"O que é um personagem? O que acontece com os personagens quando fechamos o livro? Para onde vão? Existe outra dimensão, um lugar onde Holden, Ivanhoé e Patrick Bateman moram no mesmo condomínio? Um mundo em que Huck Finn e o Pequeno Príncipe jantam todos os dias, como figurantes em um filme, esperando para retomar seus papéis, perguntando por que seus criadores nunca telefonam?"
Não posso negar que rolou uma identificação ao ler o trecho, pertencente ao prefácio do livro "60 anos depois - do outro lado do campo de centeio", que destaco acima. Sempre que fecho um livro ou termino de assistir a um filme, perco pelo menos uns 5 minutos pensando pra onde vão todos aqueles personagens depois que os escritores e diretores colocam um ponto final nas histórias. Pode parecer meio babaca pensar nisso, mas sério, depois de ler sei lá quantas páginas e acompanhar toda uma trajetória, quando um livro acaba, por exemplo, chega a ser estranho pensar que daquela gente (as personagens) nunca mais saberemos. Ou que foi bom enquanto durou, mas agora acabou.
Há uns dois meses, fiquei sabendo da existência - e do lançamento - de um livro que conta a vida de Holden Caulfield, personagem do famoso livro de J.D. Salinger "O Apanhador no Campo de Centeio", 60 anos depois que a história acontece. Dessa vez Salinger não é o autor do tal livro, e sim Fredrik Colting, um escritor sueco muito corajoso (isso não é um elogio) e pretensioso - só uma pessoa assim pra continuar uma obra tão bem sucedida.
J.D. Salinger morreu no início do ano passado e eu até cheguei a fazer um post sobre ele aqui no blog. "O Apanhador no Campo de Centeio" é um dos meus livros favoritos de todos os tempos, e é claro que quando eu soube do livro do tal sueco, mesmo já imaginando que lá vinha uma bela bomba, fiquei muito curiosa pra ler. E pra tornar essa experiência muito mais interessante, resolvi reler "O Apanhador..." poucos dias antes de começar sua suposta continuação.
Antes de continuar, imagine uma pessoa X escrevendo uma continuação de Dom Casmurro. Ou, então, para Harry Potter. Faz algum sentido?
Na história de Fredrik Colting, Holden tem 76 anos, é viúvo e vive num asilo onde seu filho Daniel (sim, Holden é pai) o deixou. Holden Caulfield vivendo num asilo! Num asilo! São escolhas como essa que me deixaram completamente envergonhada enquanto lia o tal livro. E o mais ridículo é que Fredrik claramente copiou o estilo descritivo de Salinger para escrever sua história. Qualquer pessoa que ler a obra original e depois ler essa vai perceber. Ele forçou a barra legal. Não há outras palavras que definam tão bem esse livro quanto "vergonha alheia". Não sei como não fui parar embaixo da cama enquanto perdia meu tempo lendo essa baboseira.
Acho que a melhor parte do livro é o prefácio, da onde eu tirei o trecho que começa esse post. É a única coisa que parece fazer sentido.
É interessante e curioso pensar, imaginar, questionar o futuro dos personagens de livros, filmes, seriados, novelas. De qualquer forma, obrigada, Fredrik Colting, por me mostrar que o melhor é deixar essas dúvidas na imaginação mesmo. Que bom que Salinger teve tempo de processar esse escritor antes de morrer.
Na história de Fredrik Colting, Holden tem 76 anos, é viúvo e vive num asilo onde seu filho Daniel (sim, Holden é pai) o deixou. Holden Caulfield vivendo num asilo! Num asilo! São escolhas como essa que me deixaram completamente envergonhada enquanto lia o tal livro. E o mais ridículo é que Fredrik claramente copiou o estilo descritivo de Salinger para escrever sua história. Qualquer pessoa que ler a obra original e depois ler essa vai perceber. Ele forçou a barra legal. Não há outras palavras que definam tão bem esse livro quanto "vergonha alheia". Não sei como não fui parar embaixo da cama enquanto perdia meu tempo lendo essa baboseira.
Acho que a melhor parte do livro é o prefácio, da onde eu tirei o trecho que começa esse post. É a única coisa que parece fazer sentido.
É interessante e curioso pensar, imaginar, questionar o futuro dos personagens de livros, filmes, seriados, novelas. De qualquer forma, obrigada, Fredrik Colting, por me mostrar que o melhor é deixar essas dúvidas na imaginação mesmo. Que bom que Salinger teve tempo de processar esse escritor antes de morrer.



