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domingo, 1 de agosto de 2010

Ideia boa, projeto legal (ou que atire a primeira pedra quem...)

Acho que vou começar aqui no blog uma série do tipo "quero que todo mundo conheça isso". Porque eu sempre encontro coisas por aí que me deixam empolgada a ponto de querer que o mundo também se empolgue, mas sempre acabo esquecendo ou deixando pra lá. Enfim, não sei se essa série vai rolar mesmo, mas de qualquer forma, hoje já vou publicar aqui algo que encontrei esses dias na internet e achei sensacional. Vamos lá:

Jamie Keiles [foto ao lado] é uma garota americana de 18 anos recém formada na escola e que baseando-se pelo seu presente, é fácil notar que a menina é bem esperta. Fã de revistas desde sempre, foi lendo um exemplar da Seventeen e se assustando com tantas matérias no estilo "para conquistar o garoto ideal você TEM QUE", "para arrasar no verão você TEM QUE", "para ficar na moda você TEM QUE", que a ideia de um projeto veio em sua mente. Por 30 dias ela seguiria à risca todas essas dicas (ou mandamentos, né) que a revista impõe às leitoras para então ver no que tudo isso daria.

Para documentar o projeto, ela lançou o blog The Seventeen Magazine Project, onde narrou os dias que viveu como uma fiel leitora Seventeen. Alguns dos mandamentos que Jamie seguiu foram:

- Todos os dias ela seguiria pelo menos uma dica de beleza (cabelo, maquiagem, cuidados com a pele) que a revista publica.
- Ela leria e assistiria todos os livros e filmes que a revista indica.
- Ela penduraria todos os posters dos "caras gostosos" que vem com a revista na parede de seu quarto.
- Ela seguiria todas as dietas e exercícios físicos que a revista indica.

O projeto dessa garota é mais uma crítica/argumento naquele batido assunto de que a mídia influencia as pessoas. Isso todo mundo já sabe, não é novidade pra ninguém, mas eu acho que é sempre interessante estar alerta a isso. Para os veículos sobreviverem, é claro que precisam de leitores/telespectadores. E para manter pessoas fieis a eles, é lógico que esses veículos precisam sempre estar à frente de seus consumidoress. E a "tática" deles é justamente essa: dar dicas, ajudar, ensinar coisas aos leitores para que estes sempre sintam necessidade em consumi-los.

Os veículos dirigidos aos jovens, acredito eu, sofrem mais com esse tipo de análise, já que seu público-alvo está em formação de identidade, são de certa forma mais vulneráveis e também, vamos admitir, mais influenciados. (e é lógico que o publico adulto também é, mas isso é outro caso).

Em 2006 eu escrevi uma monografia sobre a revista Capricho e posso afirmar que identifiquei muito o meu trabalho em algumas coisas que a garota americana escreveu em seu blog ou falou em algumas entrevistas que ela deu. Na minha monografia, analisei as seções de Beleza, Saúde e Comportamento de 13 edições da Capricho e embora não tenha encarnado o personagem como a Jamie fez, diria que encontramos praticamente as mesmas coisas nas publicações. Aliás, imagino que se pegarmos uma edição de cada revista dirigida às adolescentes de cada país do mundo, encontraremos mais ou menos a mesma coisa. Tendência.

Enfim, acho que vale a pena dar uma olhada no blog dessa garota. Além de ser um projeto engraçado e diferente, é também uma experiência de âmbito social que pode interessar até aqueles que não leem ou nunca leram revistas teens. Que atire a primeira pedra quem nunca quis ser ou ter algo que foi publicado em algum lugar, né.

mais: The Seventeen Magazine Project.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E para você, J.D. Salinger, o meu obrigado

Talvez seja um pouco tarde pra escrever sobre isso, mas dane-se. O fato é que J.D. Salinger morreu semana passada e eu venho pensando tanto nisso que precisava postar sobre. Ele, pra quem não sabe, é autor de O Apanhador no Campo de Centeio. Sim, o livro que o assassino de John Lennon carregava consigo no dia em que cometeu o assassinato. Mas, além disso, ele também foi, se não o primeiro, um dos primeiros grandes livros da minha vida. E não digo grande de tamanho, mas sim de história, de importância, enfim.

