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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O calçadão da Avenida Paulista

Cariocas provocam paulistas por São Paulo não ter praia. Ou melhor, por ter o Rio Tietê. Tudo bem, nós não temos aquele mar azul em nossa cidade mesmo. Mas o que a maioria dos cariocas não sabe é que se eles têm o calçadão de Copacabana, nós temos algo parecido por aqui, e ele fica na Avenida Paulista. Seu auge é nos dias de semana, lá por volta do horário do almoço. As pessoas que o frequentam não usam short, bermuda, biquini ou top. Ao invés disso, usam terno, gravata, paletó e camisa social.

No Rio é comum ver as pessoas pedalando, andando de patins ou skate em Copacabana. Aqui não. No calçadão da Avenida Paulista os frequentadores dão mais valor a um bom papo com seus colegas enquanto caminham, a um sorvete do Mc Donalds ou a uma caminhada solitária com fones de ouvido. Tudo bem calmo, relax.

Eu, olha só, também frequento esse calçadão diariamente. Não por vontade ou prazer, mas por obrigação mesmo, afinal, é por lá que pego meu ônibus para a faculdade. E é por lá que eu volto pra casa também. Sempre com pressa, às vezes um pouquinho atrasada, digamos que meu ritmo destoa da maioria dos frequentadores do calçadão da Av. Paulista. E isso é um verdadeiro saco. Tente caminhar rápido em meio às tartarugas (é assim que costumo chamar os executivos em horário de almoço) quando você tem horário pra chegar a tal lugar. Tente ultrapassar um grupinho de 4 pessoas que andam uma ao lado da outra, fechando completamente a passagem. Tente.

E é mais ou menos esse o dia-a-dia no calçadão da Avenida Paulista. Podiam até colocar Garota de Ipanema de fundo musical enquanto os executivos caminham lentamente como se ao lado direito deles fosse possível ver o mar azul, o Pão de Açúcar, mulheres de biquini, homens de sunga, a areia fofa, as crianças fazendo castelinhos e vendedores ambulantes vendendo biscoitos Globo e água de côco. Mas não. Tudo o que eles vêem são prédios comerciais, um trânsito insuportável, ônibus e carros que não têm fim e uma pessoa tentando passar a qualquer custo porque tem aula na faculdade.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aos amantes da Coca Cola

Há um bom tempo - ou na época em que o Orkut ainda era a única rede social da qual a maioria da população participava -, eu entrei numa comunidade chamada "Odeio Coca-Cola". Quando apertei em "join community", sabia que muitos pensariam que eu era mais uma entre os tantos anti-capitalistas existentes na face da terra. Longe disso. A verdade é que já tem mais de 10 anos que eu não posso nem sentir o cheiro da Coca-Cola que eu já fico toda enjoada.

Tudo aconteceu, se não me engano, num final de semana. Eu devia ter uns 6 pra 7 anos e resolvi que naquela noite queria comer ovo. Taí algo que eu nunca fui muito fã, mas sabe-se lá porque, naquele dia eu resolvi que queria comer aquilo e ponto final. Não lembro qual era o prato todo, mas sei que nele tinha um ovo mexido já imaginando que seria ele o responsável pelo meu arrependimento por tanto tempo sem gostar de seu gosto. Coitado, pura ilusão.

Para acompanhar a refeição, o refrigerante que mais tinha lá em casa: ela, a famosa Coca-Cola. Até então era o meu favorito, o que sempre estava junto dos meus salgadinhos, pipocas, sanduíches e batatas fritas. Aquele jantar parecia não ter erro, estava bem como eu havia pedido. Mal sabia eu o que iria acontecer depois.

Era madrugada quando eu acordei passando mal. Parecia que eu tinha comido um urubu tamanha era a minha indigestão. Vomitei, vomitei e vomitei. Não podia ver nem uma comidinha sequer na minha frente. Imaginei de cara - ou então devem ter imaginado por mim - que seria o ovo. Mas não. Na minha cabeça, o que mais me deixava enjoada quando aparecia na imaginação era a pobre Coca-Cola. Sobrou pra ela.

