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sábado, 10 de julho de 2010

A outra utilidade do Ipod

Era praticamente uma lei. Todos os dias ao acordar pra ir para a escola eu ligava meu Ipod no shuffle e esperava ansiosamente pra ver qual música iria tocar. Se fosse uma música legal, que me empolgava, o dia seria bom. Se a música fosse chata, daquelas que nem deveriam estar no aparelho, o dia não seria lá tão agradável. Era como se o Ipod fosse o meu Minutos de Sabedoria, sabe.

Esse hábito me acompanhou pelos dois últimos anos do colégio. É que era chato acordar todo dia às 6 da manhã pra aprender química, física e toda aquela baboseira que para uma futura estudante de jornalismo nunca seria útil, então digamos que ouvir minha música favorita ao acaso pela manhã me dava aquela segurança de que talvez valesse a pena sair de casa e passar a manhã inteira aprendendo coisa chata. Confesso que achava esse meu método muito bom. Melhor do que ouvir uma música legal no shuffle do Ipod era entrar na perua que me levava ao colégio e notar que a minha música favorita tocava no rádio. Esse era o limite, o máximo que as músicas e a sorte/destino poderiam me dizer. Significava que o dia seria O DIA.

Eu levava isso muito a sério. Todo dia fazia a mesma coisa, e tá, lógico que quando a primeira música que me aparecia era chata, eu dava mais uma chance ao acaso, afinal, eram 6 horas da manhã e ele também tinha o direito de estar sonado. Algumas vezes isso adiantava, outras não, mas bom, a vida seguia.

Aí um dia eu fui pega roubando a prova de matemática na sala do orientador. Antes de mais nada: não me julgue. Mas enfim, eu roubei. Foi um ato tramado por três pessoas, eu e mais duas amigas, e enquanto elas eram encarregadas de distrair a secretária, eu tinha como objetivo puxar a prova do envelope, dobrá-la e colocá-la no bolso. Não foi fácil, mas eu consegui. Enquanto todos se desesperavam, estudavam e enloqueciam pela prova de matemática, a partir daquele momento eu e minhas amigas estávamos tranquilas, afinal, ela estava no meu bolso.

E por lá ela ficou por mais ou menos uns 10 minutos. Quer dizer, acho que foi mais ou menos isso que demorou pro orientador aparecer na minha sala e me convidar para conversar no corredor. "Luiza, devolve". Ele disse assim, de forma curta e direta. Como não sou boa pra mentir, fiquei muda, intacta e congelada por alguns segundos. "Ai, Ed (o orientador), toma".

Há dez minutos eu tinha a prova de matemática no meu bolso. Agora eu já não tinha mais.

Nós seguimos, então, para conversar na sala dele. Na real não ouve conversa. Ele e a secretária apenas riram da minha cara que, segundo eles, estava branca. Acho que eu até tremia, pra falar a verdade. Toda a situação foi resumida pela secretária em apenas uma frase. Muito sábia, ela falou: "É, Luiza...pior do que roubar e ser pega no flagra, é roubar e não poder levar a prova de matemática com você, né?" Ela tinha razão. Mas o que mais cutucava a minha mente era: "Eu sabia que acordar com Chiclete com Banana não era um bom sinal. Eu sabia".

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Aperte o play e seja feliz

No Canadá eu descobri um dos sentidos que a música pode ter na vida de um ser humano. Eu sempre tive as minhas favoritas, as que me traziam boas recordações, as que me irritavam, as que colavam na cabeça como um chiclete e tantas outras, mas foi na minha temporada morando fora que eu percebi aquilo que muita gente fala: a música é capaz de mudar o espírito da pessoa, de deixar alguém muito feliz, muito triste, enfim. Foi lá que eu realmente descobri que isso funciona. Porque é claro, antes de viajar eu tinha as minhas músicas que me alegravam, mas no Canadá eu de fato me vi me apegando a uma canção e fazendo dela um meio pra mudar todo o meu dia.

