Cariocas provocam paulistas por São Paulo não ter praia. Ou melhor, por ter o Rio Tietê. Tudo bem, nós não temos aquele mar azul em nossa cidade mesmo. Mas o que a maioria dos cariocas não sabe é que se eles têm o calçadão de Copacabana, nós temos algo parecido por aqui, e ele fica na Avenida Paulista. Seu auge é nos dias de semana, lá por volta do horário do almoço. As pessoas que o frequentam não usam short, bermuda, biquini ou top. Ao invés disso, usam terno, gravata, paletó e camisa social.
No Rio é comum ver as pessoas pedalando, andando de patins ou skate em Copacabana. Aqui não. No calçadão da Avenida Paulista os frequentadores dão mais valor a um bom papo com seus colegas enquanto caminham, a um sorvete do Mc Donalds ou a uma caminhada solitária com fones de ouvido. Tudo bem calmo, relax.
Eu, olha só, também frequento esse calçadão diariamente. Não por vontade ou prazer, mas por obrigação mesmo, afinal, é por lá que pego meu ônibus para a faculdade. E é por lá que eu volto pra casa também. Sempre com pressa, às vezes um pouquinho atrasada, digamos que meu ritmo destoa da maioria dos frequentadores do calçadão da Av. Paulista. E isso é um verdadeiro saco. Tente caminhar rápido em meio às tartarugas (é assim que costumo chamar os executivos em horário de almoço) quando você tem horário pra chegar a tal lugar. Tente ultrapassar um grupinho de 4 pessoas que andam uma ao lado da outra, fechando completamente a passagem. Tente.
E é mais ou menos esse o dia-a-dia no calçadão da Avenida Paulista. Podiam até colocar Garota de Ipanema de fundo musical enquanto os executivos caminham lentamente como se ao lado direito deles fosse possível ver o mar azul, o Pão de Açúcar, mulheres de biquini, homens de sunga, a areia fofa, as crianças fazendo castelinhos e vendedores ambulantes vendendo biscoitos Globo e água de côco. Mas não. Tudo o que eles vêem são prédios comerciais, um trânsito insuportável, ônibus e carros que não têm fim e uma pessoa tentando passar a qualquer custo porque tem aula na faculdade.