Quando pequena eu adorava ir ao supermercado. Fazer compra do mês era um programa digno de me deixar ansiosa e impaciente. Só de me imaginar pegando um carrinho pequeno e me perdendo nas prateleiras de balas, chocolates e danones, eu já ficava toda feliz. Garrafinhas de Guaraná Caçulinha e pacotes e mais pacotes de biscoito Fofy eram sempre os primeiros que eu pegava, e depois só ficava passeando pelo estabelecimento me sentindo a própria dona de casa.
Como eu não tinha a menor noção do que engordava ou não, e lógico, nem precisava me preocupar com isso, ir ao supermercado era como ir a uma loja de brinquedos. Nada ali me trazia preocupação, tudo que dava vontade eu pegava e já me imaginava sentada no sofá de casa me empanturrando com tanto porcaria. Mas aí, como a gente cresce e com isso descobre as calorias, preços, e que a fila pra pagar é muito chata, ir ao supermercado foi desaparecendo da minha lista de passeios favoritos, até que, aos poucos, apareceu no meu Top 5 "lugares que eu odeio ir". A situação se inverteu totalmente.
Eu já não achava a menor graça em empurrar os tais carrinhos, ficar pedindo licença toda hora pra passar, olhar as prateleiras de cima a baixo procurando algum produto, checar a validade dos alimentos e, é claro, ficar horas na fila pra depois ainda ter que fazer o super exercício de carregar mil sacolas pesadas na mão. Argh. Ir ao supermercado virou, então, um programa meio raro, que só acontece por algum motivo, tipo quando vou ficar em casa sozinha e preciso de companhias calóricas, quando quero comprar algo que só tem lá ou quando é férias/feriado e eu sei que vou ficar muito tempo em casa.
Bom, véspera de Carnaval, chuva, friozinho em São Paulo, senti que era momento de me aventurar por entre as prateleiras de um hipermercado. Lá fui eu pro Carrefour.
Normalmente eu tento ir ao super com uma listinha mental do que eu preciso/quero comprar. Às vezes eu até consigo segui-la e/ou não fugir muito do que já tinha me proposto, mas quando o supermercado é gigante, isso se torna meio impossível. Aí é aquela situação: você vai pegar um saco de pão de forma integral, passa por vários bolos - que você com certeza não precisaria - e pega um de chocolate. Você vai pegar um pacote de Trakinas (pra caso você tenha insônia alguma noite e fique com fome) e sai de lá com dois sacos de balas jujubas também.
Como a vida não é feita só de doces, você procura a parte de congelados e pega umas pizzas, uma caixa de nuggets. Já está saindo desse corredor quando olha pra frente e vê geladeiras lotadas de sorvetes. Você pega um de flocos, afinal, você precisa de sobremesa, né? Coloca ele no carrinho e segue seu rumo até que vê potes de marshmallow, farofa e calda de chocolate. Precisa levar, né? Vai comer sorvete de flocos puro? Claro que não.
E assim vai, até que chega a hora de pagar e você se toca que acabou levando mais coisas que não precisava do que aquelas que você realmente já tinha pensado em comprar. Aí você chega em casa, guarda todas no armário e vai ver um filme. Enquanto a história acontece na TV na sua frente, você começa a pensar nas coisas que comprou. Nem está com fome, mas vai que tenha algo que combine bastante com o filme? Lá vai você pausar o DVD e correr pra cozinha. Abre o armário, olha a geladeira, relembra o que comprou e pega um saco de bolachas. Você nem está com fome, mas com tanta coisa ali, precisa comer algo, né?
E é mais ou menos assim que me encontro no momento. Acompanhada de vários tipos de guloseimas, muitas vezes sem fome mas na maior parte do tempo me sentindo na obrigação de comer um pouco de cada coisa que eu comprei. Esse Carnaval está sendo bem light.
E viva a batata Pringles, as bisnaguinhas com Nutella, os nuggets da Sadia, o ketchup Heinz, as bolachas Trakinas! Um viva também às barrinhas de cereal Trio, porque em meio a tamanha insanidade, sempre sobra um pouco de consciência. Ou cara de pau.


