Quem já morou fora, longe da família e dos amigos, sabe que sempre rolam momentos de desânimo (o tal homesick), e eu também tive vários deles na minha vida canadense. E era engraçado perceber que colocar os fones de ouvido e apertar o play naquela que na época era A música, mudava tudo. As viagens de ônibus e de metrô que eu fazia todos os dias para ir pra escola e voltar pra casa tinham outra energia quando eu escolhia o som ambiente.

Ainda em Vancouver eu fui ao show do Mika e assisti Mamma Mia (o musical da Broadway, que eu já curtia horrores). E é sério, durante os dois espetáculos eu fui a pessoa mais feliz do mundo. Sei lá, ouvir as músicas que eu já adorava, e ainda mais ao vivo, dava uma energia sem explicação. Acho que o fato de estar sozinha longe do seu país e reconhecer nas tais canções um carinho, faz com que você se sinta em casa.

Eu já citei aqui no blog milhares de vezes que a minha trilha sonora canadense foi Patrick Watson, Mika, Macy Gray e Michael Bublé. Foram eles os responsáveis por muitas vezes eu dar um up no ânimo. Ou então ficar mais animada do que eu já estava. (e é por isso também que é só uma música deles começar a tocar, pra eu já me sentir vivendo o intercâmbio de novo).

Nesse tempo que estou de volta, é lógico que eu já tive váááárias músicas prediletas, mas vou deixar aqui as do momento. São essas que estão me servindo de trilha nos momentos em que estou em casa, no ônibus indo pra aula, tentando pegar no sono de madrugada, me animando nas horas em que o saco cheio aparece (vide post anterior) e enfim. São as minhas novas favoritas de todos os tempos. Ah, nenhuma delas é novidade, mas eu resolvi dar uma chance a elas (fora a do Queen, que já mora no meu coração há um bom tempo) e não me arrependi. Conhecimento musical é sempre bom.


Ahnn...errr....bem...é lógico que sempre tem aquela contradição, né. Esse daqui também tem aparecido muito no meu Ipod. Fazer o que, a música é boa! :P (aliás, qualquer dia conto aqui como conheci esse pirralho talentoso antes de ele ser famoso).

domingo, 4 de abril de 2010

Esse eu passo

Em tempos normais, eu sentiria muita inveja ao ver pessoas acampadas em frente a lojas Apple para comprar o último lançamento de Steve Jobs. Sim, porque isso era o que eu sentia ao ver na TV ou na Internet imagens parecidas quando novas versões de Ipod e Iphone eram lançadas. Eu sempre pensei que fosse uma viciada em tecnologia. Sempre, até o Steve Jobs inventar esse tal de Ipad e eu não sentir nada, absolutamente nada por ele. Nem uma vontadezinha sequer de possuí-lo.
Eu não sei se fui eu que não li direito informações sobre esse negócio, ou se ele não captou mesmo a minha atenção, mas a questão é que eu não sinto a mínima vontade de tê-lo. Pelo que vi, ele tem aplicativos como o Iphone, entra na internet como um Iphone e roda vídeos como um laptop. Ver filmes no computador já me encheu completamente a paciência, nunca compraria um negócio menor ainda para me dar dor de cabeça. Quanto aos aplicativos, pra isso tem o Iphone, e o melhor: ele cabe no bolso. Também sei que ele é um leitor digital, ou seja, teoricamente ele tem o potencial para substituir os livros, as revistas e os jornais. Hehe, forget it, Mr. Jobs! Aqui em casa não há nem a possibilidade de isso acontecer - foi exatamente por isso que quando lançaram aquele tal de Kindle, eu nem perdi o meu tempo me animando em comprá-lo.
Nunca imaginei que Steve Jobs pudesse lançar algo que não me prendesse a atenção. Alguma coisa tá errada aí. Ou fui eu que passei de viciada em tecnologia a apenas uma pessoa moderada tecnologicamente, ou foi a Apple que pisou na bola. O bom é que pelo menos eu não fico com aquela sensação de futilmente necessitada. Até que me provem o contrário, esse Ipad é todo de vocês. Porque eu tô fora.