Foi o Jorge, meu professor de português da 8a série, que mandou a gente ler a obra. Isso foi em 2004, e pode parecer clichê o que vou falar, mas acredite: eu ainda tenho na minha mente imagens minhas sentada no sofá, na cama ou até mesmo na escola lendo o livro e pensando quão bom aquele enredo era. Lembro também do dia em que eu terminei a leitura e fiquei parada, pensando. Lembro de eu indicá-lo pra todo mundo que me pedia uma dica de livro. Lembro de discutir com uma menina sobre o final da história. Lembro de praticamente tudo. E isso foi em 2004, há quase 6 anos.

E mesmo hoje, aos 20 anos de idade e com vários outros livros sensacionais na bagagem, não me atrevo a esquecer de mencioná-lo quando o assunto é meus livros favoritos. Ele, aliás, é sempre o primeiro a vir na minha cabeça. Sabe quando era legal responder a todos aqueles tópicos do perfil do Orkut como "cozinha predileta", "música", "filmes" e etc? Então, na parte de livros, O Apanhador no Campo de Centeio sempre foi o primeiro a ser escrito. Me arrisco a dizer, inclusive, que esse foi o livro que mudou a minha vida literariamente falando. Acho que foi ele que me fez gostar mais de ler, de me envolver com a história. E olha que desde bem pequena a leitura está presente na minha vida.

Por essas e outras, deixo aqui o meu profundo agradecimento à esse cara que escreveu um livro foda pra caralho. E desculpe o palavrão, foi a maneira mais sincera que eu encontrei para demonstrar o meu amor por ele.

RIP J.D. SALINGER

* na imagem acima, um pequeno texto que escrevi sobre O Apanhador no Campo de Centeio para a revista Capricho, em 2006.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os ídolos já não são mais os mesmos

É engraçado notar como o conceito de ídolo mudou de uns tempos pra cá. Antigamente era dotado de fãs aquele que tinha um talento excepcional na área em que atuasse, fosse cantando, interpretando, escrevendo, apresentando. Hoje não. Provavelmente com a ajuda da internet, qualquer um consegue se tornar famoso e ganhar um legado de fãs. E o mais bizarro: sem ter talento específico algum.

É o caso, por exemplo, desses colírios da Capricho. Eles, pelo que eu pude notar, são adolescentes normais. Não cantam, não dançam, não atuam, mas mesmo assim, têm milhões de fãs por aí, foram capa da revista, recebem presentes, dão autógrafos, e já são perseguidos por 90% das meninas entre 12 e 16 anos que os acham lindos, maravilhosos e perfeitos. Pesquisando para esse post, encontrei vários vídeos no Youtube de meninas se declarando como se eles fossem Deus. Uma chegou a escrever "vocês mudaram a minha vida, não sei como agradecer. [...] Dudu (um dos garotos), você é o amor da minha vida, você significa muito pra mim, te amo de verdade meu amor".

Eu não sei o que passa na cabeça de cada um depois de ler mensagens como essa, mas na minha o único pensamento que vinha era: "Como essas meninas podem idolatrá-los tanto?"
Bom, a resposta eu acho que é simples. Eles são meninos da faixa etária das leitoras da revista, têm vidas parecidas com as delas (entenda-se por: vão à escola, à festas, são menores de idade, etc), e passam praticamente a tarde toda no twitter falando com elas, que se derretem por um simples "eu amo vocês" que não demora a aparecer nas páginas desses "novos ídolos". Mas será que isso tudo justifica?

É engraçado notar a proporção que essa fama deles tomou. As meninas que se dizem apaixonadas por eles se declaram como se os meninos aparecessem na TV todos os dias, fizessem shows ou qualquer outra coisa do tipo. É estranho pensar que a única coisa que eles fazem é contar suas vidas - que são, basicamente, como a de qualquer outro garoto - no site de uma revista. É nessas horas que a gente vê o poder da mídia, e como ela consegue influenciar. Ou alguém acha que eles seriam "famosos" se contassem suas vidas em blogs pessoais?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O jovem X os veículos direcionados à ele

Escrever para um adolescente sempre me pareceu muito complicado. Além de ser exigente na hora de escolher o que ler, o jovem é também um leitor bastante crítico, e algumas vezes, preconceituoso com o que é escrito para ele. Desde que tive a oportunidade de escrever/participar de alguns veículos direcionados à este público, escuto algumas coisas que eu raramente consigo engolir, mas que pelo visto, vou continuar ouvindo por um bom tempo: adolescentes que mal leem um jornal ou uma revista "para adultos" criticando os cadernos/revistas feitos para eles. Ouvir que revistas como a Capricho ou cadernos como a Folhateen são infantis já ficou tão banal quanto ouvir que o morango é vermelho. E isso me irrita profundamente.