Até hoje não sei se ela é a culpada ou não por aquela noite mal dormida. Talvez ela tenha sido bem injustiçada, mas desde então, ela nunca mais entrou em casa.

Por um lado, não gostar de Cola-Cola é interessante. As pessoas na maioria das vezes me olham com cara de "hmm, que saudável". Mas por outro, é aquele problema. Coca-Cola é normalmente o refrigerante coringa que todo mundo pensa que não há no mundo quem não aprecie. Ou em outras palavras: já comi churrasco com água mais de uma vez e já tive de levar minha própria Guaraná em vários jantares de família.

Ser vítima frequentemente de um preconceito por não gostar de, olha só, beber desentupidor de privada durante minhas refeições é triste. Já cheguei várias vezes a conclusão de que bebedores de Coca-Cola têm uma seita só deles. Uma religião, talvez. E quem não faz parte do tal grupo é estranho, louco, idiota, imbecil, sei lá, e eu sou uma dessas pessoas.

Fica o meu apelo, então: Me deixem em paz. E lembrem que há outras bebidas no mundo quando eu estiver na lista de convidados. Obrigada.

p.s. - 12 outras utilidades da Coca-Cola (em inglês). Sorry, não resisti.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E aconteceu o inevitável

Há mais ou menos 40 minutos, tive a minha primeira experiência comum a maioria dos brasileiros: sofri uma tentativa de assalto. E eu que pensava que isso não aconteceria tão cedo comigo...

Hoje o dia foi daqueles típicos "não deveria ter saído da cama". Pra começar, pensei que o clima esquentaria à tarde e não fui tão agasalhada para a aula. Resultado: passei frio. Se não fosse o bastante, hoje só tive aulas insuportáveis e, pra piorar, fiquei sabendo que semana que vem, no dia do meu aniversário, terei aula das 10 e pouco da manhã às 5 e pouco da tarde. Hm, bacana. Aí, no último horário, enquanto tremia horrores, o professor simplesmente não calava a boca. Típico. Quando ele finalmente nos liberou, saí correndo pra pegar o ônibus e chegar logo em casa, onde colocaria 500 mil agasalhos e me enfiaria debaixo do edredon, mas ao que tudo indica, o destino não estava muito afim de conspirar a meu favor.

Eu sempre faço o mesmo caminho quando saio da faculdade e vou pegar o ônibus. Aliás, todo mundo faz esse caminho. Acontece que hoje eu fui sozinha até lá. Enquanto caminhava, eu percebi que havia dois meninos bem jovens encostados no muro da faculdade (em Higienópolis), mas nem liguei e passei por eles mesmo assim. Chegando na esquina, parei para esperar o sinal fechar. Aí eles apareceram.

- Isso é um assalto. Phsuahsuashuahda. - falou bem baixinho um deles.
- Que??
- Isso é um assalto. Passa seu celular!
- Eu não tenho celular.
- Então passa seu relógio. Vai!
- Não.

É incrível como nessas horas a gente se transforma na pessoa mais corajosa do mundo. Eu falei com esses dois pivetes na maior tranquilidade, nem parecia que eles queriam me assaltar.

- Passa a bolsa então. Vai, passa!
- Eu não vou passar nada. Quer o dinheiro do ônibus?
- O dinheiro do ônibus não. Passa a bolsa ou o relógio!!!

Eu sei que eu fui uma louca-retardada-mental pra enfrentar as criaturas. Sempre que pensei em assaltos, imaginava que enfrentar os assaltantes, gritar, pedir socorro, enfim, reagir de qualquer forma que fosse seria uma ação de idiota. Mas sei lá da onde inventei de fazer isso. Após me negar a dar qualquer coisa pra eles, eu saí correndo, e agora tremia não mais de frio, mas de nervoso mesmo. Fiquei mega nervosa e peguei um taxi.

Como qualquer pessoa que passa por uma situação dessa, eu tô indignada. E pra não me estressar ou me revoltar pensando que a culpa é da falta de segurança brasileira, da nossa sociedade, da educação desse país e etc, vou culpar o meu inferno astral mesmo. É melhor assim.