



E é quando estamos fora de nosso habitat que começamos a ver o mundo e a vida como ela é, certo? Eu discordaria disso há um ano. E eu poderia citar Darwin, Lamarck, ou qualquer referência para dar consistência a este post, mas vou me basear naquela primórdia definição de blog, que diz que sites como esse daqui são diários virtuais. Pois é, vou usar um exemplo bem pessoal mesmo...
No começo do ano, fiz aquilo que sempre tive a certeza que nunca faria: intercâmbio. Eu sempre me vi bem dependente (ou acomodada) na minha vidinha daqui, portanto ir para um país desconhecido, sozinha, me parecia coisa de maluco. Mordi minha língua e fui. Hoje, após ter voltado (contra vontade - wow!), vejo que experiências como aquela deveriam ser obrigatórias para todo mundo. E não me refiro à diversão, novas amizades ou coisas do tipo. Lógico, isso também é muito bom, mas a razão pela qual acho que intercâmbio deveria fazer parte, juntamente com alimentação e higiene, das necessidades humanas, é pelo começo de tudo, pela chegada à terras desconhecidas.
Cheguei em Vancouver, no Canadá, na primeira semana do ano, ou seja, no auge do inverno, e poucos dias depois daquela fatídica semana do Natal e Ano Novo, que consegue elevar as emoções das pessoas até o teto. No aeroporto de São Paulo, antes do embarque, era só felicidade. No avião até Toronto, também. Na conexão para Vancouver, além do cansaço, reinava aquela ansiedade normal de quem não sabe o que está fazendo, mas fora isso, eu estava em outro país, mano!! hehe! Feliz da vida. Maaas, foi só chegar na homestay (casa de família onde estudantes ficam), que a ficha caiu: estava num lugar frio, com pessoas frias e estranhas, numa casa que não era a minha, sem a minha família e meu cachorro, e por lá ficaria por mais um bom tempo. Na minha cabeça, o pensamento era: fudeu! Chorei, chorei, chorei e...chorei. Chorei no shopping, na rua, no ônibus, em todos os lugares. Mas aí o tempo passa, você percebe que está lá e não pode (e nem deve) desistir de tudo aquilo ali e, portanto, a única opção era tentar aproveitar ao máximo e esquecer da vidinha original, que depois ia voltar. Falando isso hoje, parece fácil até demais. Mas na hora não é. Mesmo.
Nesse tempo em que sofri de "homesick", percebi que a força do pensamento é tudo, e que sim, nós temos tudo aquilo que queremos. Por que? Simples. Na minha cabeça, a vontade de não estar lá era tanta que, obviamente, tudo que via, era horrível. "Como as pessoas podem dizer que o Canadá é lindo? Coisa horrível!", era o que eu pensava e, claro, acordando e dormindo com esse pensamento, é óbvio que minha opinião nunca mudaria. Em outras palavras: eu não estava aberta a outros pensamentos, então nunca que aquilo ia mudar. Aí relaxei, dexei a coisa fluir. Lógico, não fiquei feliz 100% de uma hora pra outra, mas a vontade de ir embora começou a aparecer só quando eu lembrava dela. Aí você aprende a se virar sozinho, a depender unicamente de você mesmo (o que são coisas ótimas!), se adapta, se adapta, se adapta, se acomoda, se acomoda, se acomoda até que...Chega a hora de ir embora. Aí é aquela coisa: a ansiedade de ver a família, o cachorro, a casa, a cidade, o país. Mas por outro lado, tem a tristeza de deixar as pessoas que conheceu, os lugares que freqüentou, a rotina que tinha. Exatamente igual àquele sentimento do "pré- intercâmbio", porém agora com lados invertidos.
Se adaptar é díficil mesmo. E eu acho que o ser-humano deveria se ver orgulhoso de si próprio quando consegue isso. Depois...é só festa. O foda de intercâmbio é, sem dúvida nenhuma, o começo e o fim. O meio é a melhor coisa do mundo! E agora, depois que tudo já acabou, dá aquela saudade master. Saudade até do que naquela época era chato ou feio.
Saudade de ver "dançarinas" se achando brasileiras e dançando samba. Saudade da neve. Saudade do boliche estranho, com bola pequena e 5 pinos. Saudade da praia sem ondas e sem calor. Saudade de comemorar um dia quente de 20 graus. Saudade das festinhas na classe, com gente do mundo todo. Saudade do caminho da escola até o Skytrain. Saudade de descer uma montanha de neve dentro de uma bóia em Whistler. Saudade de descer de bunda na neve em Seymour Mountain. Saudade do deck de casa.
Saudade de muita coisa.