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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

E nessa época de jogos olímpicos, eu sinto é saudade

Acho que todo mundo sabe que os jogos olímpicos de inverno estão acontecendo, e que nessa edição eles rolam em Vancouver, no Canadá. Desde a semana passada, é bem provável que você abra algum portal ou ligue a TV e se depare com alguma notícia ou imagem do que está acontecendo por lá. E isso tem me deixando extremamente ciumenta.

Sim, confesso, estou com ciúmes de Vancouver. Com ciúmes de ver um monte de gente falando da cidade em que passei um semestre maravilhoso e que sinto imensas saudades. Sinto inveja também, é claro. Inveja da Ana Paula Padrão, que toda noite aparece no jornal falando de algum lugar que conheci em Vancouver. Inveja dos brasileiros que estão lá competindo - ou então assistindo aos jogos. Inveja da galera que está passando um friozinho no Canadá enquanto eu derreto aqui no Brasil. Ahhh...e muitas saudades!

Mas não posso negar que ao mesmo tempo é divertido ver Vancouver se tornar ainda mais popular e poder falar que eu conheço um montão daquela cidade linda e perfeita. Quando eu fui pra lá, no primeiro semestre de 2008, o povo já estava mega ansioso pra receber as Olimpíadas. Era normal passear pelas ruas e já encontrar algum indício de que os jogos estavam a caminho, mesmo que dali a 2 anos. E é engraçado ver que esse tempo passou tão rápido. Em 2008, o tal ano das Olimpíadas parecia tãão distante (na primeira foto, estou do lado do contador que fazia contagem regressiva para o início dos jogos. Ainda faltavam 790 dias) e olha só, o dia chegou!

Eu lembro também que todo mundo de lá já fazia planos para o tal ano. Minha hostmother, por
exemplo, prometia a todos que moravam em sua casa que ela receberia todo mundo de braços abertos em 2010. Aham, se eu bem conheço aquela galera, o preço pra receber estudante em casa hoje deve estar nas alturas. E essa história de braços abertos, só se for com um bolso beeem generoso...tsc tsc. Meus professores também estavam bem animados para os jogos. Um, naquela época, já tinha comprado até os mascotes dos jogos, e os levava quase que todos os dias para a escola. Aliás, os mascotes são esses da foto acima. Esse adesivo eu peguei em Whistler - cidade de ski pertinho de Vancouver que também está recebendo os jogos -, e guardei porque sabia que um dia me seria útil. Ok, útil nunca vai ser.

AHHH, que saudades de Van!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Hábito de se Adaptar e a Saudade Depois Disso

E é quando estamos fora de nosso habitat que começamos a ver o mundo e a vida como ela é, certo? Eu discordaria disso há um ano. E eu poderia citar Darwin, Lamarck, ou qualquer referência para dar consistência a este post, mas vou me basear naquela primórdia definição de blog, que diz que sites como esse daqui são diários virtuais. Pois é, vou usar um exemplo bem pessoal mesmo...

No começo do ano, fiz aquilo que sempre tive a certeza que nunca faria: intercâmbio. Eu sempre me vi bem dependente (ou acomodada) na minha vidinha daqui, portanto ir para um país desconhecido, sozinha, me parecia coisa de maluco. Mordi minha língua e fui. Hoje, após ter voltado (contra vontade - wow!), vejo que experiências como aquela deveriam ser obrigatórias para todo mundo. E não me refiro à diversão, novas amizades ou coisas do tipo. Lógico, isso também é muito bom, mas a razão pela qual acho que intercâmbio deveria fazer parte, juntamente com alimentação e higiene, das necessidades humanas, é pelo começo de tudo, pela chegada à terras desconhecidas.

Cheguei em Vancouver, no Canadá, na primeira semana do ano, ou seja, no auge do inverno, e poucos dias depois daquela fatídica semana do Natal e Ano Novo, que consegue elevar as emoções das pessoas até o teto. No aeroporto de São Paulo, antes do embarque, era só felicidade. No avião até Toronto, também. Na conexão para Vancouver, além do cansaço, reinava aquela ansiedade normal de quem não sabe o que está fazendo, mas fora isso, eu estava em outro país, mano!! hehe! Feliz da vida. Maaas, foi só chegar na homestay (casa de família onde estudantes ficam), que a ficha caiu: estava num lugar frio, com pessoas frias e estranhas, numa casa que não era a minha, sem a minha família e meu cachorro, e por lá ficaria por mais um bom tempo. Na minha cabeça, o pensamento era: fudeu! Chorei, chorei, chorei e...chorei. Chorei no shopping, na rua, no ônibus, em todos os lugares. Mas aí o tempo passa, você percebe que está lá e não pode (e nem deve) desistir de tudo aquilo ali e, portanto, a única opção era tentar aproveitar ao máximo e esquecer da vidinha original, que depois ia voltar. Falando isso hoje, parece fácil até demais. Mas na hora não é. Mesmo.

Nesse tempo em que sofri de "homesick", percebi que a força do pensamento é tudo, e que sim, nós temos tudo aquilo que queremos. Por que? Simples. Na minha cabeça, a vontade de não estar lá era tanta que, obviamente, tudo que via, era horrível. "Como as pessoas podem dizer que o Canadá é lindo? Coisa horrível!", era o que eu pensava e, claro, acordando e dormindo com esse pensamento, é óbvio que minha opinião nunca mudaria. Em outras palavras: eu não estava aberta a outros pensamentos, então nunca que aquilo ia mudar. Aí relaxei, dexei a coisa fluir. Lógico, não fiquei feliz 100% de uma hora pra outra, mas a vontade de ir embora começou a aparecer só quando eu lembrava dela. Aí você aprende a se virar sozinho, a depender unicamente de você mesmo (o que são coisas ótimas!), se adapta, se adapta, se adapta, se acomoda, se acomoda, se acomoda até que...Chega a hora de ir embora. Aí é aquela coisa: a ansiedade de ver a família, o cachorro, a casa, a cidade, o país. Mas por outro lado, tem a tristeza de deixar as pessoas que conheceu, os lugares que freqüentou, a rotina que tinha. Exatamente igual àquele sentimento do "pré- intercâmbio", porém agora com lados invertidos.

Se adaptar é díficil mesmo. E eu acho que o ser-humano deveria se ver orgulhoso de si próprio quando consegue isso. Depois...é só festa. O foda de intercâmbio é, sem dúvida nenhuma, o começo e o fim. O meio é a melhor coisa do mundo! E agora, depois que tudo já acabou, dá aquela saudade master. Saudade até do que naquela época era chato ou feio.

Saudade de ver "dançarinas" se achando brasileiras e dançando samba. Saudade da neve. Saudade do boliche estranho, com bola pequena e 5 pinos. Saudade da praia sem ondas e sem calor. Saudade de comemorar um dia quente de 20 graus. Saudade das festinhas na classe, com gente do mundo todo. Saudade do caminho da escola até o Skytrain. Saudade de descer uma montanha de neve dentro de uma bóia em Whistler. Saudade de descer de bunda na neve em Seymour Mountain. Saudade do deck de casa.

Saudade de muita coisa.