Era praticamente uma lei. Todos os dias ao acordar pra ir para a escola eu ligava meu Ipod no shuffle e esperava ansiosamente pra ver qual música iria tocar. Se fosse uma música legal, que me empolgava, o dia seria bom. Se a música fosse chata, daquelas que nem deveriam estar no aparelho, o dia não seria lá tão agradável. Era como se o Ipod fosse o meu Minutos de Sabedoria, sabe.
Esse hábito me acompanhou pelos dois últimos anos do colégio. É que era chato acordar todo dia às 6 da manhã pra aprender química, física e toda aquela baboseira que para uma futura estudante de jornalismo nunca seria útil, então digamos que ouvir minha música favorita ao acaso pela manhã me dava aquela segurança de que talvez valesse a pena sair de casa e passar a manhã inteira aprendendo coisa chata. Confesso que achava esse meu método muito bom. Melhor do que ouvir uma música legal no shuffle do Ipod era entrar na perua que me levava ao colégio e notar que a minha música favorita tocava no rádio. Esse era o limite, o máximo que as músicas e a sorte/destino poderiam me dizer. Significava que o dia seria O DIA.
Eu levava isso muito a sério. Todo dia fazia a mesma coisa, e tá, lógico que quando a primeira música que me aparecia era chata, eu dava mais uma chance ao acaso, afinal, eram 6 horas da manhã e ele também tinha o direito de estar sonado. Algumas vezes isso adiantava, outras não, mas bom, a vida seguia.
Aí um dia eu fui pega roubando a prova de matemática na sala do orientador. Antes de mais nada: não me julgue. Mas enfim, eu roubei. Foi um ato tramado por três pessoas, eu e mais duas amigas, e enquanto elas eram encarregadas de distrair a secretária, eu tinha como objetivo puxar a prova do envelope, dobrá-la e colocá-la no bolso. Não foi fácil, mas eu consegui. Enquanto todos se desesperavam, estudavam e enloqueciam pela prova de matemática, a partir daquele momento eu e minhas amigas estávamos tranquilas, afinal, ela estava no meu bolso.
E por lá ela ficou por mais ou menos uns 10 minutos. Quer dizer, acho que foi mais ou menos isso que demorou pro orientador aparecer na minha sala e me convidar para conversar no corredor. "Luiza, devolve". Ele disse assim, de forma curta e direta. Como não sou boa pra mentir, fiquei muda, intacta e congelada por alguns segundos. "Ai, Ed (o orientador), toma".
Há dez minutos eu tinha a prova de matemática no meu bolso. Agora eu já não tinha mais.
Nós seguimos, então, para conversar na sala dele. Na real não ouve conversa. Ele e a secretária apenas riram da minha cara que, segundo eles, estava branca. Acho que eu até tremia, pra falar a verdade. Toda a situação foi resumida pela secretária em apenas uma frase. Muito sábia, ela falou: "É, Luiza...pior do que roubar e ser pega no flagra, é roubar e não poder levar a prova de matemática com você, né?" Ela tinha razão. Mas o que mais cutucava a minha mente era: "Eu sabia que acordar com Chiclete com Banana não era um bom sinal. Eu sabia".
Nós seguimos, então, para conversar na sala dele. Na real não ouve conversa. Ele e a secretária apenas riram da minha cara que, segundo eles, estava branca. Acho que eu até tremia, pra falar a verdade. Toda a situação foi resumida pela secretária em apenas uma frase. Muito sábia, ela falou: "É, Luiza...pior do que roubar e ser pega no flagra, é roubar e não poder levar a prova de matemática com você, né?" Ela tinha razão. Mas o que mais cutucava a minha mente era: "Eu sabia que acordar com Chiclete com Banana não era um bom sinal. Eu sabia".