abaixo, no Reserva não.
Ontem voltei lá para assistir Potiche - esposa troféu. Não vou entrar muito em detalhes, mas achei o filme chatíssimo. Por ter lido e ouvido críticas ótimas do filme, pensei que não haveria erro. Mas enfim, não rolou uma química entre nós, e o mico não valeu nem pela pipoca - essa é sempre uma consolação, afinal, pipoca de cinema está mil vezes longe da pipoca feita em casa.
Como já disse, o fato das pobres pipocas serem banidas do cinema nunca me incomodou a ponto de parar de frequentar o lugar, mas hoje resolvi dar uma pesquisada e saber da onde surgiu essa ideia, esse preconceito contra as fofas das pipoquinhas. Nem precisei procurar muito. Uma reportagem da Veja SP de 2005 já solucionou o caso pra mim: a partir de uma pesquisa que o Reserva Cultural fez com seus espectadores, 72% se mostraram contra a presença das branquinhas por lá. Eles simplesmente desaprovam o consumo de pipocas durante o filme. Como assim? Gente chata!
Pelo visto eu sou uma espécie de ovelha negra dos frequentadores do Reserva Cultural. E vida longa às pipocas de cinema!