sábado, 15 de outubro de 2011

Baby, baby, baby ohhhMG! Pare já com isso


E eis que sábado passado eu me infiltrei numa experiência antropológica das boas. Nela, um bando de crianças e adolescentes sofriam, choravam e gritavam por uma pessoa aparentemente pequena e de voz fina. Pois é, o improvável aconteceu: eu fui ao show do Justin Bieber.

Pra começar, fico feliz que não tenha pago pelo ingresso. Eu fui acompanhar minha prima de 7 anos, sua amiguinha da mesma idade e a prima da amiga, que tem 13 ou 14 anos, não lembro. Nós ficamos no camarote de uma emissora de TV, o que me foi útil do começo ao fim.

Pra começar, era Yom Kippur. Pra quem não sabe, é o dia do perdão para os judeus, o que significa que, para pagar pelos pecados que, hm, quem sabe, cometemos durante o ano, nós ficamos de jejum por 25 horas. No food and no drink por um dia e uma hora. O jejum começou na sexta às 17h47 e acabaria no sábado às 18h42. Nós fomos para o estádio do Morumbi às 17h, ou seja, eu estava no auge da barriga roncando e da boca seca.

Como bom camarote que era, uma infinidade de comida estava disponível para os convidados. Já que o show era para o público infantil, cachorro quente, salgadinho, brigadeiro, picolé, pipoca e pirulito não faltaram. Enquanto todo mundo já se empanturrava de coisas, eu sofria calada, pois ainda me faltava 1 hora e pouco. Meu sofrimento só não era maior do que o das meninas quando viram a distância do camarote para o palco. Elas queriam ver o “Justin como humano” – palavras da amiguinha da minha prima, mas do camarote a gente só conseguia ver uma pessoa, que poderia ser eu, você ou até o filho do zelador, pulando e dançando. Uma pena, para elas.

O show do Justin Bieber estava marcado para às 20h. Antes dele, outras bandas se apresentariam. Como chegamos cedo, o que me restava era aguentar a fome e a ansiedade das meninas, que perguntavam a todo instante quanto tempo faltava para a atração principal. Acontece que eu também estava ansiosa, mas para comer. Teve uma hora, inclusive, que eu soltei um “faltam 20 minutos!”, o que, graças a elas, se espalhou como se o Justin, por um milagre, tivesse antecipado sua entrada. Mas não, faltavam 20 minutos pra eu poder colocar alguma coisa na boca – e vai dizer que não é muito melhor?

Enfim. A hora tão aguardada por mim chegou. Foi como se depois de comer até morrer eu pudesse ir embora, mas oh, wait, eu ainda tinha um show pela frente.

Justin Bieber entrou às 20h20 no palco. É claro que, até eu, que não sou fã do cara, fiquei curiosa para vê-lo entrar. Dei uma pausa na comilança e me levantei da cadeira de couro, superconfortável, para ver se aquele estádio lotado condizia com o espetáculo. Bom, já vou adiantar o que aconteceu quando ele entrou cantando: eu chorei. Chorei de caírem lágrimas. Chorei de rir. Não era possível que aquele menino tivesse aquela voz de quem encheu o pulmão de gás hélio minutos antes de entrar. Sério, não era possível.

Eu chorei mesmo. Chorei de doer a barriga, sabe? De congelar a maçã do rosto. Minha prima, ao ver a cena, soltou um “é o barulho do show! A voz dele é boa, sim!”, mas ela claramente estava decepcionada. Olha, fazia tempo que eu não ria daquela maneira.

Aí o show continuou, Justin fingiu que cantava, a gente fingia que não sabia que aquilo era playback e assim foi. Uma gritaria de “Justin I love you!!!!” e “Lindooooo!!!!!” quase me deixaram surda, mas ah, quem se importa? O cachorro quente e o brigadeiro estavam muito bons. No final a gente ainda ganhou um CD e uma camiseta escrito “Justin Biber no Morumbi – Eu fui!”, e que, claramente eu nunca usarei na minha vida. Acho que nem pra dormir, tamanha a vergonha. Imagina se, D’us me livre, acontece um incêndio no prédio, eu pulo da cama correndo pra fora do apartamento e as pessoas me vêem com essa camiseta? Isola!