No colegial, talvez por função do vestibular que chegava cada vez mais perto, o único estilo de escrita que a escola mandava a gente fazer era dissertação. E por ter que escrever uma por semana, lembro que fiquei meio "bitolada" a esse estilo, e o único jeito que conseguia me expressar por escrito, naquela época, era de forma "séria", "dura". E foi meio que nessa época (no 2º colegial, na verdade) que eu fui convidada a participar da Galera Capricho (pra quem não sabe, é um grupo limitado de meninas que participam/ajudam a revista), e por estar nesse grupo eu tive a oportunidade de escrever algumas resenhas de livros e filmes para o veículo. Lembro do sufoco que foi "parir" a minha primeira. Era pouca coisa, questão de um parágrafo, mas que na hora, parecia mais difícil do que escrever uma monografia inteira. Eu tinha 16 anos na época, ou seja, me incluía por inteiro no começo deste post: era uma leitora exigente e crítica, que pegava no pé do que eu lia ou deixava de ler. E mesmo assim, senti dificuldade na hora de escrever tal resenha. "E agora, como ia fazer?" Eu precisava escrever para uma revista que muitas vezes eu critiquei, julguei como infantil. Mas acontece que eu não me considerava infantil e muito menos considerava meus "colegas de idade" infantis. Qual seria então a linguagem, as palavras certas a serem usadas? Foi aí que comecei a sentir o aperto que um jornalista que trabalha para este público sente todo dia (ou pelo menos sentia no começo, antes de pegar o jeito), e vi que a infantil ali era eu, ou melhor, todos os jovens que teimavam em criticar, de forma geral, algo que nem nós sabíamos. Escrever uma resenha de um parágrafo sobre um filme chato e chamar a atenção das leitoras da revista não parecia nem um pouco simples. Aliás, não era nada simples.

Com o tempo eu comecei a pegar a prática, e tudo começou a fazer mais sentido. Depois de participar da Galera, eu tive a oportunidade de escrever matérias maiores para a revista, o que, logicamente, me enchia de orgulho. Mas era só querer mostrar para o pessoal da escola, que eu me irritava. "Matéria sobre o quê você escreveu? Sobre como conquistar o cara ideal na balada? Sobre o beijo perfeito? Sobre as bandinhas da moda?" Comentários assim era o que eu mais ouvia dos meus amigos, e isso me matava de raiva. Por que será que os próprios adolescentes, que ainda estão na faixa etária do público alvo de veículos como a Capricho, têm tanto preconceito na hora de ler algo direcionado à eles?

Essa semana, um colega meu da faculdade soltou durante a aula um "ah, a Folha de São Paulo tem uns cadernos ridículos, e a Folhateen é um deles. Isso é pra quem lê Capricho!" Eu faço faculdade de jornalismo e, logo, esse menino também. Na hora em que ouvi isso, foi como se um filme tivesse passado pela minha cabeça: Eu vi ex-colegas de escola, eu vi a minha antiga classe, eu me vi mostrando minhas matérias para aquela turma de colégio. Ouvir aquilo foi como fazer uma viagem à 2007, e eu não consigo ficar calada quando frases como a citada acima chegam aos meus ouvidos. Eu senti na pele a dificuldade de adaptar um texto a um público alvo, a uma linha editorial especifica, e vi que não é das coisas mais fáceis e simples. Por causa disso, sinto raiva, eu assumo, de quem desmerece o jornalismo feito num veículo teen.

O jornalismo existe para todos os públicos, e não é porque um é feito para adolescente, que é menos jornalismo que o que é feito na Veja, por exemplo. Que da mesma forma que um jornalista econômico apura sobre uma crise nos EUA, ele pode apurar sobre como encontrar o garoto ideal na balada, e que isto pode ser tão difícil quanto entrevistar um fodão da política. Enfim, ao meu ver, isso é jornalismo. Eu ainda não sei em qual área quero atuar, mas para aqueles que pensam que a verdadeira função do jornalista é escrever sobre política, economia, cotidiano e etc, me desculpe, mas eu não tenho nada a declarar.

p.s.- para quem quiser ver, aqui está o texto que fiz em 2007 sobre todo o processo de "produção" da minha primeira matéria na Capricho: http://colunadalu2.zip.net/arch2007-08-26_2007-09-01.html Depois eu escrevi mais matérias, mas este post é só sobre uma.